<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992</id><updated>2011-04-22T02:44:27.134-03:00</updated><title type='text'>Baú de Viagem - Guardados da Memória</title><subtitle type='html'>-Fernando Portela- aletrop@uol.com.br</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2023991385464745427</id><published>2008-07-05T17:49:00.010-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:29.967-03:00</updated><title type='text'>No ar, algo além dos aviões: comerciais de TV</title><content type='html'>Em geral, assim como as campanhas de cigarros nos áureos tempos, anúncios de companhias de aviação são muitos bonitos, cheios de glamour e charme; raramente, porém, são criativos de fato. Apesar disso, houve peças verdadeiramente brilhantes ou provocativas, principalmente comerciais, alguns dos quais tentarei descrever a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hotéis, restaurantes, empresas de navegação e companhias aéreas sempre conviveram mais ou menos bem com os “colecionadores” de souvenirs – uns fingindo que não vêem, a maioria diluindo o prejuízo entre os próprios clientes (via acréscimos nos preços), e assim por diante. Mas a Braniff resolveu transformar o limão numa limonada; e fez do assunto o tema de um comercial memorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF3vJ_IrfI/AAAAAAAAAmU/FtUQc1ZB2lo/s1600-h/Colecionando+lembranÃ§as.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220085095117401586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF3vJ_IrfI/AAAAAAAAAmU/FtUQc1ZB2lo/s320/Colecionando+lembran%C3%A7as.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Colecionando lembranças - &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Os colecionadores de souvenirs movimentam um comércio que envolve milhões de dólares. Inclusive através da internet.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bordo de um avião, uma simpática velhinha vai arrebanhando e, discretamente, colocando na bolsa, tudo o que lhe cai nas mãos: louças, talheres, o travesseirinho e até o cobertor – sob o olhar cúmplice das aeromoças. Enquanto isso, a locução vai dizendo algo mais ou menos assim: – “A Braniff fica muito satisfeita ao ver que as pessoas gostam tanto de viajar com ela, que fazem questão de levar alguma recordação das agradáveis horas de vôo. Mas, ficaria ainda mais satisfeita caso não houvesse certos exageros”. Neste ponto, há um corte de imagem. Na cena seguinte, aparece a velhinha dirigindo um trator e levando o avião embora para casa. &lt;em&gt;(Para ver este e outros comerciais de aviação, acesse: &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=2jfSyzH5z2M"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=2jfSyzH5z2M&lt;/a&gt; - vale a pena!)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF4SabZfxI/AAAAAAAAAmc/u7UVkfeWJFs/s1600-h/Que+velhinha+simpÃ¡tica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220085700826332946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF4SabZfxI/AAAAAAAAAmc/u7UVkfeWJFs/s320/Que+velhinha+simp%C3%A1tica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Que velhinha simpática! -&lt;/span&gt; V&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;ocê impediria uma velhinha tão doce e meiga como essa de levar algumas “lembrancinhas de viagem” para casa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para anunciar seus diferenciais – poltronas mais espaçosas e classe única em todos os vôos – a Alaska Airlines pôs no ar dois comerciais muito interessantes. No primeiro, mostra um rapaz normal sentado numa poltrona do meio e sendo literalmente espremido por dois caras gordos e “espaçosos”. Corta. Por contraste, a cena seguinte mostra a cabine de um avião da empresa, com todos confortavelmente acomodados e bem servidos. O texto, claro, diz mais ou menos assim: – “Se você quer parar de sentir-se como uma sardinha, então venha voar com a gente, com todo o conforto e serviços que as outras não lhe dão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo, a cena inicial mostra uma primeira classe nababesca; quando a cortina que separa a classe econômica é afastada, o que se vê é um compartimento tão espartano quanto um transporte de tropas. Então, corta para o interior de uma aeronave da empresa, com todo mundo muito bem instalado, enquanto o locutor diz algo como: – “Cansado de ser tratado como um ser inferior? Então voe com quem não faz distinção de classes. Venha voar com a gente”. Pena que, hoje em dia, a empresa adote procedimentos semelhantes aos que tanto criticava na concorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, um outro comercial (bem recente, aliás) que, na minha opinião, até extrapola em matéria de criatividade, Mas, é bom. Muito bom.&lt;br /&gt;Em um apartamento de classe média, um jovem marido está se preparando para receber a esposa, que volta de uma visita aos pais. O rapaz se banha, se barbeia, se perfuma, mas não se veste. Nu, e com uma rosa entre os dentes, vai atender a campainha da porta, que está tocando. (No áudio, a música cria um clima, até o auge: o momento em que o rapaz abre a porta). Então ele se depara, não só com a esposa, mas também com os sogros! Em off, o locutor anuncia um desconto promocional para grupos familiares e pessoas da terceira idade. (Só não me perguntem o nome da empresa aérea. Sei apenas que era escandinava.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;bockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF277-kjTI/AAAAAAAAAmM/jYWjIYE-06M/s1600-h/Uma+rosa+Ã©+uma+rosa,+Ã©+uma+rosa....jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220084215183609138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF277-kjTI/AAAAAAAAAmM/jYWjIYE-06M/s320/Uma+rosa+%C3%A9+uma+rosa,+%C3%A9+uma+rosa....jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Uma rosa é uma rosa, é uma rosa... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Toda mulher adoraria chegar de viagem e encontrar o maridinho a postos para recebê-la (de preferência, com a rosa entre os dentes).&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2023991385464745427?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2023991385464745427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2023991385464745427' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2023991385464745427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2023991385464745427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2023991385464745427' title='No ar, algo além dos aviões: comerciais de TV'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SHF3vJ_IrfI/AAAAAAAAAmU/FtUQc1ZB2lo/s72-c/Colecionando+lembran%C3%A7as.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-6275328583427357232</id><published>2008-06-28T17:53:00.019-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:30.437-03:00</updated><title type='text'>A moda vai às alturas</title><content type='html'>Nos Estados Unidos, no início dos anos 60, a publicidade das empresas aéreas começou a utilizar também a criatividade das agências de propaganda para se destacar no mercado. Uma das campanhas mais famosas da época foi assinada pela Braniff, uma empresa aérea média americana que se tornou “grande” graças ao trabalho da sua agência de propaganda – Wells, Rich &amp;amp; Greene, cuja presidente, Mary Wells, acabou se casando com o &lt;em&gt;Chairman&lt;/em&gt; da Braniff!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseada no Texas, a Braniff detonou uma verdadeira revolução no design das companhias de aviação, em 1965, transformando sua frota numa variada cartela de cores, externa e internamente, e contratando o estilista Emilio Gucci para desenhar os novos uniformes das suas comissárias de bordo. A ousadia caiu como uma bomba no mercado, fazendo um sucesso verdadeiramente estrondoso e sendo imediatamente copiada pela maioria das concorrentes – umas mais timidamente, outras mais atrevidas. A Southwest e a Transbrasil, por exemplo, não titubearam em adotar esquemas de cores muito próximos ao da Braniff na pintura de seus aviões e nos uniformes de suas aeromoças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbnLiOUUdI/AAAAAAAAAlM/yOiMF5MVzPs/s1600-h/Colorindo+os+cÃ©us+das+AmÃ©ricas.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217111403706733010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbnLiOUUdI/AAAAAAAAAlM/yOiMF5MVzPs/s320/Colorindo+os+c%C3%A9us+das+Am%C3%A9ricas.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Colorindo os céus das Américas.&lt;/strong&gt; Os coloridos aviões da Braniff mudaram a cara do céu – alguns pintados em tons suaves, outros em cores bem “cheguei”.&lt;/em&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Mas a Braniff não ficou só na primeira iniciativa. Continuou inovando, inclusive na propaganda, veiculando comerciais de TV usando personalidades como o artista Andy Warhol, o boxeur Sonny Liston e ninguém menos que Salvador Dali! E, a certa altura, contratou o respeitadíssimo Alexander Calder para pintar algumas de suas aeronaves, embora o plano original, que era personalizar diversos aviões, tivesse de ser cancelado devido à morte de Calder. Mesmo assim, dois deles ficaram prontos e foram bastante utilizados: o “&lt;em&gt;Flying Colors of South America&lt;/em&gt;” (um DC-8) e o “&lt;em&gt;Flying Colors of United States&lt;/em&gt;” (um B-727).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbru0y6C0I/AAAAAAAAAlc/GCxUiKu8NIA/s1600-h/Garotos-propaganda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217116408033971010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbru0y6C0I/AAAAAAAAAlc/GCxUiKu8NIA/s320/Garotos-propaganda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Garotos-propaganda.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Figuras das mais conhecidas, desde Salvador Dali até coelhinha da Playboy, foram usadas em apoio ao tema “quando chegar lá, exiba-se”. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, problemas econômicos decorrentes do crescimento excessivo e rápido em demasia, combinados com falhas administrativas, levaram a empresa à falência, deixando milhares de “órfãos” – empregados e passageiros – quando a Braniff parou de voar em maio de 1982.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve ainda diversos outros exemplos de boa propaganda, dentre os quais um outdoor da American Airlines, em que a imagem dominante era um trecho da fuselagem do avião onde se lia o nome da empresa. O título era “&lt;strong&gt;O melhor restaurante entre New York e Los Angeles.&lt;/strong&gt;”; e, através das janelinhas, viam-se pessoas se alimentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, exemplos clássicos da publicidade foram as campanhas para a Sadia (depois, Transbrasil) que, primeiro, fizeram do “patinho feio” Dart Herald um avião, digamos assim, aceitável. Depois, introduziram o conceito de wide body, usando o termo “Jatão” para definir um jato absolutamente comum, o BAC-111 – &lt;em&gt;one-eleven&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras campanhas publicitárias que se destacaram foram assinadas pela Vasp, uma delas literal e conscientemente copiada da American Airlines – um sucesso! Tanto que, na seqüência, a Vasp pretendeu estender suas rotas para o exterior – o que, então, era privilégio da Varig.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fim de preparar-se para esse novo status, a Vasp solicitou à Almap que criasse uma campanha que a conceituasse como a nova empresa aérea brasileira de nível internacional. A campanha foi criada pela dupla Zbigniew Campioni (diretor de arte) e Cláudio Correia (redator), mas foi toda desenvolvida em torno de um conceito proposto por mim: “&lt;strong&gt;Jeito brasileiro, padrão internacional&lt;/strong&gt;”. Modéstia à parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbn6OMwr3I/AAAAAAAAAlU/UhjVDen8c1E/s1600-h/Jeito+brasileiro,+padrÃ£o+internacional+(criaÃ§Ã£o+minha).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217112205785345906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbn6OMwr3I/AAAAAAAAAlU/UhjVDen8c1E/s320/Jeito+brasileiro,+padr%C3%A3o+internacional+(cria%C3%A7%C3%A3o+minha).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jeito brasileiro, padrão internacional (...e criação minha).&lt;/strong&gt; Este anúncio deu início à campanha que contribuiu para que a Vasp obtivesse suas primeiras linhas internacionais permanentes. &lt;/em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Por falar em Vasp, é dela um exemplo de propaganda das mais inteligentes e persuasivas que eu conheço: as placas colocadas ao longo da Via Dutra, ilustradas por um avião Scandia da empresa e com a frase “&lt;strong&gt;Se você tivesse ido pela Vasp, já teria chegado há X horas&lt;/strong&gt;”. Brilhante, a idéia (e olha que isso foi ainda nos anos 50)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-6275328583427357232?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/6275328583427357232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=6275328583427357232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/6275328583427357232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/6275328583427357232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#6275328583427357232' title='A moda vai às alturas'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SGbnLiOUUdI/AAAAAAAAAlM/yOiMF5MVzPs/s72-c/Colorindo+os+c%C3%A9us+das+Am%C3%A9ricas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-8849716573924350857</id><published>2008-06-21T16:15:00.012-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:30.713-03:00</updated><title type='text'>As rainhas do rádio</title><content type='html'>Calma. Não é nada disso que você está pensando: embora a Emilinha, Marlene e companhia também façam parte das minhas lembranças de infância, não é delas que eu vou falar. O assunto aqui é propaganda, que é meu métier; e a publicidade das empresas áreas, que é o tema destes comentários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu começo falando dos antológicos jingles da Varig – se você é jovem demais para lembrar de &lt;em&gt;“Seu Cabral vinha navegando...”, “Urashima Taro”&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;“Estrela matutina no céu azul...”&lt;/em&gt;, com certeza não vai deixar de reconhecer o bordão “&lt;em&gt;Varig, Varig, Varig&lt;/em&gt;”, tão famoso e presente na mente das pessoas, que foi até usado por uma companhia aérea estrangeira para localizar seu escritório em São Paulo: “Na Galeria São Luiz, ao lado da &lt;em&gt;Varig, Varig, Varig&lt;/em&gt;!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SF73iTE2DZI/AAAAAAAAAkE/t2b8pUc0KFI/s1600-h/%27%27Navegar+%C3%A9+preciso%27%27...+e+deu+no+que+deu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SF73iTE2DZI/AAAAAAAAAkE/t2b8pUc0KFI/s320/%27%27Navegar+%C3%A9+preciso%27%27...+e+deu+no+que+deu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214877587149819282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;              &lt;strong&gt;''Navegar é preciso''... e deu no que deu!&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt; “&lt;em&gt;Seu Cabral vinha navegando, quando alguém logo foi gritando: Terra à vista! Foi descoberto o Brasil, e a turma cantava: bem-vindo seu Cabral!&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra frase musical que permaneceu durante anos na cabeça de todos, foi uma adotada pela Cruzeiro do Sul que, a cada vez que anunciava a hora certa, também anunciava: “&lt;em&gt;No ar, mais um Caravelle da Cruzeiro do Sul: a bordo tudo azul&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando as ondas do rádio de lado, também dá para apontar alguns sucessos na comunicação das empresas aéreas ao redor do mundo. A partir dos anos 30, percebendo que rapidez, apenas, não era argumento bastante para superar o receio das pessoas de “levantar vôo”, elas adotaram conforto e serviços (dir-se-ia, hoje, “mordomias”) como os grandes diferenciais a serem promovidos. E, em função disso, passaram a utilizar uma estratégia que, até hoje, continua sendo brilhante e funciona, inclusive, na comunicação de outros tipos de produtos: elas “vendem” tratamento de primeira classe a fim de vender assentos na classe econômica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os primórdios da aviação as companhias aéreas cuidaram de agregar valores aos serviços que ofereciam. Já nos anos vinte, surgiram os primeiros toaletes de bordo, decorrência de vôos cada vez mais longos e sem escalas. Logo, surgiram também os comissários de bordo, inicialmente rapazes e, em seguida, moças, para servir lanches e drinques, e dar assistência aos passageiros no caso de algum mal-estar ou enjôo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1930, William A. Patterson, assistente do presidente da Boeing Air Transport (precursora da United Airlines), decidiu aprovar a contratação de oito enfermeiras. E, no dia 15 de maio desse mesmo ano, um Boeing tri-motor decolou de Chicago com Ellen Church, a primeira aeromoça do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SF706vKgnOI/AAAAAAAAAj8/kWYerwcQ8cM/s1600-h/As+oito+%27Sky+Girls%27+da+Boeing.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SF706vKgnOI/AAAAAAAAAj8/kWYerwcQ8cM/s320/As+oito+%27Sky+Girls%27+da+Boeing.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214874708471749858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;strong&gt;As oito 'Sky Girls' da Boeing&lt;/strong&gt;“&lt;/span&gt; - &lt;em&gt;As pioneiras: Ellen Church, Margaret Arnott, Jessie Carter, Ellis Crawford, Harriet Fry, Alva Johnson, Inez Keller e Cornelia Peterman&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, as aeromoças usavam uniformes que lembravam os das enfermeiras, brancos ou em cores bem claras (o fato é que todas as oito atendentes originais eram enfermeiras diplomadas). Mas logo passaram a usar trajes com conotações levemente militares. O motivo dessa “militarização” foi o desagrado dos pilotos por ter que se responsabilizar por uma "fêmea civil desamparada". (Mas, em compensação, os passageiros adoraram a novidade). Para contornar a situação, as moças eram instruídas para tratar os pilotos como Oficiais Superiores, tendo que lhes prestar continência sempre que eles embarcavam ou desembarcavam dos aviões. Tal prática permaneceu até bem depois da segunda guerra, no máximo recorrendo-se a alguma corzinha suave nos uniformes para dar um toque um pouco mais feminino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, em 1965, mudou tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-8849716573924350857?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/8849716573924350857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=8849716573924350857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/8849716573924350857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/8849716573924350857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#8849716573924350857' title='As rainhas do rádio'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SF73iTE2DZI/AAAAAAAAAkE/t2b8pUc0KFI/s72-c/%27%27Navegar+%C3%A9+preciso%27%27...+e+deu+no+que+deu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2979171991252718703</id><published>2008-06-14T17:29:00.008-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:31.121-03:00</updated><title type='text'>Tapetes Mágicos</title><content type='html'>São anteriores ao meu tempo (nasci no final da II Guerra, lembram?), mas, por tudo o que eu já li e vi em fotos, os hidroaviões foram verdadeiras “limusines aéreas”. Apesar de lentos (e um tanto barulhentos), ofereciam bastante espaço e conforto aos passageiros e, mais importante ainda, um serviço de bordo de primeiríssima categoria. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRLE8eUB1I/AAAAAAAAAi8/ssoiyRR0d2E/s1600-h/Decolagem+do+Boeing+314+%27%27Dixie+Clipper%27%27.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRLE8eUB1I/AAAAAAAAAi8/ssoiyRR0d2E/s320/Decolagem+do+Boeing+314+%27%27Dixie+Clipper%27%27.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211873217099335506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lendo a descrição do Ken Follett, a gente tem a nítida sensação de estar participando da decolagem de um Boeing 314.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro “Noite Sobre as Águas”, Ken Follett descreve uma travessia do Atlântico num Boeing 314, e nos proporciona excelente idéia das mordomias oferecidas aos passageiros dos chamados barcos voadores (&lt;em&gt;flying boats&lt;/em&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino ainda (5, 6 anos) ouvia referências aos hidroaviões da Panair do Brasil que amerrizavam na Barra do (rio) Ceará. Em 24/1/1930, a empresa – então denominada Nyrba do Brasil – havia sido autorizada a estabelecer uma linha aérea ligando o Rio de Janeiro a Fortaleza com escalas em Campos, Vitória, Caravelas, Ilhéus, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e Natal, numa viagem de um dia e meio em cada sentido da rota, com pernoite em Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Nyrba do Brasil era subsidiária da NYRBA Inc., empresa fundada em 1929 para cumprir a rota aérea entre &lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;ew &lt;strong&gt;Y&lt;/strong&gt;ork, &lt;strong&gt;R&lt;/strong&gt;io e &lt;strong&gt;B&lt;/strong&gt;uenos &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ires – &lt;em&gt;“12 dias, 12.000 milhas, $ 865, tudo incluído”&lt;/em&gt;, como anunciava um folheto da empresa (cujo nome, NYRBA, reunia as iniciais das três cidades; depois é que virou Pan American). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1936, um folheto da Pan American Airways promovia seus Clippers informando: &lt;em&gt;“Os passageiros podem andar livremente pelo corredor de 50 pés, passeando de cabine em cabine, ou dirigindo-se ao compartimento de fumar e estar. Construídos para rotas transoceânicas, esses enormes e rápidos barcos voadores, pesando 19 toneladas, são gigantes dos ares: seus quatro motores são mais poderosos do que uma locomotiva e suas dimensões são superiores às dos navios nos quais Colombo fez a travessia do Atlântico pela primeira vez. Cada um leva seis tripulantes: o Capitão e três oficiais de vôo; um comissário de bordo e um atendente de cabine, treinados para antecipar cada uma das suas necessidades e desejos. E mais um atendente especializado em servir de guia para você, tanto no ar como nas escalas em terra”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito recentemente, fiquei sabendo que o primeiro “gigante dos ares”, o alemão Dornier Do-X, na sua primeira e única visita ao Brasil, em 1931, chegou ao país “via Camocim”, no litoral do Ceará. Alemão fabricado na Suíça, em 1929, o Do-X media impressionantes 40,5 metros, tinha nada menos do que doze motores em &lt;em&gt;tandem&lt;/em&gt; (dois a dois, de costas um para o outro) e três conveses, sendo o inferior para combustível, depósitos e bagagens; o superior para a cabine de comando, escritórios de navegação, rádio controle e engenheiros de bordo, além dos alojamentos do capitão e dos 14 membros da tripulação; e o intermediário para os 66 passageiros, a quem eram oferecidas mordomias como 32 cabines duplas e duas individuais, além de tapetes persas e mesas para refeições guarnecidas com porcelana, cristais e pratarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRMdic_wAI/AAAAAAAAAjE/Y9wlz2Jc0CQ/s1600-h/O+v%C3%B4o+do+gigante.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRMdic_wAI/AAAAAAAAAjE/Y9wlz2Jc0CQ/s320/O+v%C3%B4o+do+gigante.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211874739122847746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Apesar de seus doze motores, o Do-X não conseguia elevar-se acima dos 3.200 metros, nem voar a mais de 210 km/hora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, foram produzidos apenas três protótipos, dois dos quais vendidos à força aérea italiana, que os batizou de Umberto Maddalena e Alessandro Guidoni e pretendia usá-los em vôos de demonstração e prestígio; mas acabaram como transportes de tropas e logo foram desativados (1934). Os Do-X eram grandes consumidores de combustível, muito lentos e voavam à baixa altitude de apenas 3.200 metros (há até quem fale em ridículos 500 metros!), por isso nenhuma companhia aérea se interessou por eles (a Lufthansa chegou a adquirir um deles, mas o fracasso do vôo inaugural a fez desistir). Resultado: nunca voaram em uma rota comercial e o único sobrevivente virou peça de museu, na Alemanha; mas foi destruído durante um bombardeio, na II Grande Guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros fabricantes, como as americanas Sikorksky, Martin e Boeing e a inglesa Short, também produziram grandes hidroaviões, não tão grandes, porém muito mais bem sucedidos que o Do-X. Nessa época em que, assim como os navios, os aviões eram batizados com nomes próprios, viajava-se com conforto e serviço de bordo de 1ª classe. &lt;em&gt;Na verdade, o costume de dar nomes aos aviões permanece até os dias de hoje em algumas companhias (mas o conforto e o serviço a bordo... quanta diferença!)&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a interrupção provocada pela guerra, os hidroaviões praticamente desaparecerem. Como saldo, sobrou o famoso ‘Catalina’, que, aqui no Brasil, ainda prestou muitos anos de serviços na região amazônica, voando “nas asas da Panair”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a guerra fez surgir novas aeronaves, como o C-47 (ou DC-3, apelidado de “jipe aéreo”), o DC-4 e o Constellation, quadrimotores que viriam a ser grandes astros na década de 50. O primeiro contribuiu enormemente para a disseminação das viagens aéreas. Os outros dois, ofereciam mais segurança e conforto em suas travessias. Ambos (DC-4 e Constellation) tiveram versões modernizadas, maiores, mais potentes, mais rápidas, e só foram superados com o surgimento dos turbo-hélices (Viscounts, Britannias e Electras) e dos jatos (Comet, Boeing 707 e DC-8). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRN05hgBbI/AAAAAAAAAjM/g92dBBrRWfw/s1600-h/Lockheed+Constellation.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRN05hgBbI/AAAAAAAAAjM/g92dBBrRWfw/s320/Lockheed+Constellation.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211876239964374450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sem dúvida, o Constellation foi o avião mais bonito a cruzar os céus do planeta. Mantém uma legião de fãs (inclusive eu).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de toda a evolução e modernização, porém, as empresas aéreas não deixaram de preocupar-se com a qualidade de seus serviços de bordo – algumas mais, outras menos. Por exemplo, em fins dos anos 50 e meados dos anos 60, os vôos da Real (depois, da Varig) entre Rio-São Paulo e New York incluíam uma parada em Santo Domingo, República Dominicana, para almoço em um hotel de luxo. Mas, em 1972, num trecho entre Nice e Lisboa, voei pela Pan Am, ainda naquela época, paradigma das empresas aéreas americanas. O almoço servido (quente) foi um desenxabido cozido de músculo, provocando no passageiro à minha frente o seguinte comentário com seu vizinho de assento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“– Esta porcaria nem se compara com o serviço de bordo de uma pequena empresa aérea sul-americana, chamada Varig”. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estourei de orgulho: tive vontade de interferir na conversa e tecer loas ao magnífico serviço de bordo que eu havia desfrutado recentemente, no vôo entre o Rio e Londres, pela dita Varig. Mas me contive.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que, já naquela época, começava-se a perceber uma queda na qualidade do atendimento da maioria das empresas aéreas. Em quase todos os vôos que fiz então dentro da Europa, por exemplo, o serviço de bordo foi, no máximo, sofrível. E, no vôo de Londres a Paris pela British European Airways (BEA), a aeromoça até “esqueceu” de trazer um copo com água que eu pedi para que minha mãe tomasse seu remédio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, aqui no Brasil, a Varig e, depois, a Transbrasil mantinham um serviço de bordo bastante razoável. Por exemplo, no trecho entre Natal e Fortaleza, de pouco mais de 40 minutos, a Varig servia coquilles St. Jacques, acompanhadas de chopp gelado de verdade. Enquanto que a Transbrasil tinha um cardápio, variado e com opcionais, que às quartas e sábados incluía uma autêntica feijoada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, porém, durou pouco. À medida em que o número de passageiros foi aumentando, e o tempo de vôo e o preço das passagens diminuindo, caiu a qualidade dos serviços de bordo a ponto de, hoje em dia, resumir-se às pouco apreciadas e emblemáticas “barras de cereais”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo antes disso, porém, a própria Transbrasil que, num determinado momento, fora sinônimo de excelência em serviço de bordo, deixou de, em alguns vôos, oferecer qualquer tipo de serviço, pretextando razões tão fúteis e inaceitáveis quanto turbulência (inexistente) ou falta de tempo (num trecho de uma hora de vôo!). Isso aconteceu comigo, primeiro, indo de Belo Horizonte a São Paulo em pleno horário do jantar. Depois, indo de Aracaju para Fortaleza, via Recife, quando não foi servida sequer uma barra de cereais! Certamente não por coincidência, ambos os vôos realizados em aviões da Transbrasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2979171991252718703?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2979171991252718703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2979171991252718703' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2979171991252718703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2979171991252718703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2979171991252718703' title='Tapetes Mágicos'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SFRLE8eUB1I/AAAAAAAAAi8/ssoiyRR0d2E/s72-c/Decolagem+do+Boeing+314+%27%27Dixie+Clipper%27%27.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-1188693429908159435</id><published>2008-06-07T21:06:00.008-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:31.355-03:00</updated><title type='text'>Uma ponte não muito longe</title><content type='html'>Na minha família, detenho o curioso status de ser o único representante da faixa etária entre os meus irmãos (sendo 10 anos mais novo do que a mais nova acima de mim) e os meus sobrinhos (a mais velha dos quais é 10 anos mais nova do que eu). Durante certo tempo, na fase em que a sobrinhada saía da adolescência e entrava na idade adulta, isso motivou um relacionamento bastante agradável, em que servi, simultaneamente, de ponte e amortecedor entre as duas gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui eu, por exemplo, quem presenteou uma sobrinha com seu primeiro biquíni, convencendo minha irmã para deixá-la usar. Acobertei paqueras e namoros de quase todos, e dei o primeiro carro a alguns deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SExu7kFZfXI/AAAAAAAAAhU/1gTvbr8y6W0/s1600-h/fernando+portela+na+praia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SExu7kFZfXI/AAAAAAAAAhU/1gTvbr8y6W0/s320/fernando+portela+na+praia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209660838538476914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Encontro no Cumbuco &lt;/span&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Minhas estadas anuais em Fortaleza eram verdadeiras reuniões de família... sempre em volta de uma mesa “abastecida”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os anos havia duas grandes ocasiões de convívio familiar: em dezembro, nas festas, quando eu vinha de São Paulo e agitava o Natal e o Ano Novo da família inteira; e nas férias de julho, quando os sobrinhos trocavam o calor cearense pelo frio paulistano. Às vezes, iam três ou quatro e, uma vez, foram nada menos do que dez! Tive até de comprar um segundo carro, para que todos pudessem se deslocar ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que marcou mesmo essa temporada foram dois acontecimentos, digamos assim, gastronômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º) Havia sido recém inaugurado, na avenida Faria Lima (em frente ao Iguatemi), o primeiro restaurante-buffet de São Paulo, onde se pagava por cabeça e comia-se à vontade. Como eu trabalhava lá perto, um dia levei um grupo de sobrinhos para almoçar no Aridino (era esse o nome). Na hora de pagar a conta, o proprietário recebeu o cheque, olhou para mim e disse: &lt;em&gt;“Senhor Fernando, terei prazer em vê-lo de volta ao meu restaurante. Mas, pelo amor de Deus, não traga mais essa moçada, não, pois assim o senhor me leva à falência”&lt;/em&gt;.  Claro que, do tamanho que foi o apetite da rapaziada, o moço tinha razões de sobra para temer o desastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2º) Na véspera deles virem embora, levei as “crianças” para um jantar de despedida, numa cantina rodízio em Santo Amaro chamada, se eu não me engano, “Roda Viva”. Encantados com o sistema de rodízio, a turma resolveu testá-lo, apostando para ver quem comia mais pedaços de pizza. Foi um escândalo. Eu, gordo do jeito que era, não agüentei mais do que 4 pedaços. O “vencedor”? Esse comeu nada menos do que 18 pedaços. O “vice”, comeu 17; e a “medalha de bronze” (uma mulher!) 14 pedaços. Felizmente, os caras da cantina entraram no clima e curtiram a comilança numa boa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra ocasião, um outro grupo de sobrinhos foi protagonista de uma historinha, no mínimo, bisonha. Eu morava numa chácara fora de São Paulo e emprestava meu carro para a garotada dar suas voltinhas. Um sábado, eles me disseram que estavam a fim de conhecer o Jardim Botânico. Expliquei-lhes o modo mais fácil de chegar lá: “Vocês vão pela Marginal do Tietê e, chegando na ponte da Casa Verde, fazem o retorno, atravessam o rio e depois pegam a avenida e seguem as placas indicativas”. &lt;br /&gt;Um dos sobrinhos, que já havia morado na cidade, falou: “Pode deixar, tio, que eu conheço São Paulo. Não vai ter erro”. E lá se foram eles, logo de manhã cedo. Deu meio-dia, e eles não apareceram para almoçar. Duas, três, quatro horas da tarde, e nada de chegar alguém. Até que, já quase cinco horas, eles chegam cansados, famintos e decepcionados: “Tio, o senhor ensinou errado. Andamos a Marginal inteira, pra cima e pra baixo, e não vimos nenhuma casa verde perto de nenhuma ponte.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota: Casa Verde é o nome de um bairro paulistano, ao qual se tem acesso por uma ponte que atravessa o rio Tietê, conhecida como ‘ponte da Casa Verde’. Sem maiores comentários.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SE3UOkUWZVI/AAAAAAAAAhk/sVxhpiZiHCo/s1600-h/Casa+Verde,+o+bairro.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SE3UOkUWZVI/AAAAAAAAAhk/sVxhpiZiHCo/s320/Casa+Verde,+o+bairro.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210053690669819218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Casa Verde, o bairro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(clique sobre o mapa para ampliá-lo)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Verde que te quero verde. Verde vento. Verdes ramas (...) Mas quem virá? E por onde...?” (Federico Garcia Lorca)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro “causo” digno de nota aconteceu quando duas jovens sobrinhas foram, pela primeira, vez a São Paulo em pleno mês de julho, bastante frio. Num sábado pela manhã, levei-as a uma galeria de lojas no centro da cidade (naquela época, ainda freqüentável), próximo à avenida São João. Lá pelas tantas começou a cair uma garoa fininha, que logo engrossou e em seguida transformou-se em chuva de granizo. Como eu sabia que elas nunca tinham visto o fenômeno, chamei a atenção delas para o que estava acontecendo: “Olha lá, meninas, tá chovendo gelo”. Ao que a mais nova retrucou: “Que nada, tio! Isto são os rapazes jogando pedras de gelo lá do alto dos prédios.” A ironia é que, hoje, ela mora na gelada Suíça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem mais um. O Shopping Ibirapuera foi inaugurado com disposição para encarar o desafio de concorrer com o bem sucedido Iguatemi, o primeiro shopping da cidade (em todos os sentidos). Grande, repleto das mais variadas lojas, com amplo estacionamento coberto (então, grande ponto fraco do rival) e, além de elevadores e escadas rolantes, a novidade das novidades: portas automáticas, que se abriam à simples aproximação das pessoas – hoje banais mas, naquele tempo, um assombro. Claro que, também por isso, o Ibirapuera literalmente entrou no roteiro turístico de quem chegava a São Paulo. Meus sobrinhos, inclusive. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente num sábado, lá fui eu, mostrar o novo e imponente templo de consumo a uma tropa de sobrinhos. Subi a rampa com o carro (primeiros Ohs!) e estacionei num dos andares de garagem. Pegamos o elevador e descemos para o nível das lojas. Quando nos aproximamos da porta de vidro e esta se abriu sozinha, o espanto foi grande, imenso! Uma das sobrinhas não se conteve e ficou pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, curtindo o abre e fecha “milagroso” da porta. &lt;br /&gt;Cautelosamente, eu me afastei e fingi que não era comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos meus últimos ‘hóspedes’, filho caçula de uma das minhas irmãs, à falta de primos disponíveis, foi ao Rio com dois amigos assistir ao G.P. Brasil de Formula 1, esticando depois até São Paulo. Um dos rapazes tinha uma tia que morava em Copacabana e que não só os alojou como lhes emprestou o carro para um “rolé”. E lá se foram eles. A certa altura, resolveram fazer uma boquinha e, para isso, estacionaram próximo a uma lanchonete. Logo surgiu um guardador de carros (também conhecido como ‘flanelinha’) e se ofereceu para vigiar o veículo: &lt;em&gt;“Depois o senhor paga um chopinho, né doutor?”&lt;/em&gt; Na hora de irem embora, o que estava ao volante pediu um chopp e lá se foi com ele na mão, levá-lo para o flanelinha. Por conta disso, ganhou o justo apelido de “Pé da Letra”. Até hoje é conhecido assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, esse não foi o único “feito” do Pé da Letra nessa viagem. Quando foram para São Paulo, fui buscá-los na Rodoviária (a antiga, próxima à Estação da Luz). No caminho para casa, ao passarmos sob o primeiro viaduto, o Pé da Letra perguntou: “Esse é que é o Viaduto do Chá?”, ao que eu respondi: “Não; é o do Café”. A pergunta se repetiu ao longo de todo o trajeto e, a cada vez, eu respondia com o nome de uma bebida diferente: Leite, Guaraná, Coca-Cola, Limonada, e por aí foi. Demorou até o rapaz se tocar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso aconteceu já fazem vinte, trinta anos! Boa parte da moçada casou-se, teve filhos; alguns viraram sogros e, não demora, serão avós. Cada um tem sua própria vida para cuidar e não há mais tempo para a convivência, o entrosamento, as aventuras e descobertas em comum. Só o que não mudou são as recordações guardadas na memória, num baú cheio de histórias – umas divertidas, outras nem tanto, mas todas preciosas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A mim – que não casei, não tive filhos, muito menos serei avô – resta o prazer de cavoucar o passado, como quem garimpa um sótão, e repartir meus achados com quem quiser saber deles. &lt;br /&gt;Se alguém gostar, ótimo! Se não, melhor mudar de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-1188693429908159435?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/1188693429908159435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=1188693429908159435' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1188693429908159435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1188693429908159435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#1188693429908159435' title='Uma ponte não muito longe'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SExu7kFZfXI/AAAAAAAAAhU/1gTvbr8y6W0/s72-c/fernando+portela+na+praia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-1887350511138138708</id><published>2008-05-30T17:28:00.002-03:00</published><updated>2008-05-31T12:14:57.506-03:00</updated><title type='text'>Classe é classe.</title><content type='html'>Houve época em que, dependendo da empresa aérea e do trecho voado, era bom negócio marcar os vôos para os horários de refeições; assim, ganhava-se tempo e economizava-se dinheiro. Hoje em dia, isso não mais é aconselhável. “Comida de avião” conquistou categoria própria no item alimentação ruim e virou sinônimo de comida requentada e sem gosto, combinações confusas e desbalanceadas, e quantidades ínfimas.&lt;br /&gt;Não é raro que, a pretexto da possibilidade de turbulência, as empresas aéreas simplesmente deixem de servir qualquer coisa, a não ser água, café intragável e sucos artificiais. Drinques, então, nem pensar! Mas há exceções, quando há motivos. Além de algum (infeliz) acidente aéreo, que melhora instantaneamente o serviço de bordo da empresa envolvida, há outras razões para tanto. &lt;br /&gt;Exemplo: indo de São Paulo para Aruba, aconteceu de sentar-me, ao contrário do que costumo fazer, na última fileira de poltronas do Airbus, junto à &lt;em&gt;galley&lt;/em&gt; (nome que se dá às cozinhas dos aviões), separado dela apenas por uma cortina. Enquanto preparavam os carrinhos de serviço, os comissários, desmunhecadamente, falavam sobre os “bofes” lindos que estavam a bordo. Ao abrirem a cortina, e perceberem que eu escutara tudo, trataram de me “comprar” com doses e mais doses de uísque. Cheguei a Aruba quase bêbado. &lt;br /&gt;Tudo isso diz respeito, somente, à classe econômica. Primeira Classe é outra história, da qual só conheço um pedacinho bem pequeno, suficiente apenas para tomar gosto e formar opinião. Em meados da década de oitenta, morando em São Paulo, tinha um acerto com uma agência de Fortaleza, para a qual vinha trabalhar dez, quinze dias por mês, todos os meses. Como eram eles que pagavam as passagens, eu não tinha dúvidas: cobria a diferença do próprio bolso, e voava de 1ª Classe. &lt;br /&gt;As vantagens resumiam-se às poltronas, mais largas, e algumas regalias no embarque e desembarque. O serviço de bordo, propriamente dito, pouco se diferenciava, a não ser pelas louças e talheres de porcelana e metal, e pelos copos e taças de vidro. Na Varig, por exemplo – e ao contrário da TransBrasil – nem Scotch era servido, apenas uísque nacionalizado de qualidade um pouco melhor. Por maiores que sejam os benefícios da 1ª Classe (o destino da viagem é igual para todos), não compensam a grande diferença de preço cobrada. Mas, isto é apenas o consolo da razão. Pois o que vale mesmo é o status: é uma delícia você viajar na primeira classe enquanto os outros estão “lá atrás” (principalmente se houver conhecidos seus entre eles). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, uma constatação (sob veemente protesto). Quem vai fazer uma excursão desacompanhado geralmente é “punido” com um acréscimo que chega a mais de 50% do preço do pacote. Antes não era assim. A menos que se fizesse questão de ficar só, as agências de viagem procuravam aproximar os “avulsos”, para formarem duplas e rachar os custos da hospedagem. Mas, parece que devido a alguns incidentes nesse tipo de parceria, hoje quem quiser gastar menos que trate de arranjar alguém para dividir as despesas. Se não conseguir, paga mais caro. Normalmente é o que acontece comigo. E, apesar de estar longe de ser candidato ao troféu Greta Garbo (&lt;em&gt;I want to be alone&lt;/em&gt;), já me aconteceu até de fazer uma “excursão do eu sozinho”. &lt;br /&gt;Foi assim. Precisava usar umas férias vencidas, e resolvi dar um giro pelo Nordeste. Vi no jornal um anúncio oferecendo Salvador, Maceió, Recife e Fortaleza numa mesma excursão de 19 dias, a preço razoável. Era a fome juntando-se à vontade de comer. Então, fiz o seguinte: como já havia morado na Bahia, tinha amigos lá, e dispunha de um mês livre, segui uma semana antes para Salvador, hospedei-me na casa de um colega e, no dia marcado, apresentei-me no Hotel da Bahia a fim de me juntar ao grupo da excursão. Quando fiz o check-in, por volta do meio dia, perguntei e me disseram que o pessoal ainda não havia chegado. Muito bem. Subi, instalei-me, desci para almoçar e voltei a perguntar na recepção. Sim, o vôo já tinha chegado, só que não tinha vindo mais ninguém para fazer a tal excursão, ou seja, a excursão era eu-próprio! Daí em diante, e durante quase três semanas, tornei-me um “anexo” de outras excursões, a fim de cumprir o roteiro anunciado e pelo qual havia pago: &lt;em&gt;city-tour&lt;/em&gt; por Salvador e passeio de escuna na baía; ida à Praia do Francês e almoço num &lt;em&gt;resort&lt;/em&gt; ao norte de Maceió; em Recife, &lt;em&gt;city-tour&lt;/em&gt; (com Olinda), visita aos sítios históricos de Guararapes e um dia em João Pessoa. &lt;br /&gt;Na Ilha de Itamaracá, a caminho de João Pessoa, visitamos um forte holandês e passamos por uma penitenciária dita modelo, onde adquiri uma peça de artesanato “para ajudar a recuperação dos detentos”. Depois, descobri que havia pago pela tal peça o dobro do que custava nas feirinhas do Recife!&lt;br /&gt;Finalmente, chegando em Fortaleza, me desliguei da “excursão” para juntar-me à minha família. E aí já é outra estória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-1887350511138138708?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/1887350511138138708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=1887350511138138708' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1887350511138138708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1887350511138138708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#1887350511138138708' title='Classe é classe.'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2652926643219498082</id><published>2008-05-25T10:17:00.014-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:32.120-03:00</updated><title type='text'>Mais lembranças, novos lembretes</title><content type='html'>a. As pontes que dão acesso à Ilha de Manhattan cobram pedágio de entrada (todas) e de saída (pelo menos, algumas); e você, passageiro do taxi, é quem paga &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cash&lt;/span&gt;. Não se esqueça desse detalhe quando for planejar seus deslocamentos por New York e cercanias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDl8f4h-OcI/AAAAAAAAAeo/uwoqlcVkc9s/s1600-h/Pontes+sobre+o+East+River,+em+New+York.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDl8f4h-OcI/AAAAAAAAAeo/uwoqlcVkc9s/s320/Pontes+sobre+o+East+River,+em+New+York.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204327731595983298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pontes sobre o East River, em New York&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Duas das muitas pontes que ligam a ilha de Manhattan ao continente. Em primeiro plano a Ponte do Brooklin, a mais famosa de todas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b. Em New York, além de todas as cozinhas do mundo, também dá para provar a cozinha legitimamente americana, sem ketchup, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;fried chicken &lt;/span&gt;ou excesso de gordura, em restaurantes simples, honestos e simpáticos que a gente acha, por exemplo, em plena 7ª Avenida, perto da Broadway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c. Em Miami, após se empanturrar de hambúrguer e macarronada, procure um restaurante cubano e mate a saudade do Brasil: lá você encontra arroz, feijão e, até, café-com-leite e pão-com-manteiga na chapa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d. Em Buenos Aires é obrigatório jantar numa cantina em La Boca, comer um “bife de chorizo” na Avenida Costanera (à beira do Rio de La Plata) e “papas fritas”, as batatas fritas características da Argentina, em qualquer restaurante. Prove também o gostoso “blanco de pavita”, que nada mais é do que sanduíche de peito de peru. Mas não deixe de ir a locais mais refinados – como o Clark’s e o Swissair (se ainda existirem), ou algum outro de igual perfil – para degustar o melhor da cozinha francesa e internacional. O certo é fazer reserva antecipada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e. Em Roma, depois de visitar o fascinante Panteão (hoje uma igreja) construído pelos romanos, com certeza vale a pena investir num almoço ao ar livre em plena Piazza Navona, junto ao Palazzo Pamphili (Embaixada do Brasil), em frente a uma maravilhosa fonte de Bernini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDl4oYh-ObI/AAAAAAAAAeg/fHPSp4hnMN4/s1600-h/Fonte+de+prazer+est%C3%A9tico+e+gastron%C3%B4mico.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDl4oYh-ObI/AAAAAAAAAeg/fHPSp4hnMN4/s320/Fonte+de+prazer+est%C3%A9tico+e+gastron%C3%B4mico.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204323479578360242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fonte de prazer estético e gastronômico&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Embelezada por três magníficas fontes, a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Piazza Navona&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;também tem restaurantes ao ar livre onde se come muito bem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f. Dica certeira: em qualquer lugar, restaurante cheio (principalmente de “nativos”) significa comida de qualidade superior ou preços abaixo da média; às vezes, as duas coisas juntas. Aproveite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;g. Outra dica gastronômico-financeira: em toda parte, os melhores lugares para se comer bem, com muita fartura e a bons preços, são os restaurantes italianos (exceto – no tocante aos itens fartura e preços – no Ceará e, por incrível que pareça, na própria Itália).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;h. Se chegar em Colônia de trem, preste atenção: a sensação que se tem é que a composição vai bater de frente (melhor dizendo, atrás) na famosa e belíssima catedral gótica da cidade; mas, no último momento, o trem vira à direita e entra na estação ferroviária que fica logo ao lado da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i. Não deixe de ver a peça mais impressionante do Museu de Colônia: uma enorme foto aérea da cidade, inteiramente devastada pelos bombardeios da Segunda Guerra, só com a catedral de pé. Custa acreditar que os alemães reconstruíram a cidade inteira e detalhadamente, a ponto de não dar para perceber, hoje, o que é original e o que é reconstrução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDlx1Yh-OSI/AAAAAAAAAdY/vVz0vDt8Q7Y/s1600-h/Catedral+de+Col%C3%B4nia,+depois+do+vendaval+de+bombas2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDlx1Yh-OSI/AAAAAAAAAdY/vVz0vDt8Q7Y/s320/Catedral+de+Col%C3%B4nia,+depois+do+vendaval+de+bombas2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204316006335265058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Colônia, depois do vendaval de bombas&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pelos detalhes, tem-se uma idéia dos estragos causados pelas bombas aliadas nas cidades alemãs. A foto inteira é ainda mais incrível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDlvi4h-ORI/AAAAAAAAAdQ/Ckpzo9KdfJE/s1600-h/Col%C3%B4nia,+depois+do+vendaval+de+bombas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDlvi4h-ORI/AAAAAAAAAdQ/Ckpzo9KdfJE/s320/Col%C3%B4nia,+depois+do+vendaval+de+bombas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204313489484429586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;j. Domingo, em Paris, vá dar um passeio pela enorme feira-livre próxima à estação La Bastille do Metro onde, além de encontrar os mais diferentes produtos de todas as origens e espécies, poderá interagir com os legítimos parisienses e sentir-se (quase) um deles. É empolgante e culturalmente enriquecedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;k. Bom. Paris é como Roma: aonde você for, vai encontrar a História e ter surpresas agradáveis. Portanto, nas duas cidades, reserve pelo menos um dia (e um par de sapatos bem confortáveis) e saia caminhando à toa pelas ruas. Com certeza, não vai se arrepender; e, provavelmente, vai descobrir alguma coisa encantadora e inteiramente sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;l. Já em New York, afora o circuito elegante (5th. Ave., Madison Ave. Broadway, Central Park – enorme! – e adjacências), o melhor jeito de se locomover é de taxi, abundante e em conta; ônibus, também serve, mas de metrô, depende do horário e da linha (indague). Alugar carro é furada; em Manhattan estacionamento é loteria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;m. Praticamente tudo que existe lá fora, inclusive lançamentos, também está à venda no Brasil. Sem que você tenha de sobrecarregar o peso ou avolumar a bagagem, sem carregar trambolhos pra cima e pra baixo, gastando em reais e podendo até parcelar (tanto a aquisição quanto o pagamento). Portanto, a menos que seu orçamento seja generoso e você faça questão de alardear que “trouxe tal coisa de tal lugar”, use sua moeda forte para passear, comer bem, divertir-se à vontade, enfim, fazer o que só pode ser feito lá mesmo, nos lugares onde você for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2652926643219498082?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2652926643219498082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2652926643219498082' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2652926643219498082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2652926643219498082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2652926643219498082' title='Mais lembranças, novos lembretes'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDl8f4h-OcI/AAAAAAAAAeo/uwoqlcVkc9s/s72-c/Pontes+sobre+o+East+River,+em+New+York.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-3885695325170337681</id><published>2008-05-21T19:24:00.001-03:00</published><updated>2008-05-21T19:25:44.219-03:00</updated><title type='text'>Afinal, pra que é que serve afinal?</title><content type='html'>Se ainda estiver certo o que eu aprendi na escola, “afinal” é uma locução adverbial usada para concluir uma argumentação ou linha de raciocínio. Mas, hoje em dia, para a maioria dos redatores de propaganda “afinal” é só uma palavrinha que se usa para arrematar o aglomerado de frases, mais ou menos desconexas, que recebe o pomposo nome de texto publicitário. &lt;br /&gt;Basta a gente se dar ao trabalho de ler os anúncios publicados em revistas e jornais para encontrar “afinal” gratuitamente intrometido na maioria dos textos. E, o que é pior, a tal palavrinha também se infiltrou nos exíguos 30” de locução dos comerciais de TV. Tenho mesmo a impressão de que a gente ouve, pelo menos, um “afinal” (se não, mais) a cada intervalo da programação. &lt;br /&gt;Claro – e graças a Deus – que existem as exceções. Poucas, mas boas. E sempre que me deparo com alguma delas, sinto ainda mais saudade dos “bons tempos”. &lt;br /&gt;Tive o privilégio de conhecer e conviver profissionalmente com gente como Roberto Duailibi, Neil Ferreira, Rui Agnelli, Laerth Pedrosa, Boris Fetchir, Ênio Basílio Rodrigues, Plínio Telles, e tantos outros. Também sou contemporâneo de outros grandes nomes da redação publicitária deste país: Sérgio “Arapuã” Andrade, Carlos Wagner Morais, José Fontoura da Costa, Washington Olivetto, Sérgio Toni – a lista é bem mais extensa. Cada um deles, autor de textos memoráveis, convincentes, argumentativos e, posso assegurar, sem o hoje indefectível “afinal” no final. &lt;br /&gt;Parece-me que, em nome da “criatividade”, os profissionais de propaganda estão esquecendo que a principal função de uma peça publicitária é vender – pois um anúncio, um comercial, um folheto, não faz nada além de representar o vendedor “ao vivo”. E, para vender, primeiro é preciso seduzir. Pois eu duvido muito que, lendo em voz alta os balbucios e incoerências escritas na maioria dos textos, algum vendedor consiga vender seja lá o que for para quem quer que seja. &lt;br /&gt;Constato, com tristeza e preocupação, que o tatibitate e ausência de fluidez da maior parte dos textos publicitários é conseqüência direta da absoluta falta de leitura dos jovens redatores. Se você perguntar, a qualquer um deles, qual o último lançamento do cantor ou conjunto mais avançado e moderninho, levantar assuntos relacionados com cinema experimental e clips na MTV, eles se mostrarão super antenados; e farão você sentir-se por fora dos acontecimentos. Mas se você aprofundar o papo, abordar o assunto Literatura (ou um tema qualquer do conhecimento enciclopédico), buscar e questionar sobre as origens dos comos e dos porquês de certas manifestações culturais, vai se deparar com uma barreira de desconhecimento, para não dizer total ignorância. &lt;br /&gt;Não faz muito tempo, por exemplo, fiquei sabendo pelo professor de um respeitado curso de comunicação que seus alunos não faziam a menor idéia de quem foi Tom Jobim. Imagine o resto! O fato é que, via de regra, sequer sabem o quê buscar ou como achar algo na Internet. &lt;br /&gt;Mas, para eles, isso não tem importância. &lt;br /&gt;Afinal, se encontram emprego, ganham dinheiro e desfrutam a fama, apesar dessas lacunas de conhecimento, para que vão se preocupar com o conteúdo de seus textos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-3885695325170337681?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/3885695325170337681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=3885695325170337681' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/3885695325170337681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/3885695325170337681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#3885695325170337681' title='Afinal, pra que é que serve afinal?'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2727257046934830252</id><published>2008-05-18T13:58:00.008-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:32.420-03:00</updated><title type='text'>Lembranças &amp; lembretes</title><content type='html'>Estas anotações nem de longe têm a pretensão de servir como guia de viagem para alguém. Querem ser, apenas, um relato bem humorado de alguns acidentes de percurso nos quais me envolvi. No máximo, podem fornecer dicas e macetes úteis para os menos experientes ou para os mais desligados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1.&lt;/span&gt; Conhecer uma cidade tem muito a ver com a localização e o tipo de hotel onde se fica. Em hotéis de luxo e/ou bem localizados, sempre se tem à mão todas as mordomias e serviços disponíveis – como roteiros e excursões, reservas de mesas e ingressos etc.; em hotéis mais simples e locais menos badalados, as ofertas e possibilidades são mais limitadas. Convém não esquecer, porém, que hotel é apenas um “pouso”: local para dormir, tomar banho e trocar de roupa. É mais compensador gastar em passeios e refeições do que com hospedagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2.&lt;/span&gt; Outra coisa. Assim como é desagradável você, viajando com boas malas e um bom guarda-roupa, hospedar-se em um hotel de categoria inferior, o vice-versa também é desconfortável: imagine-se hospedado num hotel de alto luxo, sem trajes e, principalmente, sem bolso que lhe permita usufruir despreocupadamente de todas as mordomias e ambientes. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;/span&gt; Pegar ônibus urbanos, sem destino certo, costuma ser um excelente modo de se conhecer segura e razoavelmente bem uma cidade. Primeiro, porque eles andam devagar e parando amiúde (dá até para ler os nomes nas placas de ruas); depois, porque você entra em contato direto com a população do local; e, ainda, porque raramente há o risco de se perder: o ônibus que vai, volta, quase sempre, pelo mesmo caminho ou passa próximo de onde você o apanhou. Cuidado, porém, para não repetir o erro que eu cometi em Miami; não reparei que havia um “S” a mais no número da linha e, na volta, peguei um ônibus cujo trajeto era inteiramente diferente da ida. Foi um sufoco! Fora isso, apenas fique atento para avisos como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vietato fumare&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vietato altercare&lt;/span&gt; (existentes, juro, nos ônibus de Roma). Pois, “em Roma, como os romanos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDBnAffXX5I/AAAAAAAAAdA/MWQr_3cUqME/s1600-h/%C3%94nibus+napolitano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDBnAffXX5I/AAAAAAAAAdA/MWQr_3cUqME/s320/%C3%94nibus+napolitano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201770827763638162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ônibus napolitano&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foi num ônibus como este que aconteceu o impagável incidente que eu chamo de “o confronto das zias”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Numa rápida passagem por Nápoles, sem tempo sequer para fazer um city-tour, tomei o meu próprio remédio: peguei um ônibus e fui passear. Estranhei que, naquele horário, 10 horas da manhã, o ponto final na Praça da Estação estivesse vazio. Estava assim porque, lá, umas guias de cano obrigavam as pessoas a formar fila; mas, na primeira parada, uns 80 metros depois, e sem fila, houve uma verdadeira invasão! Eu estava sentado bem na frente, logo atrás do motorista, e apreciei tudo de camarote. Mais adiante, uma matrona gorda e cheia de sacolas fez sinal para descer e o ônibus parou. Ela tentou passar entre outras duas, mas não conseguiu, porque estas não arredaram pé. Forçou a passagem e, aí, aconteceu o impasse: ela entalou entre as “rivais” e as três começaram a discutir. Os ânimos ficaram tão exaltados que o motorista levantou-se e foi pessoalmente separar as querelantes, no que contou com os palpites, entusiasmados, dos demais passageiros. Só não dei boas gargalhadas na hora porque, do jeito que as zias estavam bravas, corria o sério risco de levar um belo pescoção!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;4.&lt;/span&gt; Por mais limitado que seja o seu orçamento, reserve algum dinheiro para provar, pelo menos, a “especialidade da casa”. Em Roma, por exemplo, a Saltimbocca; em Marselha, a Bouillabasse; e por aí vai. (A propósito de especialidades: antes de ir à França, sugiro ler primeiro “Asterix, o Gaulês, em Uma Volta Pela Gália”; além de instrutivo, o livro é extremamente divertido, um ótimo passatempo para as horas mortas do dia). Ou, então, almoce em lugares como o restaurante giratório da Torre dos Correios, em Londres, o Terraço Itália, em São Paulo e o alto da Torre Eiffel (sabe onde?), em que o espetáculo visual compensa não só o custo como, até, eventuais falhas da cozinha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDBmAvfXX4I/AAAAAAAAAc4/XUB_GThyJUA/s1600-h/Saltimbocca+alla+Romana.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDBmAvfXX4I/AAAAAAAAAc4/XUB_GThyJUA/s320/Saltimbocca+alla+Romana.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201769732546977666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Saltimbocca alla Romana&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A original é feita com vitela; há também a light (de frango) e a hard (de porco). Todas, verdadeiramente deliciosas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;5.&lt;/span&gt; Mesmo que você tenha embarcado com todos os vôos e demais trajetos reservados, não custa nada, ao chegar num lugar, dar uma confirmada sobre a etapa seguinte. Isto pode evitar constrangimentos e decepções, além de desfazer confusões. Uma vez, voltando para o Brasil via Paris, pela Air France, informaram-me na loja de Roma (penúltima etapa) que a minha reserva Paris-São Paulo havia sido cancelada; providenciei nova reserva, saindo de Paris à noite, ao invés de pela manhã, como era antes. Mas, ao chegar em Paris, fiquei sabendo que as duas reservas estavam valendo, e eu só precisava escolher qual delas usar. Já de outra vez, na Holanda, eu tinha um vôo marcado Amsterdam-Frankfurt e, quando fui re-confirmar, descobri que eu havia sido transferido, à revelia, para um vôo com destino a Munique (a desculpa: estava havendo uma Feira não-sei-do-que em Frankfurt e os hotéis estavam todos lotados; como eu não tinha reserva de hotel...). Eficiência germânica é isso aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;6.&lt;/span&gt; Caso viaje usando algum passe de trem (Eurailpass ou outro do gênero), verifique cuidadosamente para quais países ele é válido; pois, se você entrar num país não incluído no passe, mesmo que saia em seguida e no mesmo trem, vão lhe cobrar a diferença – em dólares (euros, agora) – e bastante caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;7.&lt;/span&gt; A Itália é linda, maravilhosa! Os italianos são simpáticos e cordiais; mas, também, grandes pilantras. Em Nápoles, para me convencer de que o zircônio de um anel era diamante verdadeiro, um ragazzo não teve o menor pudor em riscar o pára-brisa de um carro estacionado. Já em Veneza, apesar de haver contratado (e pago adiantado) um barco-taxi para me levar do hotel ao aeroporto, fui descaradamente largado no terminal de ônibus, sem sequer um pedido de desculpa, muito menos reembolso! Portanto, fique esperto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2727257046934830252?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2727257046934830252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2727257046934830252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2727257046934830252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2727257046934830252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2727257046934830252' title='Lembranças &amp; lembretes'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SDBnAffXX5I/AAAAAAAAAdA/MWQr_3cUqME/s72-c/%C3%94nibus+napolitano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-8660972698594835142</id><published>2008-05-11T20:49:00.007-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:32.619-03:00</updated><title type='text'>Cabeça nas Nuvens</title><content type='html'>Quando eu morava em São Paulo, todo ano, religiosamente, passava o Natal e Ano Novo em Fortaleza, com minha mãe e a família. Como tinha (e ainda tenho) medo de pousos e decolagens, tentava sempre obter lugar num vôo que fazia escala apenas em Recife. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, no saguão de Congonhas, encontrei um velho conhecido cearense com quem comecei a conversar. Como íamos ambos para Fortaleza, e pela Varig, na hora do embarque nos encaminhamos juntos para o avião. Só a bordo, em pleno ar, é que fiquei sabendo que aquele era o avião “dele” e faria escalas também no Rio e em Salvador! Nem eu, nem o conferencista de vôo, nem a comissária de bordo, tínhamos nos apercebido do engano. Por sorte, os dois vôos se reencontraram em Recife e o problema foi automática e naturalmente corrigido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutra ocasião, como o Natal e o Ano Novo caíam na quarta-feira, a agência resolveu escalar plantões: metade da criação trabalharia no Natal, a outra metade no Ano Novo. Optei por folgar no Natal e marquei meu vôo de volta para o dia 29, um domingo. A família insistiu para que eu ficasse, mas, muito “cdf”, fui embora. Na segunda-feira, lá estava eu, a postos, com mais dois ou três colegas. Fomos almoçar e, na volta, encontramos um memorando em cima das nossas mesas, dispensando-nos do resto do plantão! Fiz de tudo, mas não consegui lugar para voltar a Fortaleza. Foi o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Reveillon &lt;/span&gt;mais chocho da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SCeKtvfXXlI/AAAAAAAAAag/4UTy5eybGPU/s1600-h/2.+Ano+novo+%C3%A0+moda+da+casa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SCeKtvfXXlI/AAAAAAAAAag/4UTy5eybGPU/s320/2.+Ano+novo+%C3%A0+moda+da+casa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199276813269294674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ano novo à moda da casa - &lt;/span&gt; vistos da janela da cozinha do apartamento, os mais belos fogos de artifícios perdem toda a graça.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que trabalhei na Hot Shop – uma agência pequena, efêmera, porém inesquecível! – tínhamos como cliente uma construtora cuja sede era em Ribeirão Preto, a uns 500 km de São Paulo. Eu e o Pierre Rousselet (diretor de arte) fomos lá, de taxi aéreo, apresentar a primeira campanha. Saímos cedo de São Paulo, fizemos um vôo tranqüilo e chegamos antes das 9 da manhã. Na época era moda, principalmente entre publicitários, roupas “cheguei” – amarelo-fralda, rosa-choque, verde-limão, etc. – e eu estava vestido &lt;span style="font-style:italic;"&gt;up-to-date&lt;/span&gt;, com uma calça boca-de-sino cor-de-rosa e uma camisa bem estampada. Mas, ao desembarcar do pequeno Cessna, os fundos da calça descosturaram de alto a baixo! Saí pelo comércio de Ribeirão procurando calça que coubesse em mim (que, na ocasião, pesava mais de 100 quilos): encontrei só uma, listrada de azul, que não tinha a ver com nada. Paguei um belo mico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outra vez, fui lá com o diretor financeiro da agência; ele para resolver assuntos da sua área, eu para tratar de criação e mídia. Então já havia um vôo da Vasp, num Bandeirante, que durava cerca de uma hora, hora e pouco. Na ida, tudo bem. Mas, na volta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em pleno verão quando, à tarde, acontecem umas tais de “turbulências invisíveis”. E assim aconteceu: o diabo do aviãozinho, voando baixo (a cabine não era pressurizada), sacolejava pra tudo quanto era lado, até para cima! Fui entrando em pânico, cada vez mais, e só não dei vexame completo porque um outro passageiro se encarregou disso por mim, gritando “Pára, que eu quero descer, cadê minha mãe, sou muito novo para morrer” e outros apelos do gênero. Foi constrangedor mas, ao mesmo tempo, divertido. E serviu para relaxar a tensão de todos a bordo, inclusive a minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma outra viagem, para gáudio geral dos passageiros, o constrangimento ficou por conta da tripulação. Num vôo cansativo de São Paulo a Fortaleza, com escalas no Rio, Salvador, Recife e Natal, a última etapa foi cumprida já depois da meia-noite. Iniciado o procedimento de pouso no Aeroporto Pinto Martins, o chefe dos comissários disse todo aquele palavreado habitual pelos alto-falantes. Acontece que, após encerrar seu bla-bla-bla, esqueceu de desligar o intercomunicador e soltou a franga: “Bicha, ainda bem que chegamos. Estou moooortaa!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num vôo inverso, de Fortaleza a São Paulo, sentei-me, como gosto, numa das primeiras fileiras, no corredor. Em Recife, subiu uma senhora transportada nos braços por enfermeiros e acompanhada por um rapaz bastante solícito. Sentaram na mesma fileira que eu, do outro lado: ela na janela, ele no meio, outra passageira no corredor. Até o Rio, ele não fez nada além de beber; nem sequer quis jantar. Mas quando estávamos em procedimento de pouso no Galeão, com o cinto devidamente afivelado, aconteceu. O rapaz sentiu-se mal, não conseguiu sair para o corredor, e voltou-se para a janela, que vomitou de alto a baixo, sobrando inclusive para a passageira doente. Com o avião já quase pousando, foi preciso o comissário sentar-se na fileira de trás (ainda bem que havia um lugar) e segurar o rapaz para que ele não se machucasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora doente desembarcou no Rio e, aí, descobrimos que o rapaz não tinha nada a ver com ela: seguia para São Paulo. Como ele estava bêbado, o chefe dos comissários tentou convencê-lo a descer para ser cuidado. Ele, porém, recusava veementemente, e começou a se exaltar. A certa altura, alguém lá de trás soltou uma piada qualquer, ao que ele reagiu levantando-se e ameaçando “enfiar a peixeira” em quem se metesse a engraçadinho. Risada geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o tempo estava passando e nosso atraso em terra já era superior a uma hora. Aí, o comissário-chefe teve uma idéia brilhante. Falou para o cara: “Você sabe que eu sou o chefe dos comissários, certo? E que o avião não pode levantar vôo sem mim, certo? Então façamos o seguinte: eu desço com você, a gente dá umas voltas na pista até você melhorar e, então, vamos embora pra São Paulo, O.K.?”. &lt;br /&gt;O.K. O que ele não sabia é que tinha havido troca de tripulação. Foi só os dois se afastarem uns 10 metros do avião, o Comandante recolheu a escada, fechou a porta, ligou os motores e se mandou céu afora. Imagino a barra que o pobre comissário teve que enfrentar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui de Salvador a Belo Horizonte, para conversar com a agência que estava me chamando, peguei um vôo da Vasp no qual serviram uma salada, digamos assim, problemática, que me proporcionou um final de semana de rei, ou seja, o tempo inteiro sentado no trono. (Apesar disso, deu para fechar negócio com a agência e, assim, com as bênçãos de Tia Suzana, mudei de Estado pela sexta vez!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto morei em Belo Horizonte (diz-se Bê-Agá, em mineirês), vivi num vai-e-vem que chegou ao exagero! Tinha semana, por exemplo, que eu ia ao Rio duas, três vezes, voltando no mesmo dia. Já era até conhecido das moçoilas que atendiam nos balcões das companhias aéreas, da mesma forma que era manjado pelos taxistas. Alguns, por saber que eu morava próximo ao Aeroporto da Pampulha, achavam ruim fazer uma corrida que, além de baratinha, ainda lhes tirava a possibilidade de pegar uma outra maior e bem mais lucrativa. Pois é, uai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que me mudei para Brasília, as viagens de trabalho diminuíram (fui só uma vez ao Rio e outra vez a São Paulo). Em compensação, foi bastante instrutivo observar o procedimento das secretárias sempre que alguém da agência precisava viajar e, como de costume, se atrasava. Na maior cara dura, uma delas ligava para o aeroporto e pedia para “segurar o vôo xis só um pouquinho, pois o deputado já estava a caminho”. O truque era infalível: tinha sempre um Deputado (atrasado) na lista de passageiros. Não lembro de ninguém da agência que tenha deixado de viajar por haver perdido o vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SCeRuffXXvI/AAAAAAAAAbw/XlKPT8fPsXI/s1600-h/10.+Painel+de+embarque+do+Aeroporto+de+Bras%C3%ADlia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SCeRuffXXvI/AAAAAAAAAbw/XlKPT8fPsXI/s320/10.+Painel+de+embarque+do+Aeroporto+de+Bras%C3%ADlia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199284522735591154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Painel de embarque do Aeroporto de Brasília&lt;/span&gt; - para Deputados e Senadores, o painel de embarque do aeroporto de Brasília dá mais ‘Ibope’ que os painéis de votações do Congresso.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-8660972698594835142?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/8660972698594835142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=8660972698594835142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/8660972698594835142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/8660972698594835142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#8660972698594835142' title='Cabeça nas Nuvens'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SCeKtvfXXlI/AAAAAAAAAag/4UTy5eybGPU/s72-c/2.+Ano+novo+%C3%A0+moda+da+casa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2232201460489198032</id><published>2008-05-04T13:04:00.014-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:32.754-03:00</updated><title type='text'>Idas &amp; Vindas</title><content type='html'>Para mim, que tenho vocação para Judeu Errante, até viagem de trabalho é válida e merece registro. Principalmente quando acontecem coisas inesperadas ou inusitadas, como na minha ida a Formosa do Rio Preto, a 900 km de Salvador-BA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1982, trabalhava para uma agência de propaganda que atendia à Telebahia, que estava acabando de instalar telefonia na última sede de município do Estado a receber tal benefício. Para anunciar isto, o cliente exigiu que o criador da campanha – no caso, eu – fosse verificar as condições &lt;span style="font-style:italic;"&gt;in loco&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SB3n0F9BU3I/AAAAAAAAAZk/1o3YNNG3qs4/s1600-h/2.+Gran+Tour+Baiano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SB3n0F9BU3I/AAAAAAAAAZk/1o3YNNG3qs4/s320/2.+Gran+Tour+Baiano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196564427192750962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Siga o roteiro de viagem mais esdrúxulo que eu já fiz (indo ao extremo sul para chegar ao noroeste). Clique no mapa pra ampliá-lo.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;                    &lt;br /&gt;Portanto, lá fui um belo dia, ainda de madrugada, pegar um Bandeirante da Nordeste Linhas Aéreas, que me levaria até Barreiras (onde ficava a pista de pouso mais próxima) para, de lá, seguir por terra até Formosa do Rio Preto, a uns 40 quilômetros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para início de conversa, o avião taxiou até a cabeceira da pista, acelerou os motores, desacelerou e voltou para o pátio de estacionamento. Motivo: “devido a problemas técnicos, haveria troca de aeronave”. Assim, trocamos seis por meia dúzia – ou seja, um Bandeirante por outro –, e alçamos vôo rumo ao sul. (Detalhe: Formosa do Rio Preto fica no extremo noroeste da Bahia, na divisa com o Piauí.) Nosso primeiro destino era Ilhéus, depois Porto Seguro; então atravessaríamos a Bahia na diagonal e chegaríamos a Barreiras via Jequié e Bom Jesus da Lapa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho até Ilhéus foi quase “executivo”: a maioria dos passageiros era de negociantes, fazendeiros, turistas, estudantes, pessoas assim. De Ilhéus a Porto Seguro, o nível baixou um pouco, com gente vestida mais simplesmente (alguns de sandália havaiana, o que na época definitivamente não era &lt;span style="font-style:italic;"&gt;in&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a partir de Jequié que a coisa virou folclore: primeiro, embarcaram algumas galinhas e uma cabra “pessoalmente”; depois, um caixão de defunto com um morto dentro! E mais um detalhe: antes de decolar, o avião precisou acelerar para afugentar os bois pastando na pista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A viagem prosseguiu sem maiores sobressaltos e desembarquei em Barreiras por volta de 1 hora da tarde. Fui para um hotel (com ar condicionado, graças a Deus!), instalei-me e em seguida saí para achar quem me levasse até Formosa. A intenção era ir naquela mesma tarde (só 40 quilômetros, vai-se e volta-se ligeirinho), mas todos os taxistas com quem falei me aconselharam a ir apenas no dia seguinte, bem cedo, sob a alegação de que a estrada “estava meio ruim”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio ruim? Bota ruim nisso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formosa do Rio Preto, em si, repete o padrão nordestino: uma ponte sobre um rio barrento e meio seco, algumas casas, a Igreja, uma escola e um “bar e sorveteria” (provavelmente, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;point &lt;/span&gt;noturno da cidade), além da enorme e anacrônica torre da Telebahia. Visto isso, pegamos novamente a estrada: quase oito horas de ida-e-volta, driblando uma buraqueira de assustar jumento! Mas, como havíamos saído de fato muito cedo, chegamos de volta a Barreiras ainda dia claro, a tempo de eu fazer um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tour &lt;/span&gt;pela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando pelo Mercado Municipal notei, no outro lado da rua, uma portinha com uma placa indicando ser o escritório local da Nordeste Linhas Aéreas. Resolvi confirmar o horário do meu vôo, marcado para as duas horas da tarde do dia seguinte. Quando entrei e indaguei a respeito, estabeleceu-se o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O senhor é que é “seu” Fernando? &lt;br /&gt;- Sou. Como é que você sabe meu nome?&lt;br /&gt;- É que o senhor é o único passageiro, e eu acabei de ‘receber um rádio’ perguntando se o avião precisava mesmo vir lhe buscar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi que sim, e saí para contratar um táxi que me levasse ao “aeroporto” – um complexo de 16 pistas (bem longe da cidade), construídas pelos americanos no tempo da Segunda Guerra. Mesmo sabendo que não chegaria ninguém para pegar o táxi na volta, tive a cara de pau de negociar o preço com o pobre do taxista. Penitencio-me agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu castigo foi enfrentar a cara feia, primeiro, da tripulação e, depois, dos outros passageiros, embarcados em Bom Jesus da Lapa, que precisaram esperar o avião ir e voltar de Barreiras, ao invés de seguir direto para Salvador, como teria acontecido se não fosse por mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de um ano antes dessa instrutiva experiência, livrei-me de uma pior. Estava em São Paulo, acompanhando uma filmagem, e havia marcado a volta num vôo noturno da Vasp. Por algum motivo (nem me lembro mais qual), transferi o vôo para o dia, ou melhor, a noite seguinte. Dá, pois, para imaginar o tamanho do meu susto quando fiquei sabendo, logo pela manhã, que o avião no qual deveria ter viajado havia batido num “serrote” em Pacatuba, perto de Fortaleza, matando todo mundo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de temeroso, tive de voltar no vôo do dia seguinte. Como sempre acontece após um acidente desse porte, o serviço de bordo melhorara incrivelmente. Na verdade, os vôos noturnos, por serem mais baratos, nem serviço de bordo tinham. Mas, nesse, teve jantar de verdade e bebidas à vontade. Na chegada, lembro-me de haver encontrado, no aeroporto, uma pessoa conhecida que se ofereceu para levar-me em casa. Como já eram quase três da manhã, e eu morava muito fora de mão, agradeci mas preferi ir de táxi. É a última coisa de que me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar no dia seguinte, ainda meio zonzo, não consegui achar minha bagagem. Pensei haver sido roubado pelo taxista e me dispus a ir dar queixa na delegacia. Mas, quando abri a porta para chamar a empregada e pedir um café, dei de cara com as malas intactas, bem ao lado da piscina. Mais uma vez, o anjo da guarda dos bêbados mostrou o quanto é eficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2232201460489198032?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2232201460489198032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2232201460489198032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2232201460489198032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2232201460489198032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2232201460489198032' title='Idas &amp; Vindas'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SB3n0F9BU3I/AAAAAAAAAZk/1o3YNNG3qs4/s72-c/2.+Gran+Tour+Baiano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-6365926586032938319</id><published>2008-04-30T19:49:00.005-03:00</published><updated>2008-05-04T13:04:39.027-03:00</updated><title type='text'>O xis da questão.</title><content type='html'>George Bernard Shaw, um dos maiores escritores ingleses, costumava criticar a falta de parâmetros para a pronúncia da língua inglesa, dando como exemplo a palavra &lt;strong&gt;fish&lt;/strong&gt; (peixe), que pode ser grafada &lt;strong&gt;ghoti&lt;/strong&gt;, de acordo com a seguinte "cartilha": "gh" como em "cough"; "o" como em "women"; "ti" como em "nation".  &lt;br /&gt;Em português, via de regra, as armadilhas acontecem na escrita, em função da analogia de sons. Não raro, a gente comete o pecado de grafar de maneira semelhante palavras com pronúncias iguais, embora suas etimologias sejam diferentes, como em: extrato e estrato; conselho e concelho; pretensão e intenção; avançado e cansado; mencionar e dimensionar; trança e transa; massa e maça – apenas para citar alguns casos.&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;xis&lt;/strong&gt;, porém, é um caso à parte. Até onde é do meu conhecimento, não existe outra letra do nosso alfabeto que apresente tamanha variedade de pronúncias. Pois, de acordo com a palavra, o &lt;strong&gt;xis&lt;/strong&gt; pode ser lido como:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ch&lt;/strong&gt; (ameixa, enxame, faixa, taxa, lixo, xadrez);&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;c&lt;/strong&gt; (exceto, excelente, excelsior, excitado); &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ks&lt;/strong&gt; (fixo, nexo, táxi, fênix, sexo, látex);&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ss&lt;/strong&gt; (máximo, próximo);&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;s&lt;/strong&gt; (extintor, exclamar, exportar, extraditar, explícito):&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;z&lt;/strong&gt; (exame, exato, exército, exagero, exímio).&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;xis&lt;/strong&gt; ainda se dá ao luxo de ter nomes próprios, por exemplo, quando representa o sinal da multiplicação (2 &lt;strong&gt;vezes&lt;/strong&gt; 2) em matemática e quando usado como símbolo de oposição (Hillary &lt;strong&gt;versus&lt;/strong&gt; Obama) nos embates da vida. Ou seja, definitivamente, o &lt;strong&gt;xis&lt;/strong&gt; não é uma letrinha xendengue qualquer. Pode até ser desleixada quanto à própria pronúncia mas, em compensação, exige de nós o máximo de cuidado na hora de escrever as palavras nas quais se expõe. &lt;br /&gt;O jeito ortodoxo de se obter uma boa margem de segurança na grafia – não só de palavras que tenham &lt;strong&gt;xis&lt;/strong&gt;, de quaisquer palavras – é, sem dúvida, ler bastante e com freqüência. Bons livros, principalmente, mas também jornais, revistas, todo tipo de leitura. Com o mínimo de esforço, a gente vai assimilando o jeito correto de se expressar na língua portuguesa – sem maiores riscos gramaticais, sem se expor ao ridículo e sem exaurir a paciência. Portanto, o &lt;strong&gt;xis&lt;/strong&gt; da questão é um só: ler, ler, ler. Seja didática ou divertida, sobre assuntos sérios ou simples amenidades, toda leitura contribui para fazer do leitor um exímio escrevente. Ler este texto até aqui já foi um excelente começo. Continue e volte sempre. Até nosso próximo encontro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-6365926586032938319?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/6365926586032938319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=6365926586032938319' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/6365926586032938319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/6365926586032938319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#6365926586032938319' title='O xis da questão.'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2910183009770237743</id><published>2008-04-27T14:37:00.009-03:00</published><updated>2008-11-13T02:01:33.279-03:00</updated><title type='text'>Rumo a “Traumländer”</title><content type='html'>Peguei o TGV (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Train à Grand Vitesse&lt;/span&gt;) e segui para Genebra, na Suíça, a 300 km por hora. Novíssimo, poltronas espaçosas e confortáveis, serviço de bordo (pago à parte) esmerado. Já próximo a Genebra, e em velocidade bem mais reduzida, contornamos os imensos paredões dos Alpes, acompanhando a torrente de um rio que deságua no Lac Léman. Uma belíssima viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTAXF9BUpI/AAAAAAAAAX0/SKduuu05EHQ/s1600-h/2.+TGV+-+Train+a+Grand+Vit%C3%A8sse.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTAXF9BUpI/AAAAAAAAAX0/SKduuu05EHQ/s320/2.+TGV+-+Train+a+Grand+Vit%C3%A8sse.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193987773232665234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Em geral, um TGV viaja a cerca de 300 km/h. Mas, em certos trechos, pode chegar perto dos 600 km/h.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Genebra também é uma beleza. Ampla, agradável, limpa (claro), cordial, nem parece uma cidade verdadeiramente suíça. Mas é. Embora cosmopolita e profundamente influenciada pela cultura francesa (a língua local, inclusive, é o francês), Genebra adota os padrões políticos e sociais helvéticos e segue costumes religiosos, nascidos lá mesmo, difundidos por pregadores do porte de um Calvino.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTOfF9BUzI/AAAAAAAAAZE/d6KoiQrLTeE/s1600-h/3.+Gen%C3%A8ve+-+Lac+L%C3%A9man.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTOfF9BUzI/AAAAAAAAAZE/d6KoiQrLTeE/s320/3.+Gen%C3%A8ve+-+Lac+L%C3%A9man.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194003303834407730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Lac Léman está para Genebra assim como o Central Park para Nova York. E, nele, o jato d’água faz as vezes de uma Torre Eiffel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bonito lago de Genebra, margeado por casas luxuosas e pequenas localidades, apresenta ainda um diferencial característico: um potente jato de água que jorra verticalmente até 150 metros de altura. A cidade é uma das sedes européias das Nações Unidas e um centro estudantil muito procurado. Nela, encontra-se de tudo; e, nos seus arredores, mansões e condomínios fechados dos ricos e famosos de todas as origens: gregos e troianos, judeus e sauditas (principalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem de Genebra a Zürich é rápida, questão de algumas horas apenas. O trem não é mais o TGV, mas é igualmente confortável. Acho legal viajar de trem. Primeiro, porque a gente tem espaço à vontade para levantar e esticar as pernas; depois, porque é um jeito de se ver o interior dos países (coisa que, de avião, é impossível); também porque as paisagens estão logo ali, do lado de fora da janela; finalmente porque, ao contrário dos aeroportos, as estações ficam bem no centro das cidades, o que facilita e barateia o deslocamento até nosso destino final (hotéis etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é também em Zürich, onde (melhor ainda) uma sobrinha mora com o marido e estava à minha espera junto com o filho mais novo. Portanto, esta minha segunda estadia em Zürich foi “familiar”, o que modificou inteiramente a feição da cidade. Por conta disso, visitei cidadezinhas próximas, fiz compras em liquidações, fiquei íntimo dos bondes, e até andei de roda gigante – coisa que não fazia há anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muita pena, despedi-me e continuei viagem, indo agora da Suíça para a Áustria, e atravessando os Alpes pelo (então) túnel ferroviário mais longo do mundo, título que hoje pertence ao túnel sob o canal da Mancha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia uma idéia diferente de Viena. Minha expectativa é que ela fosse mais parecida com Paris do que realmente é. Mas não deixa de ser uma bela cidade, embora o povo não seja muito simpático, até pelo contrário. Aliás, melhor fazer justiça: quem, de fato, parece um tanto arrogante é o pessoal do receptivo turístico, que nem desconfia do que seja “jogo de cintura”. O povo, mesmo, deve ser outro departamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, vamos passear. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer ver ouro, muito ouro? Visite os museus do Hofburg, o antigo palácio imperial. Quer conhecer o rival de Versailles, igualmente deslumbrante, embora um pouco menos pomposo? Não deixe de ir a Schönbrunn. Quer saber o verdadeiro significado da palavra Belvedere? Veja os palácios do Príncipe de Savoya. Quer ser íntimo de Beethoven, Schubert, Mozart, Strauss? Vá à Ópera. Quer sentir-se a caminho do céu? Reze uma oração na Catedral de Saint Stephen.  Não esqueça, porém, de visitar também a Escola de Equitação Espanhola, brincar no parque Prater, navegar no rio Danúbio, subir as colinas do Grinzing (onde ainda há Bosques de Viena), e curtir o mundo de outras atrações que a cidade tem para lhe oferecer, inclusive sua ótima cozinha. Fora os locais próximos. E, para os mais dispostos ou que tenham mais tempo, há ainda a possibilidade de esticar até Praga e Budapest (um dia inteiro de ida-e-volta para cada uma).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praga e Budapest, porém, ficaram (quem sabe?) para a próxima e eu tomei o trem para Colônia (a própria, a da água perfumada), na Alemanha. Meu interesse maior, na verdade, era a famosa e belíssima catedral gótica, iniciada no século XIII (1248) e construída ao longo de 600 anos. Mas bem que Colônia revelou-se acima do esperado: simpática, culturalmente agitada, bastante moderna sob alguns aspectos; enfim, valeu a visita. E, ainda, contribuiu generosamente para este relato com um fato pitoresco: no passeio de barco pelo rio Reno, a maior atração surgiu em uma das margens, com jeito de praia, repleta de gente – todo mundo nu. (O que não deixou de ser uma espécie de “grand finale”, já que, de Colônia, eu voltei a Paris e, de lá, para casa. Embora não tenha sido tão simples assim).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTTR19BU0I/AAAAAAAAAZM/FWwNzy7HoJg/s1600-h/12.+K%C3%B6lner+Dom+-+realmente+%27Wunderbar%27.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTTR19BU0I/AAAAAAAAAZM/FWwNzy7HoJg/s320/12.+K%C3%B6lner+Dom+-+realmente+%27Wunderbar%27.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194008573759279938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Kölner Dom - realmente 'Wunderbar' - Erguida ao longo de mais de seiscentos anos, ao ser concluída, em 1880, era o prédio mais alto do mundo, com 157 metros de altura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia dois trens programados para fazerem o trajeto Colônia-Paris. Um, saía às nove da manhã e chegava a Paris no fim da tarde; um trem direto mas parador. Outro, tipo TGV, saía depois e ia primeiro até Bruxelas, onde haveria baldeação; mesmo assim, chegava em Paris antes do outro. Segundo o rapaz do guichê, com o meu passe de primeira classe eu tanto podia optar por um como pelo outro trem. Claro que optei pelo que saía depois e chegava antes. Só que teve um porém. A Bélgica não era um dos países aos quais meu passe dava direito. Resultado: mesmo desembarcando em Bruxelas apenas para trocar de composição, fui obrigado a pagar quase 50 dólares a mais. Ou, então, seria simplesmente preso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não tem jeito, remediado está. De modo que, de tardezinha, eu estava de volta e devidamente acomodado no Ibis La Bastille, preparando-me para voar no dia seguinte de manhã para o Brasil, via Estados Unidos. Aí, entra mais uma (felizmente a última) “cortesia” da agência de viagens cearense. Eu sequer havia me dado conta disso, mas minha volta tinha sido marcada assim: Paris-Washington-Miami-São Paulo-Fortaleza. Desse jeito mesmo, em vôos seqüenciados e sem intervalos. O que me manteve com o cinto afivelado por nada menos do que vinte e uma horas seguidas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei de uma semana de férias para me recuperar dessa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2910183009770237743?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2910183009770237743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2910183009770237743' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2910183009770237743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2910183009770237743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2910183009770237743' title='Rumo a “Traumländer”'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-dj0sfTaDQ4/SBTAXF9BUpI/AAAAAAAAAX0/SKduuu05EHQ/s72-c/2.+TGV+-+Train+a+Grand+Vit%C3%A8sse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-7751802939879773667</id><published>2008-04-21T22:40:00.003-03:00</published><updated>2008-04-22T00:27:26.839-03:00</updated><title type='text'>Douce France</title><content type='html'>A travessia do Atlântico Norte é mais curta que a do Atlântico Sul. Por isso, após umas cinco horas de vôo (acho) no moderníssimo e super lotado Boeing 777 da United Airlines, pousamos no Aeroporto Charles De Gaulle. Chegar em Paris, procedente dos Estados Unidos, “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;est une autre chose&lt;/span&gt;”. A passagem pela Alfândega é rápida, com o mínimo de burocracia. Mas na hora de pegar a bagagem, a possibilidade de tomar um susto não muda. Uma das minhas malas, por exemplo, teve o fecho arrebentado – não sei se por maus tratos ou por tentativa de roubo (só tinha roupa, mesmo). Mas, achei que não valia a pena arranjar dor de cabeça, deixei pra lá, e fui embora para o hotel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei no Ibis La Bastille, integrante da cadeia de Hotéis Accor, e que pode ser definido como uma máquina de hospedar: tem tudo o que a gente precisa em termos de acomodações, mas serviços reduzidos ao mínimo. Em compensação, tem preços altamente atraentes. E, no caso, uma localização excelente: bem próximo a um centro cultural, lojas, restaurantes, estações do metrô etc. E junto a um movimentado Boulevard onde acontece uma grande feira livre aos domingos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seis dias que passei em Paris, desta vez, foram muito bem aproveitados. Retornei a alguns lugares que já visitara, mas procurei conhecer novos. Entre estes, a magnífica Sainte Chapelle, no antigo palácio real (hoje, Palais de la Cité). Mais que tudo, porém, tentei “viver” um pouco da cidade, andando à toa, procurando restaurantes populares, tomando &lt;span style="font-style:italic;"&gt;soup a l’oignon&lt;/span&gt; sentado num bistrô de frente para o rio Sena, andando de metrô e pegando ônibus sem destino, fuçando nas lojas, puxando conversa com as pessoas. Mas fiz, igualmente, programas bem turísticos, tipo jantar num Bateau Mouche (uma delícia, nos dois sentidos) e assistir ao show do Lido – que, pelo visto, virou coisa para americano: até as piadas são em inglês (de qualquer jeito, o visual valeu a noitada). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não fiquei só nisso. Reservei um dia inteiro para ver castelos no Vale do Loire. Estava meio chuvoso, visitamos apenas três &lt;span style="font-style:italic;"&gt;châteaux&lt;/span&gt;, mas só o passeio no campo já teria compensado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos por Chenonceau, uma pequena jóia arquitetônica, notável em mais de um aspecto: primeiro, porque foi erguido, como uma ponte, atravessando um braço de rio; segundo porque, tendo sido construído para Diane de Poitiers, amante do rei Henri II, passou, após sua morte, para o domínio da rainha Catarina de Medicis, que afirmou sua posse mandando fazer um belíssimo jardim. Todo o conjunto, aliás, é verdadeiramente lindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, visitamos Cheverny, um castelo particular de construção mais recente e ainda habitado pela família proprietária: os turistas não têm acesso à área privativa do castelo, só aos salões sociais. Muita beleza, muito luxo, muita nobreza, mas falta um “plus” qualquer. A visita a esse castelo valeu mais pelo almoço num restaurante próximo, instalado na antiga cozinha de outro castelo, e que foi, simplesmente, fora de série: comemos uma salada divina, acompanhada por algo crocante (que não me arrisquei a perguntar o que era), seguida de um magnífico salmão grelhado, tudo devidamente regado a bom vinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na seqüência, dirigimo-nos à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pièce de resistance&lt;/span&gt; do programa: o castelo de Chambord, uma enorme e maciça construção no centro de um imenso bosque e reserva de caça – coisa de reis. Residência favorita de François I, que mandou construir algumas de suas alas mais deslumbrantes, continua sendo uma referência mundial de beleza e grandiosidade (no Brasil, já foi até nome de carro de luxo). Onde eram as acomodações dos serviçais, hoje é um charmoso hotel; e as antigas cavalariças foram adaptadas e transformadas em loja de souvenirs, adega e bar, onde degustei duas boas taças de vinho, antes de iniciarmos nosso retorno a Paris. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, quis “fazer umas comprinhas” e, naturalmente, fui direto ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Printemps&lt;/span&gt;, magazine vizinho e maior rival das &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Galeries Lafayette&lt;/span&gt; – ambos, os mais famosos templos de compras da Cidade-Luz. Além de algumas bugigangas, adquiri uma belíssima miniatura do transatlântico &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Queen Mary &lt;/span&gt;(o de 1936), que depois tive preguiça de montar e até hoje permanece na caixa, intacta. Na hora do almoço, aproveitei e subi até o sexto andar, onde existe uma espécie de praça de alimentação, dominada por uma belíssima cúpula &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Art Nouveau&lt;/span&gt;, da qual eu já tinha ouvido falar. Essa cúpula, um vitral imenso, foi desmontada e ocultada durante a ocupação alemã, na segunda guerra mundial, a fim de evitar bombardeios e prevenir “acidentes”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lanchonete, bem embaixo da cúpula, estava inteiramente lotada. Por isso decidi, ao invés de ficar na fila e esperar, entrar no Restaurant que existe logo ao lado, visivelmente luxuoso e caro. Mas, tudo bem, de vez em quando dá para encarar. Mesmo sem reserva, fui muito bem recebido pelo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Maitre&lt;/span&gt;, que me conduziu até uma mesa minúscula. Logo apareceu uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;garçonette&lt;/span&gt;, muito &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chic &lt;/span&gt;em seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;smoking &lt;/span&gt;feminino, que sacou do bolso interno uma escova para migalhas (com cabo de prata) e pôs-se a limpar a mesinha. Quando eu imaginei que ela faria surgir uma pazinha (também de prata) para recolher as migalhas, a moça simplesmente deu uma “vassourada” com a escova e jogou tudo no chão! Na seqüência, trouxe e colocou na minha frente uma salada – que eu julguei ser a entrada habitual da casa e resolvi comer. Na verdade, porém, a salada fora pedida pelo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Monsieur &lt;/span&gt;da mesa vizinha, que teve de esperar pela dele... &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Choses de la vie&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, eu estava viajando com mais roupas (e malas) do que o necessário. Devo dizer, a meu favor, que algumas das roupas (terno, por exemplo) eu levara por causa do cruzeiro marítimo. Mesmo assim, havia exagerado. Como tinha, necessariamente, de voltar a Paris a fim de pegar o avião para os States, fiz o seguinte. Botei dentro da mala grande tudo o que não precisava ou não pretendia mais usar, e deixei no guarda-volumes do hotel. Pronto. Saí Europa afora levando apenas dois sacolões de viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-7751802939879773667?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/7751802939879773667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=7751802939879773667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/7751802939879773667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/7751802939879773667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#7751802939879773667' title='Douce France'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-3086699535171868678</id><published>2008-04-16T17:23:00.003-03:00</published><updated>2008-04-16T17:26:31.682-03:00</updated><title type='text'>Tempo de Misses</title><content type='html'>Em 1966, eu trabalhava na Standard Propaganda do Rio, e atendia Helena Rubinstein, um dos patrocinadores do Miss Brasil. A poucos dias do concurso, o Sérgio Kattar, da TV Tupi, responsável pelo script adoece com um febrão daqueles (talvez já fosse a tal da dengue). A produção do concurso pediu “socorro” aos patrocinadores e Helena Rubinstein acionou a Standard, que me escalou para cuidar do assunto. Apresentei-me no Hotel Serrador, ‘quartel general’ da produção do desfile e fui instalado em um apartamento-escritório, com direito a algumas mordomias e muita paparicação por parte das “Mães de Misses” (sim, elas existem e são poderosas!).  Durante dois dias e duas noites, não fiz outra coisa a não ser escrever textos e mais textos sobre vestidos, trajes típicos e as maravilhas do Estado de cada miss. Estimulado pela proximidade daquele monte de mulher bonita, peguei o embalo e fiz o meu trabalho direitinho. Como recompensa, pude assistir ao concurso (vencido pela Ana Cristina Ridzi) da tribuna de honra, na qualidade de membro da Comissão Organizadora, e com acesso aos bastidores. Terminado o concurso, ainda tive o direito de participar do jantar de confraternização com todas as misses e, de brinde, sentado bem em frente à &lt;em&gt;mignon&lt;/em&gt; mas belíssima Miss Universe 1965, a tailandesa Apasra Hongsakula.&lt;br /&gt;Comentários pertinentes:&lt;br /&gt;1. A Ana Cristina Ridzi tinha uma irmã gêmea absolutamente idêntica, a Elizabeth (só um pouquinho mais extrovertida), e tirou o máximo proveito disso. Como o programa cumprido pelas misses era um tanto exaustivo, quando ela estava muito cansada, fazia-se substituir pela irmã, sem que ninguém percebesse. Em Miami, porém, tendo sido alojadas em hotéis diferentes, o truque foi descoberto. E isto, parece, acabou prejudicando a Ana Cristina: ela tinha tudo para obter uma boa colocação e não ficou sequer entre as semifinalistas. (Quem me contou isso foi a própria Elizabeth, de quem me tornei amigo posteriormente em função de uma campanha da Shell).&lt;br /&gt;2. Segunda colocada no Miss Brasil, a Miss Mato Grosso, Marluce Rocha, tinha medidas exatamente iguais às da vencedora (1,72m, 59kg, 93-60-93); só não ganhou porque o rosto da Ana Cristina era mais atraente, e esta ainda contava com o apoio ululante das arquibancadas. &lt;br /&gt;3. A Miss Ceará, Francy Nogueira, era considerada nos bastidores como a miss de corpo mais perfeito, embora seu rosto fosse um pouco anguloso demais. Mesmo assim, ficou em terceiro lugar, devendo, por isso, ser a representante do Brasil no concurso Miss Beleza Internacional. Mas, parece que devido a problemas amorosos, renunciou e foi substituída pela quarta colocada, a Miss Minas Gerais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-3086699535171868678?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/3086699535171868678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=3086699535171868678' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/3086699535171868678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/3086699535171868678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#3086699535171868678' title='Tempo de Misses'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-1385968383872908636</id><published>2008-04-12T20:31:00.005-03:00</published><updated>2008-04-12T22:04:53.520-03:00</updated><title type='text'>New York, New York</title><content type='html'>A ida aos Estados Unidos não foi minha última viagem mas, sem dúvida, foi a mais tardia. Não sei bem por que razão, achava que não curtiria os States. Assim, as vezes que tive tempo suficiente (e dinheiro, nem tanto) optei pela Europa, ou passei férias aqui mesmo pelo Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chegou uma hora em que achei que já era tempo de visitar o Tio Sam. Estava com umas férias vencidas, havia obtido algum dinheiro com a venda de um imóvel e cismei então de realizar um antigo desejo: fazer uma viagem “triangular” Brasil/EUA/Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dispunha de certos requisitos, por isso tinha receio de não conseguir o famoso “visto”. Mas resolvi tentar. O máximo que poderia acontecer era obter um “não” como resposta; e daí? Aconselhado pela dona de uma agência de viagens, reuni um bocado de material – fotos de outras viagens minhas, recortes de jornal com fotos e citações do meu nome etc. – e mandei para o consulado americano em Recife. Foi tiro e queda: em menos de uma semana, recebi um visto válido por 10 anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei, imediatamente, a montar o roteiro que eu havia planejado: primeiro Miami, saindo (e voltando) num rápido cruzeiro marítimo; depois, uma semana em New York e, de lá, uma esticada a Paris, de onde sairia para um giro de trem pela Suíça, Áustria e Alemanha, voltando à França e, via Estados Unidos, ao Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vôo para Miami foi por São Paulo, o que significou umas oito horas de acréscimo ao que poderiam ter sido sete horas de vôo sem escalas Fortaleza-Miami. Em São Paulo o vôo da Varig deveria ter feito conexão com um da United Airlines, mas, devido a um problema qualquer, eu e outros passageiros apenas cumprimos o castigo de andar por todo o aeroporto de Cumbica – do terminal da Varig até o da United, ida e volta – para, depois, continuarmos a voar pela Varig, só que em outro equipamento (um Boeing 747, no lugar do 767). Após um vôo tranqüilo, pousamos em Miami no sábado pela manhã, bem antes das nove horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de encarar essa maratona aérea de mais de 15 horas, foi com alívio que peguei um taxi e mandei tocar para o hotel, imaginando que iria poder tomar um belo banho e descansar um pouco antes de sair para o almoço. Pura imaginação. A reserva só valia a partir das 14 horas, e precisei de muita conversa – e mais 20 dólares por fora – para obter o direito de ocupar o apartamento antes da hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora sendo, evidentemente, uma construção da década de 30, o prédio do hotel não é um exemplar característico (ou digno de nota) do estilo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Art Deco&lt;/span&gt;; e estava, visivelmente, em absoluta decadência, externa e internamente. E, apesar de situado numa das esquinas da Collins Avenue (e não muito longe da Ocean Drive), sua localização não era das melhores: bares, restaurantes, lojas, quase tudo nas suas vizinhanças era de segunda categoria; o nível só começava a subir depois de alguns quarteirões de distância. (Até o indefectível hóspede milionário era de 2ª classe: uma caricatura hollywoodiana de um hispânico bem sucedido, de terno com colete e charuto na boca, e andando numa quilométrica limusine branca com chofer.) E só contando com os préstimos (e a boa vontade) da telefonista dominicana é que pude conseguir uma agência de turismo para fazer um city-tour.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perua (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;van&lt;/span&gt;, para os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;experts&lt;/span&gt;) me apanhou no hotel domingo cedo e fomos fazer o básico: passamos pelo Hotel Fontainebleau (sobre o qual certa vez lera um artigo na revista Seleções), Seaquarium, Hollywood Café, Coconut Grove, e outros points considerados imperdíveis. O que mais me impressionou, porém, foi o fato de ter visto, lá, os únicos moradores de rua dessa minha viagem (soube que também em New York existem alguns, mas não os vi). O tour terminou com um passeio de barco pelo porto e ilhas adjacentes, conhecendo (por fora) as mansões de artistas e milionários – incluindo as do Sílvio Santos, Emerson Fittipaldi e Xuxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miami, na verdade, não existe. É um ajuntamento de pequenas cidades (ou condados) formado para faturar em cima do turismo. E faz isso muito bem, oferecendo sol, praia, diversões variadas, mordomias e extravagâncias mil, templos de consumo e, principalmente, “clima”. Por tudo isso (ou apesar disso), Miami se revelou, para mim, bem melhor do que eu esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite fui até uma espécie de shopping a céu aberto, o Lincoln Drive, um calçadão com lojas, butiques, livrarias, antiquários, cafés, restaurantes, bares (tudo muito caro, embora, em geral, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chic &lt;/span&gt;e bastante charmoso). Mas, o que marcou essa noite para valer foi um súbito aguaceiro que fez Miami ficar parecendo uma cidade tipicamente brasileira: absurdamente inundada debaixo de carradas de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, céu claro, fui para o porto, a fim de embarcar no Ecstasy para o cruzeiro de quatro noites. Cometi, então, uma burrice e tanto. Impaciente para subir a bordo, não esperei por um carregador e levei a bagagem, eu mesmo, para dentro do terminal. Isto chamou a atenção dos funcionários da alfândega, que me pararam, abriram e fuçaram todas as malas. Bobeei, dancei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso destino era Cozumel (podendo visitar Cancún ou Tulum), no México, passando por Key West, uma ilha do litoral da Florida. O Ecstasy é um belo navio, que até hoje se destaca pelo tamanho e pela chaminé diferenciada e característica. Com 70.000 ton., 260 metros e capacidade para 2.634 passageiros, o Ecstasy é o maior navio no qual já viajei. Luxuoso, pelos padrões americanos, e espalhafatoso, por quaisquer outros padrões, é realmente confortável e espaçoso, oferecendo boas acomodações, piscinas, inúmeros bares, alimentação abundante e variada em seus diversos restaurantes, locais para diversão e repouso, e ótima programação social. Enfim, merece ser chamado de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fun  Ship&lt;/span&gt;, como são anunciados os navios da Carnival Cruises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escala na ilha de Key West durou metade de um dia. A maioria dos passageiros foi visitar a cidadezinha, um balneário de classe média com alguns ex-moradores famosos – entre outros, Ernest Hemingway. Mas alguns passageiros, eu inclusive, preferiram pegar uma lancha e navegar cerca de uma hora para ver, através de uma lâmina de vidro no fundo do barco, o único banco de coral “made in USA”. Não achei grande coisa, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo de Key West, atravessamos o Golfo do México rumo a Cozumel. Antes de atracar, o navio fez uma parada ao largo, para desembarcar quem ia visitar as ruínas da cidade maia de Tulum, na península de Yucatán. Fui junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegamos um ônibus minimamente confortável e viajamos cerca de uma hora até o sítio arqueológico. Lá, há um estacionamento que fica a uns 700 metros das ruínas e é apoiado por uma pequena infra-estrutura: bar, lanchonete, sanitários, lojinhas. Há ainda um trenzinho puxado por trator que, por uns poucos pesos, leva a gente até as ruínas propriamente ditas. Ainda bem. Porque andar 700 metros a pé com aquele calor e debaixo daquele sol, tenha dó!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tulum, do último período maia, se diferencia por ser a única cidade daquele povo construída à beira mar. Suas ruínas, menos elaboradas que as de outros locais mais visitados e famosos, ainda assim impressionam pela sua imponência e grandiosidade e, principalmente, nos fazem lamentar o fim injustamente precoce daquela brilhante civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansados das andanças, e suados até a alma, voltamos ao ônibus e tivemos a grata surpresa de encontrar geladíssimas garrafas de cerveja à nossa espera. Raras vezes um refrigério desses foi tão bem vindo e devidamente apreciado. De volta a Cozumel, não deu tempo para mais nada: fomos direto ao porto e embarcamos novamente no Ecstasy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia seguinte foi de navegação, com muito sol, muita piscina, muita bebida e a Ilha de Cuba lá longe, na linha do horizonte. À noite, o baile de despedida pedia que as mulheres comparecessem de longo e os homens de paletó e gravata. Claro que não faltou quem se produzisse da cabeça aos pés, com direito a plumas, paetês, jóias e smokings de lamê. Mas também houve uma jovem que apareceu de longo (como sugerido, embora quase uma camisola), e... de chinela tipo havaiana. Juro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desembarcamos em Miami na sexta de manhã e, desta vez, fui alojado em um hotel muitíssimo superior ao anterior: mais moderno, mais confortável, com melhores serviços e muito, muito mais bem localizado: de frente para o mar, numa zona badalada e próximo a dois shoppings centers. Pena que no sábado, às cinco da manhã, eu tinha de pegar o avião para New York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim fiz. E o único acontecimento da viagem digno de nota foi o “show” de grosserias de um casal, principalmente a mulher, que não se conformava por não ter obtido os assentos desejados. Com isso, o tempo passou rapidamente e, lá pelas dez da manhã, eu já estava chegando ao hotel, na Sétima Avenida, próximo ao Central Park. Aí, aconteceu um replay da minha chegada em Miami: a reserva só era válida a partir das 14 horas. Mas, desta vez, não houve conversa nem dólares que me fizessem subir antes para o apartamento. Tive de deixar as malas no depósito do hotel e, durante cerca de quatro horas, tornei-me um sem teto em New York! O jeito foi dar uma volta de charrete pelo Central Park (35 dólares, um roubo!) e depois ficar rodando num desses ônibus turísticos que fazem percursos fixos, e você embarca, desembarca e torna a embarcar onde quiser, quantas vezes quiser, num mesmo dia e pelo preço de uma única passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, chegaram as duas da tarde e eu corri para usar a minha reserva. Apesar de estar em reforma, o Park Central (esse é o nome) é um bom hotel, com instalações espaçosas e confortáveis, embora sem grandes luxos, e atendimento e serviços tipicamente americanos: pagou, recebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é muito freqüentado por brasileiros, tem um balcão no hall da recepção, instalado por algumas empresas de turismo, onde se fala português. Não deixa de ser um valioso auxílio e bem à mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem, como eu, morou anos e anos no monstro urbano chamado São Paulo, New York não deixa de ser estranhamente pequena. É que lá quase tudo se concentra na Ilha de Manhattan que, por absoluta falta de espaço, só cresce para cima (daí a existência de prédios como o Empire State Building, que por mais de três décadas foi o maior do mundo e, desde a destruição das torres gêmeas, é novamente o mais alto de New York). O resto da cidade se espalha pelos condados em torno da ilha e, via de regra, é um tanto ignorado pelos turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo, confesso, só saí de Manhattan para ir embora da cidade. Lá, na ilha, estava tudo o que me interessava – do Times Square ao Metropolitan Musem, do Harlem às grandes lojas de departamento (Macy’s, por exemplo), e os prédios e endereços mais conhecidos do mundo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;By the way&lt;/span&gt;, por maior que sejam o charme e os merecimentos de Paris, Roma, Londres, Moscou e quetais, ninguém pode negar que New York é, de fato, a capital do Planeta. E, desde o século XIX e durante todo o século XX, foi o ímã que atraiu todos os grandes transatlânticos, tanto os malfadados Titanic, Normandie e Andrea Doria, como os inesquecíveis Queen Mary e Queen Elizabeth, e os soberbos France e United States – apenas para citar alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentavelmente, quando estive em New York o chamado &lt;span style="font-style:italic;"&gt;luxury liners row&lt;/span&gt; já não era mais que uma lembrança à beira do Hudson, embora sobreviva fisicamente. Foi lá que peguei um barco para fazer o contorno da ilha, tendo cruzado com dois retardatários: o Meridian (hoje no fundo do mar), e o Ocean Breeze, um teimoso sobrevivente dos anos sessenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma daquelas pessoas que podem abrir a boca e dizer que esteve no alto das torres gêmeas. De cima de seus mais de 400 metros tive a impressionante visão de uma New York que se espalha muito além de Manhattan e alcança até o estado vizinho de New Jersey. Assim como também é impressionante ver aquele paliteiro gigante dominado, na outra extremidade, pelos soberbos e inconfundíveis perfis do Empire State Building e do Chrysler Building.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, além da arquitetura, New York oferece um mundo de cultura em seus teatros, museus, galerias, exposições e eventos diversos. O Metropolitan, por exemplo, não só é um dos três maiores museus do mundo como reúne coleções as mais completas e diversificadas, abrangendo temas e assuntos os mais relevantes. Nele, dentre outras coisas, vi: a reconstrução do pórtico monumental de um palácio assírio; um pequeno templo egípcio, salvo inteiro das águas e transportado, pedra por pedra, para este lado do mundo; impressionantes coleções de pinturas e esculturas dos maiores e mais famosos artistas europeus dos últimos séculos; os mais diferentes e valiosos objetos das mais variadas origens. Para falar a verdade, passei um dia todo lá, mas sei que vi apenas uma pequena parte do seu acervo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter andado quilômetros dentro do Metropolitan; e, por causa disso, meu nervo ciático se ressentiu e me obrigou a ficar de molho no hotel durante toda a manhã seguinte, tomando anti-inflamatório. Aproveitei para assistir televisão e ver os comerciais da “matriz” (sou publicitário, certo?). Mas acabei vendo uma coisa melhor ainda.  Coincidiu de ser justamente o dia do leilão dos vestidos da Lady Di e, por acaso, sintonizei uma emissora que iria transmitir o acontecimento ao vivo. Antes, porém, estava mostrando a chegada das (possíveis) compradoras e fazendo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;flashes &lt;/span&gt;de entrevistas com pessoas conhecidas na cidade. Entre estas, uma Drag Queen, que soltou o verbo e disse a mais completa das verdades. Algo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Essas bruacas&lt;/span&gt; (fusão com cena de gente chegando ao leilão; fala continua em off) &lt;span style="font-style:italic;"&gt;acham que, se pagarem milhões por um vestido da Lady Di&lt;/span&gt; (panorâmica dos vestidos em exposição), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vão ficar igualzinhas a ela quando usá-lo&lt;/span&gt;” (corta para duas matronas gorduchas e enjoiadas descendo de uma limusine). Volta para imagem da Drag Queen que solta gargalhada debochada. Encerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sincerely&lt;/span&gt;, se algo me decepcionou nos Estados Unidos, foi justamente a propaganda. Tudo o que eu vi na TV foram comerciais e mais comerciais de varejo, inclusive de automóveis, vendendo preço, preço, preço – não lembro de absolutamente nada que fosse sequer longinqüamente criativo. Por favor, alguém me diga: onde é que se escondem aqueles anúncios antológicos que costumam encantar as platéias e os júris dos festivais de publicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tarde desse mesmo dia, já me movimentando melhor, fui cumprir a sagrada obrigação de visitar o Empire State, na 5th Ave. Está certo: as torres gêmeas eram mais altas, mais visíveis, mais modernas, seus elevadores eram muito mais rápidos. Mas, realmente, não tinham o charme nem a áurea (ou a mística) do Empire State! Com 381 metros, ele é “apenas” dez vezes mais alto que a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e um pouco menos que isso em relação à estátua da Liberdade, logo ali perto. Ao seu redor, erguem-se quase todos os arranha-céus que caracterizam a ilha de Manhattan, e ele os domina. Seus elevadores (hoje em dia) lentos e barulhentos são forrados de madeira; e sua arquitetura e corredores nos fazem dar um salto de volta (não para o futuro, mas) para o passado. Terminada a visita, desci e, ao invés de ir embora, entrei num bar que existe no térreo, pedi um uísque e fiquei ali, curtindo o fato de estar no edifício mais famoso do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, fui visitar St. John The Divine, igreja cuja construção começou no Século XIX e que, embora não inteiramente concluída, é a maior do mundo em estilo gótico. Imponente, bonita e bastante fiel ao estilo arquitetônico adotado, não é só por isso que ela se diferencia. Apesar de ser da Igreja Episcopal (ou Anglicana), é também um templo ecumênico, com altares destinados a cada uma das religiões monoteístas. Nunca havia sequer ouvido falar em algo assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha estada em New York teve, é claro, o seu quinhão de compras e de idas a restaurantes; mas não vou detalhar isso. Só acrescentarei que, como não poderia deixar de ser, fui assistir a um musical (Cats) na Broadway, ouvi a bela cantoria gospel dos crentes numa igreja do Harlem, e estive no Village e na Little Italy. Mas não quis saber da Rua 46 (a dos brasileiros), nem dos shoppings da vida. Comprei meu Star Tac, sim, mas numa loja da 5th Avenue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ter certeza de que meu adeus a New York seria inesquecível, a agência de viagens (novamente ela), primeiro, convenceu-me de que sairia muito mais em conta voar para Paris partindo de Washington, ao invés de New York. Depois, sem me avisar (isto é importante), colocou-me num &lt;span style="font-style:italic;"&gt;shuttle &lt;/span&gt;New York-Washington a fim de alcançar o vôo para Paris. O tal &lt;span style="font-style:italic;"&gt;shuttle&lt;/span&gt;, da United Express, teve duas características singulares: primeiro, os próprios passageiros tiveram que levar suas malas até o avião, onde uma figura as acomodava no, digamos assim, porta-malas; segundo, o aviãozinho era tipo Bandeirante, mas tão apertado que eu, que nem sou tão alto, passei hora e meia de pescoço inclinado sentado junto à janela, pois não havia espaço para que levantasse a cabeça. E, requinte adicional: o “serviço de bordo” limitou-se a latas de cerveja, vendidas a $ 2.50 cada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se Paris vale uma missa, por que não um pescoço duro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Costumo fazer vista grossa e relevar incidentes como os que me foram proporcionados pela (escolha a definição: indiferente? ignorante? descuidada? incompetente?) agência de viagens cearense. Quem viaja está sempre sujeito a imprevistos; mas, neste caso, é preciso registrar os acontecimentos que não só complicaram a minha viagem como, desnecessariamente, me causaram aborrecimentos, desconforto e gastos extras. Portanto, apesar do saldo positivo da viagem, faço a pergunta que não quer calar: o pessoal que cuidou do meu roteiro, em Fortaleza, não sabia desses detalhes (sobre a validade das reservas de hotel em relação aos horários de chegada dos vôos, e sobre os demais inconvenientes que se apresentaram depois)?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertem os cintos, que lá vamos nós!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-1385968383872908636?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/1385968383872908636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=1385968383872908636' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1385968383872908636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1385968383872908636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#1385968383872908636' title='New York, New York'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-7157209101702014224</id><published>2008-04-09T21:55:00.001-03:00</published><updated>2008-04-12T19:07:46.242-03:00</updated><title type='text'>+ 1 intervalo comercial</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dom Quixote &amp; Sancho Pança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lá pelas tantas, em 1969, o Laerte Agnelli se deixou seduzir (mais uma vez) pelo ‘canto da sereia’ e se mandou da Norton para a J. Walter Thompson. Foi um Deus nos acuda! Por sugestão do Walter Moraes, o Geraldo Alonso propôs que eu assumisse a direção de criação. Mas recusei, por não me considerar preparado para tanto. Indiquei, então, o Neil Ferreira – que estava na Almap – e o coloquei em contato com o Geraldo. Nisso, a Norton do Rio pediu ajuda à de São Paulo, pois estava precisando de um redator para resolver o problema de um dos seus clientes (da área de finanças), que havia aprovado uma campanha, mas não gostara dos textos. Como eu tinha experiência no assunto, me enviaram para solucionar o problema. Fui, resolvi, e comecei a me envolver com as pendências de outros clientes, a ponto de o escritório do Rio começar a insistir para que eu ficasse por lá. Não era a minha intenção. Então, numa sexta-feira, recebi um telefonema desesperado de alguém da criação de São Paulo, dando conta que, para fechar negócio com o Geraldo Alonso, o Neil Ferreira tinha exigido a ‘degola’ de todo o pessoal da criação, que seria substituído pela ‘turma’ dele. Foi um choque. Imediatamente, voltei para São Paulo e, na segunda-feira, conversei a respeito com o Neil. O argumento dele era que “só poderia garantir uma reformulação total na agência se pudesse trabalhar com gente que ele conhecia e confiava”. Inclusive, eu. Até hoje, tenho dúvidas quanto à validade do argumento mas, na hora, pedi demissão. Por incrível coincidência, no mesmo dia recebi (e aceitei) uma proposta de outra agência e, por conta disso, deixei de ser um dos “Os Profissionais”: Aníbal Gustavino, Jarbas José de Souza, José Fontoura da Costa, Carlos Wagner de Moraes, Marcius Cortez e, claro, Neil Ferreira. E foi por isso que, ao escrever o meu currículo para o portfolio da Hot Shop, o Carlos Duailibi me definiu como um “Don Quixote num corpo de Sancho Pança”. Ainda sou.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-7157209101702014224?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/7157209101702014224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=7157209101702014224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/7157209101702014224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/7157209101702014224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#7157209101702014224' title='+ 1 intervalo comercial'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-3835968916340008796</id><published>2008-04-06T16:22:00.002-03:00</published><updated>2008-04-06T16:43:58.481-03:00</updated><title type='text'>Navegar é preciso</title><content type='html'>Afora as precoces viagens de ida-e-volta ao Rio de Janeiro e, anos depois, minhas freqüentes travessias pela ponte marítima Santos-Rio, consegui fazer ao todo apenas nove cruzeiros, contando com o do Rosa da Fonseca. Passei um Natal no Andrea ‘C’ e um Reveillon no Enrico ‘C’; naveguei pela costa brasileira no Funchal e no Rembrandt (o antigo Rotterdam); perambulei duas vezes pelo Caribe a bordo do Vasco da Gama (travestido de Seawind Crown); estive em Tulum, no México, viajando no Ecstasy; e, por último, fui até Fernando de Noronha no Pacific (que costuma passar uma temporada anual na costa brasileira).&lt;br /&gt;De todos, o menos memorável foi o cruzeiro do Andrea ‘C’. Primeiro, por ter sido muito rápido: só 3 noites (cruzeiros são “medidos” em noites, ao invés de dias); depois porque então, em 1972, o Brasil estava ainda nos primórdios das temporadas turísticas e as programações eram pífias. Basta dizer que a maior atração da escala em Angra dos Reis foi um city-tour visitando (por fora) a escola da marinha e a usina nuclear! E a “butique de bordo” era um ajuntamento de espreguiçadeiras na popa, armado todo fim de tarde por alguns marinheiros.&lt;br /&gt;Para mim, o que valeu mesmo foi curtir o navio (pequeno, porém simpático), embora tendo de agüentar um companheiro de cabine o tempo todo enjoado, além de haver “pago um mico” monumental: levei e, logo na primeira ida à piscina, desfilei com um roupão de banho listrado vermelho-e-branco – totalmente ridículo.&lt;br /&gt;No cruzeiro do Funchal, em 1992, eu também desfilei. Só que na beira da piscina, apenas de calção de banho e para ser eleito o “Mr. Funchal”, o que me rendeu uma programação delirante e animadíssima. (Engraçado é que, por conta dessa eleição, tornei-me uma “figura pública” no navio, com todo mundo se achando no direito de falar comigo, como se fosse meu amigo de infância. Imagino que deva acontecer o mesmo com políticos, artistas etc.) &lt;br /&gt;A escala em Angra dos Reis foi muito diferente da anterior. Ancoramos ao largo, num local lindo, e desembarcamos (de escuna) em uma das ilhas desabitadas. Na praia, a tripulação do navio preparou um magnífico churrasco e disponibilizou um bar completo para quem quisesse. Eu quis! Mas esqueci que a frieza da água, embora disfarçasse, não eliminava o ardor do sol; o resultado foi que fiquei mais parecendo um pimentão vermelho descascado. Até isto, porém, contribuiu para a minha popularidade, pois fez com que eu fosse “adotado” pela maioria das figuras femininas, solitárias ou não, que me ofereciam creminhos para aliviar o tostado. Antes de chegar a Salvador, passamos ainda por Vitória, Porto Seguro e Ilhéus; e, o tempo todo, como dizem na Bahia, quando não era dia de festa, era dia de ensaio. &lt;br /&gt;O cruzeiro foi inesquecível, mas o interessante é que antes de embarcar, não sei por que, eu estava meio desanimado e adotara a firme disposição de aproveitar a viagem para ler “Ascensão e Queda do Império Romano”, de Gibbons. Não passei nem da metade da primeira página. &lt;br /&gt;Antes do Funchal, eu havia feito um cruzeiro de passagem do ano, de 90 para 91, no Enrico ‘C’ – um navio clássico, elegante e imponente, bem maior que o Funchal e o Rosa da Fonseca – construído como o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;paquette &lt;/span&gt;francês Provence, nos anos 50 (tendo navegado, sob vários outros nomes até o início do século XXI). O itinerário, saindo de Santos, era: Rio de Janeiro, Montevidéu y Punta Del Este, Buenos Aires, e de volta para casa. &lt;br /&gt;Na passagem pelo Rio, menos de um dia, preferi nem desembarcar. Achei melhor ficar no navio, curtindo os espaços, os ambientes, as piscinas, os bares. A meu pedido, fui colocado no segundo turno das refeições, numa mesa junto com um engenheiro da General Motors (que eu havia conhecido ainda em Santos, no embarque), um casal jovem e outro de mais idade – todos muito finos e educados. Mesmo assim, na noite em que foram servidos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;escargots &lt;/span&gt;como entrada do jantar, eu fui o único na mesa a saber manipular os talheres especiais que acompanhavam o prato. &lt;br /&gt;O Reveillon, muito comportado (sem graça, mesmo), aconteceu ao largo da costa do Uruguay, antes de atracarmos em Montevidéu. Não foi totalmente ruim; mas também não foi a “maravilha” que eu havia imaginado. Por isso, não merece maiores comentários.&lt;br /&gt;Na escala em Montevidéu (que eu já conhecia) optei pela excursão a Punta Del Este (que só conhecia de ouvir falar). Não posso dizer que me arrependi, mas foi cansativo e pouco compensador. Estávamos fora da temporada, o balneário não tinha quase ninguém, a cidade “não é assim nenhuma Brastemp” &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(posicionamento publicitário que se popularizou como sinônimo de algo que não é exatamente aquilo que se esperava)&lt;/span&gt;, e só se salvaram o almoço, muito bom, e a compra de um uísque de 12 anos, em um belo frasco de cristal num estojo com fecho de prata (quem sabe, uma compensação para os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;decanters &lt;/span&gt;que eu deixara de comprar da outra vez, em Montevidéu). &lt;br /&gt;Como sempre, a estada em Buenos Aires foi encantadora, com os bons programas de sempre e, novamente, rápida demais. Na volta até Santos o nosso navio disputou uma “corrida” com o Eugênio ‘C’, bem mais novo e, teoricamente, mais veloz. Mas o Enrico ‘C’ foi valente e só perdeu porque navegávamos mais distantes da costa, portanto demorou mais para aproximar-se da terra e entrar no porto. &lt;br /&gt;Os cruzeiros seguintes foram no Caribe, com o Seawind Crown (ou Vasco da Gama, como queiram). E, embora os roteiros fossem praticamente os mesmos, as duas viagens foram um tanto diferentes entre si. &lt;br /&gt;Na primeira, fui sozinho. Voei de São Paulo a Aruba pela Vasp e, lá, peguei o navio. Logo de cara cuidei de ser escalado para o segundo turno das refeições (os americanos preferem o primeiro turno, graças a Deus) e me acomodaram em uma mesa composta também por uma senhora de meia-idade e sua filha já moça, mais um rapaz e duas outras moças; relacionei-me muito bem com todos. Inclusive, virei uma espécie de consultor gastronômico da mesa, pois minhas escolhas eram sempre as melhores e meus pedidos os mais apetitosos. &lt;br /&gt;O roteiro era: Curaçao, La Guayra (na Venezuela), Grenada, Santa Lucia e Barbados, voltando para Aruba. Com exceção de La Guayra (que serviu apenas de degrau para uma rápida esticada até Caracas), em cada porto deu para fazermos um tour visitando os pontos mais interessantes do lugar. Dessas visitas, o que mais me impressionou foi o enorme, completo e bem cuidado aquário de Curaçao (mantido pela iniciativa privada), principalmente o grande tanque central, onde imensos tubarões e tartarugas marinhas ignoravam-se mutuamente. &lt;br /&gt;Foi igualmente interessante conhecer uma fábrica de cristais tipo Murano, próxima a Caracas e, na ilha de Santa Lucia, o atelier-moradia de um ex-diretor de arte da Disney. Além de, em Grenada, ouvir uma fantástica banda típica caribenha tirando sons de tambores feitos a partir de barris de petróleo. Também não dá para esquecer o passeio pelas plantações de cana e os alambiques (de rum) em Barbados, bem a leste do Caribe, onde vi o mais azul dos mares dantes e depois navegados por mim. &lt;br /&gt;Mas, interessantes mesmo foram as horas de navegação e diversão dentro do navio, repletas de jogos e brincadeiras; drinques à beira das piscinas; bingos diários (melhor dizendo, noturnos) antes dos shows de variedades; os shows em si (cada noite, uma atração diferente); o buffet da meia noite; as visitas esperançosas ao Casino (onde derramei um copo de uísque sobre uma velha americana, quase apanhei dela e, por isso, ganhei uma dose grátis do barman turco, que rachou o bico de tanto rir); e as esticadas à boate e à discoteca. Foi nesta, por sinal, que presenciei uma cena, digamos, “edificante” – assim mesmo, entre aspas. &lt;br /&gt;Havia um casal gay, formado por um coroa de seus sessenta, sessenta e cinco anos, e por um “jovem” de mais de quarenta anos, bonito, “másculo” e bem produzido: tez queimada de sol, cabelos louros (certamente tingidos) e bem cuidados, e roupas elegantes, com as camisas sempre abertas no peito. Os dois circulavam discretamente pelo navio (dava para perceber, mas não muito) e o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;boy &lt;/span&gt;se esforçava para parecer &lt;span style="font-style:italic;"&gt;macho-man&lt;/span&gt;, jogando charme para o mulherio. Certa noite, na discoteca, uma coroa (mulher) resolveu encarar e soltou a franga em cima do rapaz. Este, encantado, entusiasmou-se e assumiu. O outro no bar só olhando, quieto. Até que, determinada hora, não agüentou mais, levantou-se, pegou o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;boy &lt;/span&gt;pela munheca, arrastou-o para fora da pista e foi-se com ele pelos corredores. Daí em diante, o carinha sumiu de vista: só o coroa continuou visível. &lt;br /&gt;A volta a São Paulo, também pela Vasp, foi sem novidades ou emoções – reservadas, estas, para o vôo de volta do cruzeiro seguinte. &lt;br /&gt;Para fazer companhia na segunda viagem pelo Caribe (e, por que não?, reduzir os custos) consegui “aliciar” uma antiga colega de trabalho, que tinha vontade de fazer um cruzeiro marítimo, mas cujo marido tinha horror ao mar. Partimos, então, no vôo da Vasp rumo a Aruba, embarcando em seguida no Seawind Crown. A escala em La Guayra havia sido suprimida a pedidos (talvez por ser muito rápida e cansativa); o restante do roteiro permanecia o mesmo. &lt;br /&gt;Para mim, a diferença maior foi, justamente, a companheira de viagem, que curtiu muito pouco as escalas e me fez recordar bastante as &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Conchettas” &lt;/span&gt;de outros carnavais: reclamava de tudo. (Até cultivou algumas amizades, mas angariou vários desafetos entre os passageiros.) Isso, porém, não me privou de aproveitar a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;minha &lt;/span&gt;parte da viagem, o que fiz (com ou sem a aprovação dela) visitando os lugares que eu não conhecera antes e fazendo o que ainda não havia feito. Em Santa Lucia, por exemplo, naveguei num catamarã até Soufrière, um pequeno porto de onde se chega a um vulcão ainda ativo. E, em Barbados, mergulhei num mini-submarino (tenho até diploma) para visitar os restos de um naufrágio e ver – in loco – um pouco de vida marinha. Programas deveras interessantes. &lt;br /&gt;Um mal-entendido engraçado ocorreu já no primeiro dia: o almoço foi servido em sistema de buffet e mesa livre; fizemos nossos pratos e nos acomodamos em uma mesa onde já havia dois casais; logo as mulheres começaram a conversar e uma delas perguntou se estávamos em lua de mel, ao que minha companheira respondeu: “Nós não somos casados!...” (Qualquer semelhança com outra resposta idêntica foi mera coincidência). Mas esta viagem ficou, literalmente, marcada na minha memória devido a um acidente e a um quase incidente acontecidos. &lt;br /&gt;O acidente: logo na segunda noite, conversando na cabine com a companheira enquanto me preparava para ir tomar banho, distraí-me e fechei a porta do banheiro em cima do meu polegar direito. A dor foi terrível, a unha ficou roxa e, pelo resto da viagem, toda vez que eu entrava em um dos bares, o barman preparava um copo com água e gelo para eu mergulhar o dedo latejante (a unha só foi cair em São Paulo, 1 ano depois). &lt;br /&gt;O incidente: nosso vôo de volta atrasou, e atrasou muito. Todos os vôos partiram, rumo a seus destinos, e o avião da Vasp lá, estacionado no pátio. Muito tempo e muito blá-blá-blá depois, nos deram uma desculpa esfarrapada e finalmente embarcamos. Então, revelou-se a verdade. Acontece que a Vasp estava devendo à Venezuela pelo sobrevôo de suas aeronaves pelo espaço aéreo do país e, por isso, fora proibida de voar sobre o território venezuelano, a menos que o pagamento fosse feito. A solução encontrada foi negociar e conseguir autorização da Colômbia para contornar toda a sua fronteira com a Venezuela e, assim, entrar em território brasileiro. O que foi feito; só que o nosso avião foi acompanhado, o tempo inteiro, por caças venezuelanos até a fronteira do Brasil. Emocionante, não? &lt;br /&gt;A viagem no Ecstasy fez parte de outra maior em que, além da rápida estada no México, estive nos Estados Unidos e percorri de trem uma parte da Europa; viagem que merece um capítulo à parte. Mas o cruzeiro, propriamente dito, se encaixa bem nesta narrativa. O Ecstasy, da Carnival Cruises, é um dos navios conhecidos como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;fun ships&lt;/span&gt; e irmão mais velho (e menor) do Carnival Destiny – que, em 1997, era o maior navio de passageiros do mundo, em tonelagem. &lt;br /&gt;Ao contrário dos navios que eu conhecera até então – clássicos, elegantes e, pode-se dizer, discretos – o Ecstasy, como os demais &lt;span style="font-style:italic;"&gt;fun ships&lt;/span&gt;, carece de bom gosto mas esbanja luxo e riqueza: profusão de cores e luzes feéricas, materiais diferentes e modernos, decoração esfuziante, enfim, um “must”, do ponto de vista americano. Acomodações confortáveis e espaçosas (raridade em se tratando de navios), ótima programação artística e social, serviço surpreendentemente correto e cordial, e – pasmem! – excelente cozinha internacional. O roteiro: saída de Miami; parada em Key West (o único lugar dos Estados Unidos onde existe um banco de corais, devidamente visitado em barco com fundo de vidro); um dia atravessando o Golfo do México; um dia em Cozumel/Tulum; um dia de retorno – vendo-se Cuba à distância. Apenas quatro noites, mas valeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do ano seguinte, surgiu uma oportunidade única, que fiz o possível para – e consegui – aproveitar: fiquei sabendo que o Rembrandt, o antigo e famoso Rotterdam, iria passar por Fortaleza (e embarcar passageiros) iniciando uma temporada de cruzeiros pela costa brasileira. Antes de aportar em Santos, faria escalas em Fernando de Noronha, Recife, Salvador e Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;O embarque, em Fortaleza, estava programado para uma quarta feira mas, devido a uma pane mecânica do navio, atrasou 24 horas. Embora lamentasse o dia a menos, continuei animado com a viagem. Meu objetivo maior era conhecer por dentro um dos transatlânticos mais famosos e ousados de sua época e que, apesar de não ser tão grande, ombreava-se em luxo, charme e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;glamour &lt;/span&gt;com gigantes como os Queen Elizabeth e Queen Mary, o United States e o France (depois, Norway). &lt;br /&gt;Maior navio construído na Holanda, o Rotterdam foi o capitânia, de 1959 até 1997, da Holland America Line e de toda a frota holandesa. Posto à venda porque o custo de sua adequação às normas atualizadas de segurança seria muito elevado, foi adquirido pela Premier Cruises (dona de outros clássicos, entre os quais, o Seawind Crown), e rebatizado como Rembrandt. &lt;br /&gt;A Premier teve a sabedoria de adaptar o Rembrandt aos novos tempos sem, no entanto, descaracterizar os principais diferenciais que deram fama ao Rotterdam: foram mantidos intactos espaços como o Queen’s Lounge e o Ocean Bar, o Ritz Carlton, o Ambassador Room e o Tropic Bar, o Smoking Room, os restaurantes Odyssey e La Fontaine, o teatro e a escadaria dupla, além da maioria das cabines. &lt;br /&gt;Assim, quase quarenta anos depois, embarquei praticamente no mesmo navio que, em sua viagem inaugural, transportou a Princesa (agora Rainha) Beatrix da Holanda até New York. A saída de Fortaleza, num final de tarde, foi muito bonita, até porque a cidade, vista a partir do mar, se revela ainda mais bela do que é. Ao desatracar, tendo-se emparelhado com o Royal Viking Sun, o Rembrandt mostrou todo o seu tamanho e imponência, fazendo bonito diante do outro, um navio muito mais moderno e luxuoso (...e caro). &lt;br /&gt;Originalmente, estava prevista uma escala de dois dias em Fernando de Noronha, onde – em função de regras de proteção ambiental – só é permitida a presença simultânea de um número limitado de visitantes. Mas, devido às 24 horas de atraso do navio, à necessidade de ser cumprida a data do primeiro cruzeiro programado a partir de Santos e, ainda, ao fato de que o Rembrandt estava apenas com meia lotação, uma negociação com a Secretária de Turismo de Pernambuco, que estava a bordo, fez com que fosse obtida permissão para que todos pudéssemos desembarcar no único dia em que permaneceríamos lá. &lt;br /&gt;Isto nos foi devidamente explicado, em reunião no salão de festas. Gostando ou não, a quase totalidade dos passageiros entendeu a explicação e aceitou a mudança de planos. Só que, para consternação de alguns (minha, inclusive) uma fulaninha metida a besta rodou a baiana pra valer, fez um tremendo escarcéu e ameaçou mover céus e terra para que fosse respeitado o programa original, “porque só tinha embarcado nesta droga de cruzeiro por causa da promessa de passar dois dias em Fernando de Noronha”. &lt;br /&gt;O bom é que, depois de toda essa confusão, ela acabou percebendo que os tais dois dias não valiam a briga nem o vexame. Belíssimo visual, paraíso dos mergulhadores, surfistas e eco-xiitas, Fernando de Noronha é detestável para quem gosta de conforto e aprecia mordomias. Eu, por exemplo, só pisei em terra para desembarcar do barco do passeio e embarcar no escaler de volta ao navio. Acho muito melhor assistir os documentários pela televisão. &lt;br /&gt;O porto do Recife (como os de Montevidéu e Buenos Aires), não permite que os passageiros apreciem a beleza da cidade. O centro fica um pouco distante, mais para o interior; e o bonito casario da Ilha do Recife, relativamente baixo, fica escondido por trás de guindastes, armazéns e outras construções utilitárias. &lt;br /&gt;Já a entrada da Baía de Todos os Santos é bonita, sim. Mas falta, definitivamente, um Pão de Açúcar para torná-la espetacular. Termo que define com exatidão a Baía da Guanabara e a chegada ao porto do Rio de Janeiro. Enquanto que o porto de Santos, coitado, é apenas o maior e mais movimentado do Brasil, e chega! &lt;br /&gt;As escalas nos portos citados, bem como toda a viagem, transcorreram sem maiores incidentes, a não ser por uma nova vacilada das caldeiras – que poucos perceberam, atrasou um tantinho a marcha do navio, mas não impediu que terminássemos o nosso cruzeiro numa boa, comigo curtindo adoidado (muito mais o Rotterdam do que o Rembrandt, já que esta foi a única chance que tive de conhecer e viajar em um legítimo representante da fase áurea das travessias transatlânticas).&lt;br /&gt;Depois fiquei sabendo que essa temporada de cruzeiros do Rembrandt, de cujo início participei, não foi das mais bem sucedidas, sendo crivada por uma série de pequenos e grandes problemas. As notícias posteriores deram conta de que o Rembrandt havia sido arrestado e estava retido em Barcelona, devido à falência da Premier e às dívidas de seus armadores. Lamentável.&lt;br /&gt;Entretanto, finalmente circulou uma boa notícia: adquirido por um grupo da cidade de Rotterdam, o Rembrandt foi rebocado para lá e, restaurado, recuperou o nome e voltou à sua grandeza original, permanecendo ancorado no porto, tal qual seu antigo companheiro de Atlântico Norte, o Queen Mary, hoje uma atração turística (e hotel) em Long Beach, na California. &lt;br /&gt;Tive, ainda o privilégio de navegar em um outro navio – digamos assim – “histórico”: o Pacific, de 1973. Na época em que carregava o nome “Pacific Princess”, serviu de palco principal para um seriado chamado “Barco do Amor”, cujo enorme sucesso foi grandemente responsável pelo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;boom &lt;/span&gt;e popularização dos cruzeiros marítimos, até então considerados dispendiosos demais e tachados de “coisa pra velhos”.&lt;br /&gt;Pequeno, hoje, diante dos atuais gigantes, o Pacific conserva ainda o charme de seus tempos áureos, estando surpreendentemente bem conservado e mantendo seus espaços praticamente intocados e reconhecíveis (para quem era fã do seriado na televisão). &lt;br /&gt;Embarquei no Pacific, no comecinho de dezembro de 2004, no primeiro cruzeiro da sua primeira temporada aqui no Brasil, para uma curta viagem com escala em Natal, ida a Fernando de Noronha, e volta para Fortaleza. &lt;br /&gt;Para não dizer que esse cruzeiro passou em brancas nuvens, aconteceu o seguinte: nas refeições, fui acomodado numa mesa juntamente com cinco senhoras de um mesmo grupo familiar, todas elas mais velhas que eu. Duas delas eram particularmente simpáticas e comunicativas, o que gerou na mesa um ambiente extremamente cordial e agravável. &lt;br /&gt;Éramos atendidos por dois garçons, um mais velho, outro mais jovem e muito bonito – o que fez dele o “queridinho” das senhoras. Uma bela noite, no lugar do jovem, apareceu uma moça para nos atender. Indagado, o garçom mais velho nos disse que ela era a namorada do rapaz e tinha vindo ocupar o seu lugar devido a uma crise de ciúme. Na saída do jantar, o fato rendeu comentários e foi motivo da minha grande &lt;span style="font-style:italic;"&gt;gafe&lt;/span&gt;. Querendo ser gracioso, disparei: “Também, com um bando de velhinhas ricas dando em cima do noivo dela...!” Nem cinco cálices de vinho do porto, a cinco dólares cada um, amenizaram a situação.  &lt;br /&gt;Apesar disso, foi um passeio rápido, mas delicioso. Achei Natal bastante agradável, bem mais do que na vez anterior que estive lá. E, desta vez, dispus-me a dar uma volta de buggy pela ilha de Fernando de Noronha, confirmando a impressão de que, apesar de bonita, linda mesmo, a ilha é pouco civilizada em termos de conforto e mordomias. &lt;br /&gt;Assim mesmo, seria muito capaz de fazer novamente esse mini cruzeiro. &lt;br /&gt;Para concluir honestamente o relato das minhas “navegações”, devo registrar os passeios de barco pelas baías de Guanabara e Todos Os Santos; pelo litoral de Fortaleza; pelo delta do rio Tigre em Buenos Aires; pelas ilhas da Baía Grande, em Parati e Angra dos Reis; pelo porto de Miami e para ver um banco de coral, no Golfo do México; em volta da ilha de Manhattan; em torno de Fernando de Noronha; pelos canais de Veneza e de Amsterdã; pelos lagos de Genebra e Zurique; e pelos rios Sena (Paris), Danúbio (Viena) e Reno (Colônia). &lt;br /&gt;Teria me dado bem como marinheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-3835968916340008796?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/3835968916340008796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=3835968916340008796' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/3835968916340008796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/3835968916340008796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#3835968916340008796' title='Navegar é preciso'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2609426164202545849</id><published>2008-04-02T11:25:00.009-03:00</published><updated>2008-04-12T20:26:53.966-03:00</updated><title type='text'>Intervalo comercial (II)</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;AS APARÊNCIAS ENGANAM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Durante anos, a Norton atuou como uma agência “quadrada’”, pesadona. Um belo dia, o Geraldo Alonso resolveu mudar isso e contratou o Laerte Agnelli para ser seu Diretor de Criação. Nessa época, o Laerte estava no auge do fama como diretor de arte, o que resultou em uma seqüência de convites de agências (as mais criativas de então) e, também, na sua justa fama de profissional “pula-pula”. Como já tínhamos trabalhado juntos na Standard, o Laerte me chamou para compartilhar com ele a tarefa de “modernizar” a agência. E, assim, lá fui eu de volta para a Norton, no final de 1968. &lt;br /&gt;Entre os clientes atendidos estava a Fundição Brasil, fabricante dos fogões Continental, que tinha sentido a ‘pancada’ originada pela campanha dos fogões Wallig (da qual eu tinha participado, mas nada a ver). Uma das primeiras tarefas, minha e do Laerte, foi, justamente, criar uma ‘campanha de combate’ para os fogões Continental 2001. A apresentação foi solene: eu, o Laerte e o Walter Moraes (diretor de atendimento) fomos introduzidos na sala de reuniões da Diretoria, onde a presença mais evidente era a ausência acintosa do dono do negócio, representado por um cadeirão (trono) vazio na cabeceira. Não sei por que, tínhamos acertado que eu faria a apresentação propriamente dita, e assim foi. Para facilitar, escolhi um dos diretores, sentado bem à minha frente, como ‘interlocutor’ e a ele me dirigi o tempo inteiro. Achei promissor o fato de que, cada vez que eu olhava para ele, recebia em troca um sorriso simpático, que eu retribuía. Senti-me o rei da cocada preta. Até perceber que o “sorriso” dele não passava de um esgar involuntário, fruto de um tique nervoso! Gelei. Mas, apesar disso, a campanha foi aprovada com louvor, e o que poderia ter sido um tremendo de um fiasco, acabou se transformando em um grande sucesso.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2609426164202545849?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2609426164202545849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2609426164202545849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2609426164202545849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2609426164202545849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2609426164202545849' title='Intervalo comercial (II)'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-5144389922701243220</id><published>2008-03-29T09:03:00.009-03:00</published><updated>2008-03-29T09:52:15.514-03:00</updated><title type='text'>Nova visita à Velha Senhora</title><content type='html'>Minha volta à Europa, sozinho, deu-se no final de 1975, em circunstâncias mais ou menos especiais. Havia me associado a uma agência de propaganda que estava começando e tentando se expandir (hoje, é uma das maiores) e tinha como cliente a editora de uma revista, atendida em regime de permuta. Numa negociação triangular, obtivemos crédito na forma de umas passagens aéreas – que um dos sócios quis usar para conhecer o México, e eu e a outra sócia preferimos usar para ir à Europa.&lt;br /&gt;Combinamos as datas para as viagens e, a mim, coube o mês de novembro, uma época não muito alentadora. Mas, caixeiro viajante nato, me preparei numa boa. Tendo direito a duas passagens, mesmo sendo solteiro, vendi uma delas para fazer caixa e, assim, ter dinheiro para hospedagem, alimentação, passeios etc. Quer dizer: foi uma viagem eminentemente “dura”. Mas tudo bem, vamos em frente.&lt;br /&gt;Eu não sabia que passaportes expiram e precisam ter seu prazo de validade renovado. Daí, não me preocupei com o assunto, até a hora em que a agência de viagens pediu meus documentos para emitir o bilhete que ia me permitir comprar os (poucos) dólares. Foi então que fiquei sabendo que meu passaporte estava vencido! Liguei para uma ex-colega de trabalho, também Investigadora de Polícia lotada no DEGRAN, e pedi socorro. Ela se prontificou a ajudar mas, como já era tarde, teria de ser só no dia seguinte, ou seja, na própria data da viagem.&lt;br /&gt;Morava, então, numa chácara fora de São Paulo. Na manhã seguinte, saí de casa de mala e cuia mas sem saber se iria mesmo viajar. Cheguei na repartição bem cedo, mas minha colega só apareceu depois das nove e meia. Corre pra lá, corre pra cá, mela dedo, fala com não-sei-quem, toma chá de cadeira mas, no fim das contas, deu certo. &lt;br /&gt;De passaporte novo, voei para a agência de viagens e de lá para o banco e, às quatro da tarde, faminto, larguei meu carro no estacionamento de Congonhas (minha sócia ficara com uma cópia da chave e iria apanhá-lo depois), fiz o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;check-in&lt;/span&gt; no balcão da Air France e peguei o ônibus para Viracopos. Muito chique, a empresa ofereceu serviço de bordo: um lanche com sanduíches e suco de frutas. Muito simpático e conveniente (e, para mim, bem a propósito), não fosse pelo fato de eu ter derramado metade do suco nas minhas calças! &lt;br /&gt;Sem alternativa, embarquei assim mesmo rumo a Paris. Nessa época, apenas a Air France operava o Boeing 747 aqui no Brasil (a Varig só tinha DC-10). Em conseqüência, o Jumbo não podia voar lotado, o que, para nós passageiros, significava mais espaço e conforto. &lt;br /&gt;Combinara com um amigo, que estava morando na Inglaterra, encontrar-me com ele e a esposa no Aeroporto Charles De Gaulle, para curtirmos juntos alguns dias na Cidade-Luz. Mas eles não apareceram e acabei tendo de me virar sozinho. Não foi de todo mau, e ainda teve uns lances interessantes. &lt;br /&gt;Consegui um quarto, até confortável e bastante em conta, na mansarda de um hotel na Rive Gauche. Tinha cama de casal, aquecedor (estava um gelo em Paris), banheiro com pia, ducha e bidê – mas sem sanitário! Havia dois destes no corredor, em cubículos tão pequenos que era preciso entrar “de ré” e sentar com os pés aparecendo por sob a porta (para que todos vissem se “tinha gente” ou não). O pior foi que, por conta de algo que comi, precisei usar urgente o sanitário e estavam ambos ocupados. O sufoco foi aumentando, aumentando até que resolvi apelar para o chuveiro mesmo e fazer o que tinha de ser feito. Que alívio! &lt;br /&gt;Nessa mesma estada em Paris, querendo tirar o atraso da vez anterior, tratei de sair à noite o maior número de vezes. Como já disse, fazia muito frio e, por não ter sobretudo, usava um terno novinho, que tinha mandado fazer para ser padrinho no casamento de uma sobrinha. O terno era roxo, e estava na última moda no Brasil. Mas, não na França. Resultado: indo conhecer a Place Pigalle, à noite, fui insistentemente abordado por travestis. No dia seguinte, comprei um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pullover &lt;/span&gt;de lã. &lt;br /&gt;Paris é deliciosa de todas as maneiras: a pé, de metrô, com ou (até) sem muito dinheiro, sozinho ou acompanhado, de qualquer jeito. Voltei ao Louvre e à Tour Eiffel, bati pernas pelos Champs Elysées e pelas avenidas da L’Etoile, assisti à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Histoire d’O&lt;/span&gt;, enfim, aproveitei essa minha estada ao máximo, embora com recursos limitados. Mesmo assim, e por indicação de um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chauffeur &lt;/span&gt;de taxi, provei uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Soup du Pêcheur&lt;/span&gt; tão sensacional que não tive o menor pudor de pedir bis. &lt;br /&gt;Após uma semana à francesa, atravessei o Canal Inglês (que os europeus insistem em chamar de Canal da Mancha) e fui para Londres, onde me hospedei em um hotelzinho próximo ao Hyde Park, simples porém aconchegante, e bem mais confortável que o francês (tinha até banheiro completo no quarto). Liguei para o meu amigo em Southampton (onde ele morava) e combinamos que no dia seguinte ele iria me apanhar de carro no hotel. Por coincidência, Southampton havia sido o grande e movimentado porto inglês, de onde partiam e chegavam os maiores e mais famosos navios do mundo (inclusive, o Titanic – lembram?). Mas, já então, movimentava quase que só cargas, praticamente, e só vez por outra é que ainda aparecia um transatlântico. Continua assim. &lt;br /&gt;Fiquei alguns dias na casa desse meu amigo e conheci, por terra, boa parte dos arredores. Inclusive Portsmouth (onde fica o HMS. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Victory&lt;/span&gt;, navio do Almirante Nelson, vencedor da batalha de Trafalgar); uma velha fortaleza romana ainda de pé (impressionante, a construção); e, apenas por fora, um castelo (que, no momento, estava sendo habitado pelo lorde e família) junto a uma pequena aldeia em cujo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pub&lt;/span&gt; almocei um delicioso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;roast-beef&lt;/span&gt; com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;plum pudding&lt;/span&gt;, como eu nem desconfiava existir na Inglaterra! &lt;br /&gt;Antes, ainda em Londres, eu já experimentara a cozinha inglesa em grande estilo. Perto do hotel em que me hospedara, havia um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pub &amp; restaurant&lt;/span&gt; chamado &lt;span style="font-style:italic;"&gt;The Black Lion&lt;/span&gt;. No bar, enquanto aguardava mesa e, depois, durante o jantar, um trio de violinistas tocava músicas do repertório cigano, inclusive, e a meu pedido, “Olhos Negros”, que eu adoro. Por conta disso e da comida, que estava excelente, deixei uma boa gorjeta, na verdade, acima das minhas posses. &lt;br /&gt;Pois bem. Quando voltei a Londres, na véspera de viajar para Amsterdã, hospedei-me no mesmo hotelzinho e fui jantar no mesmo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;The Black Lion&lt;/span&gt;. Qual não foi a minha surpresa e contentamento quando, ao entrar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;no pub&lt;/span&gt;, os violinistas pararam de tocar e me acompanharam até a mesa ao som de “Olhos Negros”. Foi a glória! &lt;br /&gt;Em Amsterdã, fiquei hospedado num hotel bem simples, num casarão típico da cidade: antigo, alto e estreito, à beira de um canal. E sem elevador. Apesar disso, fiquei razoavelmente instalado e ainda ganhei um brinde: no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;hall &lt;/span&gt;do hotel havia máquinas de fliperama e uma delas estava carregadinha de bolas extras, proporcionando-me jogo grátis até altas horas. &lt;br /&gt;Não pude conhecer melhor Amsterdã, porque cometi a asneira de reservar muito pouco tempo para ela e, por azar, o museu que eu mais queria ver – o de Rembrandt – estava fechado para reformas. Mas, passeei de barco pelos canais; empanturrei-me de comida num restaurante indonésio e num italiano; um bêbado achou que eu era holandês e ofendeu-se por eu não saber conversar com ele na sua difícil língua (a confusão só não foi maior porque o barman interveio e esclareceu as coisas); e meti-me, literalmente, numa fria. &lt;br /&gt;Perambulando à tarde pelas redondezas do hotel, dei de cara com uma sáuna. O frio estava de rachar, e pensei: “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ici est bon soir&lt;/span&gt;.” Entrei e fiquei à vontade, num calor verdadeiramente nordestino. Após suar um bocado, resolvi acompanhar um holandês que saiu da sáuna e jogou-se na piscina. Pra quê?! A água estava tão gelada, que meu mergulho durou só o tempo de achar uma borda, sair e correr de volta para o calor, debaixo de uma gargalhada geral. &lt;br /&gt;De Amsterdã, voei para Munique, uma cidade alegre, calorosa (mas não quente, muito fria) e bem diferente do que eu imaginava ser uma cidade alemã. Foi lá que travei um diálogo quase surrealista com o recepcionista do hotel. Hospedei-me antes do almoço e me instalaram num apartamento bastante confortável, com um ótimo aquecimento central, banheiro completo e tudo – menos toalhas de banho. Liguei para a portaria e pedi toalhas, pois desejava tomar banho. Resposta: “Nevou a noite passada”. Falei que tudo bem e insisti no pedido de toalhas; o recepcionista insistia em dizer que havia nevado, querendo dizer que estava frio demais para se tomar banho. Só com muita insistência da minha parte ele concordou, mesmo assim a contragosto, em fornecer as toalhas.&lt;br /&gt;Banho tomado, saí para almoçar. Nessas alturas, era bastante tarde e quase todos os restaurantes já estavam fechados, ou fechando. Até que, finalmente, dei de cara com uma espécie de cantina ainda aberta. Entrei, e logo percebi que ali ninguém falava outra língua, a não ser alemão. Peguei o cardápio e fiquei olhando com cara de tacho para aquele monte de letrinhas (para mim) sem sentido. Só consegui decifrar uma palavra – kotelet – que pedi ao garçom, apontando, e até que gostei muito. Só que, ainda hoje, não sei de “quê” eram as tais costeletas. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mit reis&lt;/span&gt;, se faz favor! &lt;br /&gt;Munique é moderna, vibrante, parte (menos famosa mas não menos charmosa) do circuito da moda, com imensas galerias subterrâneas de lojas comerciais e de serviços, além de ser a sede da matriz (e museu) da famosa marca de automóveis BMW – que significa exatamente Bayern Motor Werke. &lt;br /&gt;A cidade foi capital do reino da Baviera, onde reinou, absoluto, Ludwig II (entre outras coisas, protetor de Wagner, o genial compositor). Munique – e todo o reino – está cheia de lembranças do monarca louco, seus antepassados e sucessores. Entre elas os castelos de Neuschwanstein – delírio que inspirou a Walt Disney o castelo da Cinderela – e Nymphenburg, um belo e luxuoso palácio cheio de riquezas e de obras de arte, e que pretendia (embora não conseguisse) rivalizar com Versailles.  &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mandado construir pelo rei Luís XIV da França, o Palácio de Versailles tornou-se o paradigma inconteste de todos os demais palácios reais da Europa.  Praticamente cada monarquia européia construiu a própria versão do inimitável palácio francês. Quem mais se aproximou desse intento, sem dúvida, foram: a Áustria dos Habsburgos, com o maravilhoso Palácio de Schönbrunn, erguido junto a Viena; e a Rússia, de Pedro o Grande e Catarina II, onde foi construído o deslumbrante Peterhof, perto de São Petersburgo.&lt;br /&gt;Mas há outros fortes candidatos – como, igualmente na Baviera, o Herrenchiemsee (erguido por Ludwig II, até hoje inacabado, mas dotado de uma belíssima Galeria dos Espelhos, maior até que a de Versailles); ou o belo Reggia Caserta, no reino de Nápoles, que a dinastia local dos Bourbon transformou no Versailles italiano. Até o relativamente pequeno mas refinado Palácio de Queluz (onde nasceu e morreu o nosso imperador Dom Pedro I), em Portugal. E, ainda, uma coleção de outros “pretendentes”, uns com mais, outros com menos motivos para tal. A lista é extensa. &lt;br /&gt;Mas, apesar de toda a fama, suntuosidade e riqueza, e ao contrário do que muitos pensam, Versailles não é o maior palácio real da Europa Ocidental. &lt;br /&gt;Esse posto pertence ao Palácio Real de Madrid, com seus 135.000 m², fachadas medindo 130 metros de lado por 33 de altura, três andares (e quatro entrepisos, entre os andares principais), 870 janelas e 240 balcões. Seus espaços internos também são grandiosos, como o Salón del Trono e o Salón Comedor, cuja mesa tem capacidade para até 145 comensais! No total, são cerca de 2.800 aposentos (em alguns dos quais, ninguém entra há anos).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;De Munique, segui para Milão num Boeing 737 da Lufthansa. O vôo deveria ter sido curto (pouco mais de meia hora) mas, por conta não sei de que, sobrevoamos Milão durante quase duas horas, o que “incrementou” o serviço de bordo: foi servido suco de laranja, complementando o lanche (dois sanduichinhos sem gosto e meio suco), que cada passageiro havia pego em um saquinho plástico, de uma arara colocada na saída da sala de embarque, no aeroporto de Munique. Um belo exemplo das mordomias oferecidas nas viagens internacionais. &lt;br /&gt;Milão, a grande rival de Paris no campo da moda, não tem rivais quando se trata de design industrial e ousadias decorativas. Mas, por ser uma cidade milenar, ainda do tempo dos romanos, acumulou inúmeros atrativos arquitetônicos ao longo dos séculos. Como a maravilhosa e incomparável catedral gótica, conhecida como “Il Duomo”; a majestosa e fervilhante Galeria Victorio Emanuele, aonde todo mundo vai ou, pelo menos, passa por ela; o mundialmente famoso teatro “Alla Scala”, palco de grandes manifestações artísticas musicais; o imponente castelo “Sforzesco”, palco de acontecimentos históricos e onde um pilantra tentou enganar-me com o joguinho das 3 nozes (e danou-se porque eu não “caí”); e pátios medievais, mais ou menos escondidos, onde a gente se sente passageiro de uma máquina do tempo e descobre lugares incríveis, como antiquários, restaurantes e lojinhas transadas. &lt;br /&gt;Em Milão se come o legítimo “bife a milanesa” que, óbvio, não parece em nada com o que a gente está acostumado (assim como a “pizza napolitana” tem muito pouco a ver com a que se come em São Paulo – talvez o formato, redondo). E foi em Milão que me deparei com um restaurante chamado “Gran Maracaña” – assim mesmo, com o til no ene – que proclamava servir a autêntica feijoada carioca (só no nome, só no nome) acompanhada de caipirinha. O dono, um italiano de meia idade, disse-me haver tido “um primo que morou em São Paulo” e, por isso, se considerava (ele, não o primo) um expert em comida brasileira. Acredite quem quiser. &lt;br /&gt;Em cerca de uma hora cobre-se a distância aérea de Milão até Veneza. E muda-se, verdadeiramente, do vinho para a água. &lt;br /&gt;Veneza é incrível, deslumbrante, única! A verdadeira Cidade Maravilhosa (que me perdoem os cariocas, o Rio de Janeiro e todos os seus fãs). Indescritível. Tanto, que não vou nem tentar fazê-lo; procurarei apenas transmitir os sentimentos e impressões que tive ao conhecê-la. &lt;br /&gt;Havíamos deixado Milão bem cedo, portanto desembarquei no aeroporto de Veneza antes das 10 da manhã de um dia ensolarado (apesar da época do ano). Fui de ônibus, como os demais passageiros, até o terminal, uma espécie de entreposto onde todos deixam de ser animais terrestres e passam a ser anfíbios. Contratei uma lancha-taxi para me levar ao hotel, e lá seguimos nós por um labirinto de estreitos canais entre construções antigas até que... de repente, desembocamos no Gran Canale, a espetacular “avenida principal” de Veneza, onde se localiza a maioria dos palácios da cidade (lá chamados de “Ca” – provavelmente uma variante de “casa”), alguns adaptados como hotéis, caso do Hotel Europa &amp; Britannia, onde me hospedei. &lt;br /&gt;Alguém havia me aconselhado a, em Veneza, investir um pouco mais para ficar num bom hotel, ao invés de em pensões pouco atraentes. Aceitei o conselho, mas não sei se fiz certo. De fato, o Europa &amp; Britannia, instalado em dois antigos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;palazzi &lt;/span&gt;adaptados, era um luxo só, o hotel mais luxuoso em que já estive. Tal luxo, porém, não condizia com as minhas finanças, de modo que me limitei a tomar dois únicos drinques em seu bar, pagando o preço de seis ou sete doses de uísque “lá fora”! Mesmo assim (e porque gosto do que é bom) curti bastante o lugar. &lt;br /&gt;Apesar de haver cumprido todo o receituário turístico de Veneza, deixei de fazer duas coisas: não fui ao Lido (cheguei a atravessar o canal num “vaporetto” mas, chegando lá, desisti e voltei imediatamente para Veneza – o Lido é sem graça; bom, talvez agrade a novos ricos americanos). E, acreditem, não passeei de gôndola! Aliás, com aquela garoa e aquele vento gelados, como eu, pouca gente se disporia a fazer isso. No entanto, achei delicioso perambular à toa, margeando canais onde havia sempre barcos e gôndolas passando. E me lembrando das histórias contadas pelo Gigio, um simpático veneziano dono de um restaurante no Brás, em São Paulo. Por exemplo: no final da II Guerra, quando os “salvadores” americanos apareceram aos montes, os “ragazzi” os empurravam na água e, a pretexto de salvá-los, mergulhavam atrás e os aliviavam de carteiras, óculos, relógios, tudo! &lt;br /&gt;De uma certa forma, fui vítima de golpe semelhante, pois, apesar de haver contratado e pago (caro), previamente, o traslado de barco até o aeroporto, onde também existe um cais, fui simplesmente abandonado no terminal rodo-ferroviário (e, se tivesse ficado discutindo, teria perdido o ônibus e o avião para Roma).  &lt;br /&gt;Roma foi a última etapa dessa minha viagem, antes do regresso ao Brasil via Paris. Desta vez, procurei me libertar um pouco do circuito histórico (do qual, por sinal, eu gosto muito) e visitei lugares como a antiga Vila Olímpica e os estúdios da “Cinecittá” onde, com um pouco de imaginação, quase dava para assistir às filmagens de épicos em cujos terremotos rolavam pedras de isopor, ou então cruzar com gladiadores a caráter usando relógios de pulso. Também me dispus a dar um pulinho até Nápoles para ver o Vesúvio, ao menos de longe. &lt;br /&gt;Comprei uma passagem de trem na segunda classe (na Europa, isto não é demérito algum) e instalei-me numa confortável cabine para seis. Nela já estavam um padre e uma dupla formada por pai e filho adolescente. Sentei na poltrona do corredor, de frente para os dois, portanto ao lado do padre. Quando o trem estava prestes a partir entrou uma típica “nonna”, de vestido preto e xale na cabeça, e se aboletou bem na minha frente. &lt;br /&gt;Primeiro, tentou conversar com o padre, que rapidamente puxou o breviário e começou a rezar; depois, virou-se para os dois a seu lado, que de repente ficaram fascinados pela paisagem lá fora; aí, sobrou para mim. Ela começou a desfiar uma história comprida, e zangada, pelo que deu para entender, envolvendo parentes seus. Fingi algum interesse, meneando a cabeça e murmurando “prego” de vez em quando, até que, a certa altura, ela exigiu um pronunciamento formal da minha parte. Nunca aprendi italiano, mas, ainda assim, consigo me comunicar razoavelmente bem. Só que, dialeto napolitano, e naquela velocidade, não dava! Então, apelei: encolhendo os ombros e fazendo um gesto qualquer, tasquei um “don’t understand” que deixou a pobre da velha amuada e calada o resto da viagem. &lt;br /&gt;Minha passagem por Nápoles foi rápida e pitoresca, envolvendo um divertido passeio de ônibus (detalhes em outro local), alguma andança, um almoço decepcionante (prefiro as pizzerias paulistanas), a visão longínqua do Vesúvio, a desistência de conhecer Capri – não dava tempo e o mar estava bravíssimo, e a visão de duas cenas incríveis e hilárias. Numa ruela, duas velhas conversavam agachadas enquanto se desfaziam tranqüilamente do excesso de líquido de seus corpos; e no fosso que rodeia o Castello Maschio Angioino, antiga fortaleza do porto, um velho urinava absolutamente alheio a toda a movimentação à sua volta. Depois fiquei sabendo que, lá, isso é normal. &lt;br /&gt;Voltei a Roma nesse mesmo dia pois, no seguinte, tinha de seguir para Paris, e de lá voar para São Paulo. Passei pela agência da Air France, onde fiquei sabendo que precisava fazer nova reserva, pois a que havia feito no Brasil fora cancelada. Tinha marcado a volta num vôo (de 747) que saía de Paris pela manhã; mas, como não tinha outro jeito, fiz reserva para o Boeing 707, noturno. &lt;br /&gt;A ida de Roma a Paris estava marcada para o início da noite, num Caravelle da Air France. Cheguei a Fiumicino no horário, mas o vôo foi que atrasou: mais de duas horas, para ser preciso. A demora, porém, foi compensada pelo serviço de bordo excepcional, incomum em trechos como o de Roma a Paris. &lt;br /&gt;Desembarcamos no Charles de Gaulle já quase meia noite. Como, no corredor, havia um quiosque da Air France ainda aberto, achei melhor re-confirmar a minha reserva, para não dar mais galho. Surpreso, fiquei sabendo que eu tinha duas reservas confirmadas e, precisaria escolher com qual delas ficaria. Embora a Air France pagasse meu hotel, já estava com muito pouco dinheiro e não pretendia passar um dia inteiro em Paris sem poder gastar. Por isso, optei pela primeira reserva feita, ou seja, pelo vôo diurno. &lt;br /&gt;Fui levado para um hotel no próprio aeroporto, luxuosíssimo, totalmente isolado acusticamente mas, infelizmente, sem frigobar disponível. Tudo bem. No dia seguinte bem cedo já estaria voando de volta para casa. Se eu achava, porém que minha viagem à Europa acabava ali, estava muitíssimo enganado. O “gran finale” aconteceria, de fato, no próprio vôo de volta. &lt;br /&gt;Eu conto. Por ser meio de semana (acho que uma quarta feira) o Jumbo da Air France estava ainda mais folgado do que na ida. Alojei-me na última cabina e dispus de uma fileira inteira de assentos somente para mim; na mesma cabina, mais umas quinze, vinte pessoas no máximo. Entre elas, um par de jovens diplomatas senegaleses (ainda não tinham &lt;span style="font-style:italic;"&gt;status &lt;/span&gt;para 1ª Classe) e, na fileira de assentos bem à frente, quatro “estrelas” das &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dzi Croquettes&lt;/span&gt;, um grupo de travestis brasileiros que fazia shows (e algum sucesso) na Europa. Um deles, de nome artístico Paolette, era o mais “cheguei” (depois, até trabalhou como comediante na TV Globo).&lt;br /&gt;Enquanto o avião taxiava na pista rumo à cabeceira, o comissário da nossa cabina distribuía jornais e revistas. Quando ele chegou diante da Paolette, deu-se a comédia: a bicha soltou o cinto de segurança, levantou-se, botou as mãos na cintura e, literalmente, berrou pra todo mundo ouvir: “Queriiida! Você nunca me disse que era aeromoça da Air France!!!” Os jovens diplomatas embranqueceram de susto; e o pobre rapaz ficou amarelo, vermelho, roxo, e sumiu de vista durante o resto da viagem. (Escândalo semelhante, só o causado por outra &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dzi Croquette&lt;/span&gt;, que queria por fina força usar o toalete feminino no aeroporto de Dakar, no Senegal. Quase foi presa.)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Et c’est fini&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-5144389922701243220?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/5144389922701243220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=5144389922701243220' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/5144389922701243220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/5144389922701243220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#5144389922701243220' title='Nova visita à Velha Senhora'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-91077360125324160</id><published>2008-03-22T19:53:00.008-03:00</published><updated>2008-03-22T21:04:01.893-03:00</updated><title type='text'>Um valor mais alto se alevanta</title><content type='html'>Tive um colega de turma, muito rico, que ia à Europa com a mesma facilidade com que nós, pobres mortais, íamos ao cinema. Mas, sendo igualmente tão simples quanto rico, ele nos contava detalhes de suas viagens sem nenhum traço de esnobismo, por puro encantamento! Isso despertava em mim uma tremenda vontade de conhecer o velho continente, o que (por não ter meios para tanto) eu sublimava lendo, a respeito, tudo o que me caísse nas mãos, incluindo clássicos da literatura, como Charles Dickens, Eça de Queiroz, Balzac, Tolstói e outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, no começo dos anos 70, vislumbrei a possibilidade de realizar meu desejo, pus de lado minha paixão por navios e meu amor por Buenos Aires, dedicando-me inteiramente a planejar meu roteiro turístico europeu. Mais ainda: decidi levar minha mãe junto comigo. E se isto, de certa forma, atrapalhou (ou adiou) algum dos programas possíveis, em compensação deu-me, e conservo com orgulho, o enorme prazer de ter proporcionado a ela uma satisfação de tal quilate! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, todos os vôos internacionais partiam do Galeão, no Rio de Janeiro. Como eu morava em São Paulo, minha mãe no Ceará e uma das minhas irmãs morava no Rio, combinamos que mamãe iria para o Rio e, na minha “passagem”, embarcaria de lá mesmo. Assim foi. Na noite de 30 de março de 1972, dia do 1º Grande Prêmio (não oficial) de Fórmula 1 em Interlagos – vencido pelo Carlos Reutmann, e no mesmo vôo em que quase todos os pilotos regressavam à Europa –, eu e minha mãe embarcamos no Boeing 707 da Varig rumo a Londres, nossa primeira escala. E as coisas começaram a acontecer lá mesmo, no avião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O serviço de bordo da Varig, então, era conhecido por sua excelência, mesmo na classe econômica. Canapés de salmão, caviar e outros quetais eram servidos antes do jantar, acompanhando os aperitivos. Minha mãe aceitou o uísque oferecido pela comissária, que em seguida começou a preparar minha dose. Foi aí que se deu a coisa. Mamãe me cutucou e disse: “Fernando, o canudinho está entupido; eu chupo, chupo, e sai bem pouquinho!” Não precisa dizer que ela estava sugando o mexedor da bebida, precisa? (A pobre da aeromoça quase tem um ataque apoplético, tentando segurar o riso. E eu guardo até hoje a “prova do crime”.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em Londres e pegamos um táxi que nos levou para o hotel reservado: quase de luxo, muito confortável e bem localizado. Acontece que a reserva foi interpretada como sendo para “Mr. &amp; Mrs. Portela” e, portanto, foi-nos destinado um quarto com cama de casal! Imediatamente liguei para a portaria, a fim de desfazer o mal-entendido, apesar da opinião contrária da minha mãe: “Assim tá bom, meu filho! A cama é grande, cabe nós dois.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita a mudança, e já quase noite, saímos para dar uma volta e comer alguma coisa nas redondezas. Como estávamos em plena Páscoa, as ruas estavam semi desertas e pudemos caminhar calmamente, sem atropelos (nos dias seguintes, já não foi bem assim...). Cansados da longa viagem, voltamos cedo ao hotel e fomos nos preparar para dormir. &lt;br /&gt;Liguei a TV, peguei um roteiro semanal e, acomodando-me para esperar a vez, disse à minha mãe para usar o banheiro. Logo ela aparece no corredor, acena para mim e fala com uma pronúncia estranha: “Fernando, vem cá!” Pergunto por que, e ela insiste: “Vem aqui, ligeiro!” Vendo-a fisicamente bem, levantei-me sem pressa e me aproximei dela que, apontando para a porta do banheiro, completou: “Minha dentadura caiu no vaso!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riso foi incontrolável, a ponto de eu quase me jogar no chão. Ela, que a princípio quis se aborrecer, acabou por juntar-se a mim nas gargalhadas. Ainda bem que os vasos ingleses são diferentes dos nossos: têm uma espécie de plataforma onde o material estaciona antes de ser descarregado; na ocasião, essa tal bacia estava limpa, de modo que, pra minha sorte, eu pude pegar a prótese sem ter de enfiar a mão em água suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, tive de me vestir novamente, descer, procurar uma farmácia e comprar um frasco de Odol, para deixar a dentadura de molho a noite inteira. Daí porque minha mãe desgostou da comida inglesa além do que seria normal: para ela, tudo tinha “o mesmo gosto de hortelã”. Uma opinião que, apesar de largamente compartilhada, não faz jus de fato à autêntica culinária britânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após nosso tour londrino, atravessamos o canal e desembarcamos em Paris, toujours Paris! Lá, mamãe teve de reaprender a atravessar as ruas, já que uma semana em Londres havia sido o suficiente para acostumá-la à mão inglesa. Mas isto não nos impediu de cumprir o roteiro de visita a todos os principais pontos turísticos da cidade e arrondissments, incluindo Notre Dame, Torre Eiffel, Sacre Coeur, Louvre, Opera, Versailles e, naturalmente, Printemps e Galleries Lafayette.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moulin Rouge, Place Pigalle, Lido e outras atrações noturnas, nem pensar! Mamãe se recusava terminantemente a sair à noite e nos fazia regressar ao hotel logo que o sol se punha (felizmente, lá pelas nove horas), admitindo, no máximo, uma rápida ida a algum restaurante próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, lá fomos nós Europa afora, conhecendo tudo o que era possível conhecer no pouco tempo que dispúnhamos e em plena luz do dia. Após rápida passagem por Zürich (onde mamãe cometeu a proeza de descobrir uma igreja católica e assistir à Missa), chegamos a Roma para, entre outras coisas, “ver o Papa”. E para isso nos programamos. &lt;br /&gt;Aconselhados pelo concièrge do hotel, acordamos cedo no Domingo e fomos para o Vaticano, onde conseguimos lugares numa das primeiras (e poucas) fileiras de assentos da Igreja de São Pedro. E, bem antes do horário habitual da Missa Solene (cerca de 11 horas), toca a assistir a um verdadeiro desfile de prelados purpurados e coroinhas (um mais lindo que o outro – cala-te boca!), mas nada de o Papa aparecer. Até que, lá pelas tantas, um porta-voz nos informa que o “Santo Padre encontrava-se indisposto e, portanto, a Missa Solene seria celebrada pelo Cardeal...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que decepção! O pior é que, como mamãe não havia comungado ainda, e queria fazê-lo, eu tive que assistir a mais uma Missa, acho que a terceira ou quarta só naquela manhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer da semana, voltamos ao Vaticano, desta vez para ver as obras de arte, ocasião em que mamãe saiu-se com uma das suas (e das boas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligando duas alas de museus, há uma passagem conhecida como Galeria das Estátuas, com obras de vários períodos, a maioria de mármore, entre as quais alguns nus gregos e romanos. Um Papa (não sei qual) cheio de pudores determinou que todas as partes pudendas fossem cobertas por folhas de parreira esculpidas no mesmo material que as estátuas. Algumas folhas se encaixaram direitinho, mas outras ficaram em posições um tanto “esvoaçantes” porque o artesão que cumpriu a ordem papal fez questão de não mutilar nenhuma das estátuas masculinas. E mamãe fez questão de conferir, uma por uma, olhando por baixo de todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escala seguinte, também rápida, foi na agradável cidade francesa de Nice, à beira do Mediterrâneo, da qual guardo uma recordação gastronômica especial: um maravilhoso coq-au-vin preparado pela própria dona de um simpático restaurante (desses que as pessoas alardeiam como descobertas “suas”). Mas, guardo também a frustração de não ter aproveitado a estada para conhecer Mônaco, ali bem pertinho. &lt;br /&gt;Nossa ida de Nice para Lisboa aconteceu no dia do aniversário da mamãe. Após uma escala em Barcelona, chegamos a Lisboa ainda antes da hora do almoço, quando procurei “fazer a cabeça” de mamãe para irmos a uma casa de fados comemorar a data. O argumento dela (de não querer sair à noite por medo de se perder e não saber falar a língua) deixou de valer em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, perdi meu tempo achando que estava tudo OK. Na hora de nos arrumarmos para sair, ela me pediu seu “presente” de aniversário: jantarmos ali mesmo, no hotel! Fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esmola grande, cego desconfia”. Isto é o que eu deveria ter feito diante da atraente sugestão da agência que cuidou da nossa viagem à Europa: se aceitássemos voltar ao Brasil pela British Caledonian (uma empresa britânica que existia então), além de um desconto especial, ganharíamos um dia inteiro, em Casablanca, Marrocos, com tudo pago, incluindo hospedagem em hotel de primeira e jantar típico especial. &lt;br /&gt;O jantar houve, sim, e muito bom. O resto, tudo balela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em Casablanca no final da tarde e, primeira decepção: fomos hospedados numa espelunca de terceira ou quarta categoria, tão barra-pesada que o próprio porteiro nos recomendou colocar algum móvel diante da porta, na hora de dormir! Protestei, esperneei, mas não houve jeito – tivemos que nos acomodar lá mesmo. Depois, fomos conduzidos (a pé!) para o restaurante onde haveria a tal refeição típica. Foi a única promessa cumprida: o jantar – carneiro guisado com cuscuz marroquino, servido numa imensa bandeja de cobre, carregada por quatro homens – estava, de fato, magnífico: farto, suculento, saboroso. Fui dormir saciado mas preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, nós (e mais um grupo de passageiros) ficamos largados ao léu, sem ninguém para nos apoiar e orientar. A muito custo, e após discussão brava por telefone, consegui que o agente local da British Caledonian nos alugasse um (1 só) quarto no Hotel Washington, melhorzinho e mais bem localizado, para que pudéssemos, pelo menos, ter um ponto de referência onde esperar o vôo para o Brasil (que só sairia à meia noite) e onde as senhoras tivessem um lugar em que repousar e “retocar a maquiagem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inexplicável é que, no aeroporto, encontramos outro grupo de brasileiros, a quem haviam sido cumpridas todas as promessas feitas: hotel de primeiríssima (de luxo mesmo), city-tour, assistência permanente e tudo o mais. Até hoje, não deu para entender e, muito menos, para perdoar. Minha vingança foi nunca mais aceitar voar em qualquer companhia aérea britânica, e sempre falar mal delas, pois o serviço de bordo na classe econômica, além de desatencioso, é tristemente famoso pela má qualidade (o que foi comprovado por nós naquele vôo de volta para o Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe desembarcou no Galeão e eu prossegui para Viracopos, em São Paulo. Mas, para completar a história, nervosa porque o pessoal que iria recebê-la atrasou-se para chegar ao aeroporto, minha mãe deixou cair (e quebrar) duas garrafas de Scotch compradas na Duty Free. Que desperdício!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-91077360125324160?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/91077360125324160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=91077360125324160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/91077360125324160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/91077360125324160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#91077360125324160' title='Um valor mais alto se alevanta'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-582125872399005948</id><published>2008-03-19T18:11:00.007-03:00</published><updated>2008-04-12T20:29:48.351-03:00</updated><title type='text'>INTERVALO COMERCIAL</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(BEM LIGEIRINHO)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Na revista Veja desta semana (data de hoje), o Roberto Pompeu de Toledo inicia o seu ensaio com a seguinte afirmação:&lt;br /&gt;“Yes, we can” (Sim, nós podemos) é o slogan de maior sucesso da temporada, nos Estados Unidos. Está escrito nos cartazes do candidato Barack Obama e é entoado em coro por seus partidários.&lt;br /&gt;Claro que é coincidência – elas existem, pode crer – mas no início dos anos 70, esse mesmíssimo slogan (em português, of course) foi adotado pela TV Record (que ainda pertencia aos Machado de Carvalho), posicionando-se em sua luta pela audiência face à já poderosa Globo. &lt;br /&gt;O engraçado é o modo como esse slogan foi apresentado à TV Record. Nessa época, os layouts ainda eram ilustrados à mão e o bloco de texto representado por traços (nem se pensava em Macs, PCs e quetais) – com a rara exceção de algumas agências (dentre elas, a Hot Shop), que se esforçavam em encontrar fotos que expressassem a idéia e simulavam a massa de texto recortando e aplicando textos publicados em revistas e outros impressos.&lt;br /&gt;Assim, quando fomos fazer o anúncio da transmissão do Oscar (na ocasião, importante arma da Record contra a Globo), pusemos debaixo da assinatura da emissora, uma linha de texto no lugar do slogan. Esse linha foi extraída de um folheto de um outro cliente, feito na forma de perguntas e respostas. E dizia, exatamente, isso: “Sim, podemos”. O Paulinho Machado de Carvalho, ao ver o layout, apaixonou-se imediatamente pela frase que, segundo ele, era justo o que transmitia o que ele estava tentando dizer ao mercado. &lt;br /&gt;E, assim, adotou o dito slogan até que, creio eu, a Record foi negociada com um outro grupo (ainda não era a Universal) e mudou tudo lá dentro. Plim-Plim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-582125872399005948?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/582125872399005948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=582125872399005948' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/582125872399005948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/582125872399005948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#582125872399005948' title='INTERVALO COMERCIAL'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-2360033710126836559</id><published>2008-03-17T08:02:00.005-03:00</published><updated>2008-03-17T08:23:39.808-03:00</updated><title type='text'>Mi Buenos Aires querida!</title><content type='html'>&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;          &lt;br /&gt;           Certa vez –não lembro onde– li que há cidades que, além de belas, são cordiais, abertas, generosas; enquanto que outras, como algumas mulheres, só se entregam a quem souber insinuar-se em sua intimidade, apreciar seus encantos ocultos, seduzi-las no que têm de mais feminino. Revelam-se, então, extremamente sedutoras e encantadoras como poucas.   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Entre estas, tenho a certeza, está Buenos Aires. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em fevereiro de 1967, ao chegar à cidade pela primeira vez, a bordo do Rosa da Fonseca, minhas expectativas não eram das mais empolgantes: a escala &lt;st1:personname productid="em Buenos Aires" st="on"&gt;em Buenos Aires&lt;/st1:personname&gt; era apenas a última (e a mais prolongada) de um cruzeiro marítimo que eu estava realizando – este, sim, a primeira grande viagem de lazer da minha vida! Mas, as passagens por Montevidéu e Mar Del Plata, rápidas porém muito gostosas, haviam sido apenas aperitivos para que fosse melhor apreciado o sabor de Buenos Aires, diferente de tudo o que costuma oferecer o cardápio turístico latino americano. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Na saborosa definição de algum maldoso, “argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”. Por maior que seja a nossa vontade de concordar com isso, o fato é que, “antes que aquilo lá se transformasse numa Argentina”, Buenos Aires era o lugar mais próximo da Europa que um brasileiro poderia chegar sem ter de atravessar o Oceano Atlântico. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E como era gostoso, aquilo lá! Metrô; quatro estações do ano definidas; gente saudável e elegante; ruas de pedestres; cafés ao ar livre; livrarias mil; ópera, teatros e discotecas; galerias de arte e de lojas; chá às cinco; feiras e ruas de antiquários; carnes, lãs e couros de primeiríssima qualidade; uma filial da Harrod’s londrina; praças e parques bem cuidados; até cemitério com nome de bairro chique: &lt;st1:personname productid="La Recoleta. E" st="on"&gt;La  Recoleta. E&lt;/st1:personname&gt; insuspeitadas “tanguerias” escondidas fora do circuito 3-4-8 – e onde só havia (tomara que continue havendo) uma única posição para se ouvir o melhor do tango: de joelhos, em êxtase.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Parte disso eu descobri já naquela primeira estada. Mas, insatisfeito com o pouco tempo disponível, e adivinhando tudo o mais que ainda havia para descobrir, desde então voltei seguidamente a Buenos Aires. E cada uma dessas voltas propiciou novas descobertas e proporcionou gostosas recordações. Como um refinado jantar no Restaurante Swissair (da empresa aérea, sim!) e o fabuloso pernil de javali do Clark’s (degustado com a “ajuda” de um autêntico vinho francês). Ou coisas tão singelas quanto a latinha de balas &lt;i style=""&gt;Corazoncitos de Amor&lt;/i&gt;, ganha de brinde num antiquário onde eu havia feito compras. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Numa das viagens, e por sugestão de um motorista de taxi, fui ao Caño 14, uma daquelas “tanguerias” que os &lt;i style=""&gt;porteños&lt;/i&gt; reservam para uso próprio. Assisti então ao melhor show de tangos que já vi na vida, no qual (só para se ter uma idéia do nível do espetáculo) a grande atração artística da casa noturna mais badalada de Buenos Aires era, apenas e tão somente, um mero coadjuvante! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Também há lembranças bem humoradas – como na vez em que eu e uma colega fomos ao bairro típico de &lt;st1:personname productid="La Boca. Como" st="on"&gt;La Boca. Como&lt;/st1:personname&gt; sofro da coluna e minha companheira estava a fim de “bailar la bamba”, achei apenas normal ela aceitar o convite para dançar com um &lt;i style=""&gt;muchacho&lt;/i&gt;. Mas isto foi razão bastante para que, indignada, uma das matronas argentinas presentes botasse a boca no mundo e censurasse minha colega em alto e bom som. (Tempos depois, num cruzeiro pelo Caribe, essa mesma colega também protagonizou novo mal entendido. Depois eu conto.) &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De outra vez, o incidente engraçado aconteceu em jantar oferecido pela empresa aérea pela qual viajávamos. Nessa excursão classe AA, promovida pelas Aerolíneas Argentinas, hospedamo-nos em hotel cinco estrelas, todos os city-tours estavam incluídos e ainda havia o tal jantar grátis, de despedida. Mas o grupo era heterogêneo: incluía um par de bichas pobres, bem simplezinhas, e mais dois casais comandados por &lt;i style=""&gt;Conchettas&lt;/i&gt;. (Explico: em certos bairros de São Paulo, onde predominam imigrantes e descendentes de italianos, ainda hoje há um tipo de &lt;i style=""&gt;donna&lt;/i&gt; falastrona, espalhafatosa e mal-educada, apelidada genericamente de &lt;i style=""&gt;Conchetta&lt;/i&gt;.) Uma delas, a mais terrível, passou o tempo inteiro controlando meus gastos (não sei por que, implicava com o fato de eu não me preocupar em economizar sem, no entanto, esbanjar dinheiro) e, de quebra, insultando o guia argentino, de quem desconfiava (isso, eu desconfio por que), acusando-o de só nos levar a lugares onde ganhava gorda comissão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O jantar foi num restaurante russo, com direito a um inesquecível show de danças cossacas, além de comida e bebida à vontade – menos, é claro, uísque escocês. Como de costume, e sem me preocupar com o custo (e a &lt;i style=""&gt;Conchetta&lt;/i&gt; de olho, intrigada), pedi uma dose de Scotch 12 anos. O garçom, então, trouxe um enorme copo de cristal com gelo, colocou-o na minha frente e concentrou-se em servir a dose. Foi o tempo suficiente para que a &lt;i style=""&gt;Conchetta&lt;/i&gt; enfiasse “educadamente” a mão no meu copo, achando ser um porta-gelo, e pegasse algumas pedras para esfriar mais a sua Coca-Cola! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O fato é que cada uma das minha&lt;span style="color:blue;"&gt;s&lt;/span&gt; visitas a Buenos Aires reforçou e aumentou o meu bem querer por aquela cidade e pelo seu estilo de vida. E toda vez que eu fui lá, e sempre que estava prestes a deixar a cidade, não consegui deixar de me perguntar: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Mi Buenos Aires querida, quando te vuelvo a ver?” &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;Entretanto, em duas ocasiões (dois carnavais, por sinal) “traí” Buenos Aires: numa das vezes fui a Assunción e, na outra, a Santiago do Chile. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Minha ida a Assunción foi determinada, primeiro, pelo cansaço (minha pretensão era dormir os quatro dias) e, depois, pela intenção de comprar uísque, tanto quanto pudesse. Minha coleção “da vez” era de garrafas de uísque e eu queria enriquecê-la com marcas diferentes. De fato, trouxe nada menos que &lt;st1:metricconverter productid="17 litros" st="on"&gt;17 litros&lt;/st1:metricconverter&gt; de uísques, que eu espertamente distribui pela bagagem de outros excursionistas ou misturei com minhas roupas sujas, passando sem problemas pela Alfândega. Mas a verdade é que tive “ajuda” para entrar com esse meu “contrabando”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Havia feito amizade (de fato, tivemos um &lt;i style=""&gt;flirt&lt;/i&gt;, como se dizia no meu tempo) com uma jovem senhora, alta funcionária do Instituto de Resseguros, que viajava pela primeira vez ao estrangeiro, e sozinha. No avião, na viagem de volta, eu a ajudara a preencher a declaração de bagagem e, ao desembarcarmos, nos encaminhamos juntos para o balcão de vistoria. Quando entregamos as duas declarações, o funcionário disse: “Não precisava ter feito duas; para o casal, basta uma declaração”. Ao que ela, rubra como uma pimenta, respondeu: “Nós não somos casados!...” Muito sem jeito, o rapaz nos liberou sem maiores formalidades. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas, além de uísque, trouxe também algumas recordações dessa viagem. Pois, o que eu menos fiz foi dormir! A farra, digamos assim, começou no Electra C da LAP – Líneas Aéreas Paraguayas. O grupo estava disposto a se enturmar e o fez rapidamente, tanto que os comissários tiveram dificuldade de realizar o serviço de bordo (que, aliás, foi magnífico). Depois, tivemos a contribuição do piloto que, após quase duas horas de vôo, e ao avistarmos as luzes de uma cidade, anunciou pelo alto falante que, devido a problemas técnicos, estávamos de volta a São Paulo (susto generalizado). Mas era brincadeirinha! Na verdade, era Assunción. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Fomos divididos em dois subgrupos e levados a hotéis diferentes. O meu era o Grán Paraná, um três estrelas muito bom, onde, apesar de não haver pago por isso, fui alojado sozinho em um apartamento. No dia seguinte pela manhã fizemos o tradicional city-tour e a tarde livre para compras foi devidamente aproveitada por mim para fazer as primeiras aquisições etílicas. À noite, fui com a turma jovem a uma boate chamada “El Caracól”, a badalação do momento na cidade, onde nos divertimos, literalmente, até o dia clarear! De lá, fomos direto pegar o ônibus que nos levou a Foz de Iguaçu, via Lago Ipacaray, numa proveitosa, porém cansativa, excursão de um dia inteiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No almoço, num hotel próximo às cataratas, presenciamos um incidente, no mínimo, curioso. Do restaurante, a gente via um agradável jardim, onde passeava um casal jovem, evidentemente em lua de mel. O comentário feminino generalizado era: “Olha que bonitinho!” Só que, de repente e sem vê nem pra quê, ela virou-se, tascou-lhe um tapa na cara e saiu correndo, com ele em seu encalço. (Sem comentários.) &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Para encerrar o dia, na volta o ônibus teve dois pneus furados, o que nos fez chegar a Assunción já tarde da noite. Mesmo assim, eu e uns poucos corajosos ainda saímos para conhecer o cassino e tomar umas e outras. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A terça-feira, porém, foi especial. Para a véspera do nosso regresso, a LAP nos reservara um jantar de gala, seguido de um “baile” com show, no clube social mais elegante da cidade. Nesse dia, um inesperado acontecimento quase estraga o meu “Carnaval en Assunción”. Havia levado meu passaporte (não precisava, mas por que não?) e o perdi num taxi, a caminho ou na volta das compras. Fiquei angustiado ao descobrir o fato (fui aconselhado a dar queixa na polícia e na Embaixada, visto ser comum a venda de passaportes perdidos a contrabandistas &lt;i style=""&gt;et caterva&lt;/i&gt;). Mas, antes que alguma providência fosse tomada, o honesto motorista foi ao hotel devolver o meu. Grácias! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O ônibus da excursão estava marcado para nos pegar às nove horas, na porta do hotel, a fim de nos levar ao jantar e show no clube. Tomei um banho, me arrumei todo e, como ainda era cedo, pedi à copa tira-gostos e um balde de gelo para beber uns uísques enquanto esperava. Como o meu apartamento ficava bem de frente para o hall do elevador, mantive a porta aberta para ver quando o pessoal começasse a descer, e ir junto. Aconteceu, porém, o inverso. As pessoas chegavam, chamavam o elevador, me viam tomando meu drinque e “se convidavam” para tomar um também. Resultado: rolou uma verdadeira festa no meu apartamento, enquanto o pobre do motorista se descabelava, lá embaixo, porque já estava passando da hora e não descia ninguém! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O jantar foi agradável, bem servido e gostoso. Lá pelas tantas, porém, ficamos sabendo que o show seria com o Wilson Simonal, de quem, na época, se dizia ser dedo duro, informante do DOI-CODI e outras acusações igualmente graves. Revoltado, liderei um movimento para que nós, brasileiros, nos retirássemos antes do show, o que fizemos acintosamente. Se eu estava errado, sinto muito, mas na hora foi gratificante. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Também nessa viagem havia uma dupla de &lt;i style=""&gt;Conchettas&lt;/i&gt;. Elas (e os maridos) passavam o tempo inteiro falando mal do Paraguai, dos paraguaios, de tudo! Mas, essas, nós tratamos de neutralizar rapidamente. Reunimo-nos e resolvemos chamar a atenção delas, para o que nomeamos uma &lt;i style=""&gt;embaixadora&lt;/i&gt;, a D. Anne – era uma senhora libanesa, muito fina e muito viajada, e que se desincumbiu galhardamente da missão, dizendo-lhes que estavam sendo grosseiras, ofendendo nossos anfitriões e nós não concordávamos com isso. Daí em diante, se voltaram a falar mal, foi bem baixinho. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;A viagem ao Chile também foi marcante, desde o romântico vôo de ida até o regresso com a imprevista escala &lt;st1:personname productid="em Assunci￳n. O" st="on"&gt;em  Assunción. O&lt;/st1:personname&gt; vôo ia direto de Congonhas para Santiago. Quando todo mundo já estava acomodado, eis que embarca um casal (conhecido meu, por isto sei que estava em viagem de núpcias) que, evidentemente, não mais encontrou lugares juntos (nem ninguém disposto a ceder-lhes os seus). Tiveram, pois, que sentar um de cada lado do corredor. Mas, fizeram a viagem toda de mãos dadas, só “abrindo” passagem para as comissárias e para quem fosse aos banheiros. Foi lindo! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas, nesse mesmo vôo, como em nenhuma outra ocasião, foi quando eu me senti mais “econômico”. Acontece que o avião, um Boeing 727 da Eastern Air Lines, arrendado à Ladeco, era configurado sem divisão de classes, ou seja, para classe única. Um pequeno grupo de americanos, porém, estava viajando de Primeira Classe e foi acomodado nas duas primeiras fileiras de poltronas. Até aí, tudo bem. O chato foi que, para eles, o serviço de bordo era evidentemente superior, incluindo uma aeromoça exclusiva, bebidas à vontade e refeições especiais. Foi triste. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Apesar dos pesares, o vôo foi tranqüilo e, por ser diurno, proporcionou uma das vistas mais estupendas e emocionantes com que já me deparei: a monumental, aterradora e impressionante massa da cordilheira dos Andes! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em Santiago, fiquei num hotel apenas razoável, embora bem localizado, e cumpri o circuito turístico de praxe: city-tour, com passagem pelos bairros chiques e pontos de interesse histórico; visita à adega de uma vinícola; subida a um ponto elevado com vista panorâmica da cidade e os Andes ao fundo; ida às lojas de artesanato típico (em cobre) etc. e tal. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No terceiro dia, bem cedo, fomos levados de ônibus, com armas e bagagens, para Valparaíso e Viña Del Mar, duas cidades vizinhas à beira do oceano Pacífico, onde ficamos hospedados no Hotel O’Higgins, decadente (a piscina estava “en reforma”) mas ainda incrivelmente charmoso. Todo fim de tarde, um conjunto tocava ao vivo no enorme saguão, enquanto casais deslizavam pela pista de dança e garçons serviam coquetéis e tira-gostos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;st1:personname productid="Em Vi￱a Del Mar" st="on"&gt;Em Viña Del Mar&lt;/st1:personname&gt;, fui a uma discoteca incrível, debruçada num penhasco à beira do Pacífico, à qual se chega por cima e vai-se descendo nível após nível. Outra noite, e por insistência de um casal de amigos que encontrei por lá, fui tentar a sorte no Casino, e só me dei bem! Comprei o cacife obrigatório e fui xeretar as mesas. Mesmo sem vontade de jogar, arrisquei algumas fichas e ganhei. Mas não me entusiasmei. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Enquanto meu amigo se aboletava na mesa de &lt;i style=""&gt;Chemin de Fèr&lt;/i&gt;, convidei a mulher dele para jantar, pois estava com fome. No restaurante (&lt;i style=""&gt;très chic&lt;/i&gt;, bom e barato!) pedimos filés e um vinho chileno para acompanhar. Pronto! Passamos a ser atendidos solenemente por um &lt;i style=""&gt;sommelier&lt;/i&gt; que cumpriu todos os rituais consagrados para servir um bom vinho. Foi lisonjeiro, porém hilário. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando voltamos ao salão de jogos, meu amigo já estava atuando como “banca” no &lt;i style=""&gt;Chemin de Fèr&lt;/i&gt;. Nesse jogo, também conhecido como &lt;i style=""&gt;baccarat&lt;/i&gt; e “punto y banca”, a gente aposta a favor ou contra a banca. Como era meu amigo quem estava com a banca, foi nele que apostei. Continuei conversando animadamente com a mulher dele e nem me dei conta do resultado. Após algum tempo, foi ela quem me alertou para o monte de fichas colocadas sobre as minhas, mas quando tentei pegá-las, o jogo estava feito! Pude apenas ficar na expectativa e torcer novamente pela banca. GANHEI! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E ganhei bastante: dinheiro suficiente para cobrir todas as despesas da minha viagem, e ainda sobrar algum. Enfrentando a cara feia do &lt;i style=""&gt;croupier&lt;/i&gt;, do caixa e de outras feras, tratei de recolher minhas fichas, trocá-las por &lt;i style=""&gt;l’argent&lt;/i&gt; e voltar ligeirinho para o hotel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Sabedora do meu feito, uma turma me convidou para esticar a excursão até Puerto Montt, no sul do Chile, voltando ao Brasil somente no domingo seguinte. Senti vontade de ir, mas como tinha de trabalhar na quinta-feira, agradeci, recusei e embarquei de novo no avião da Ladeco. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O vôo foi tranqüilo, até atravessarmos os Andes. Pegamos, então, um temporal violento, que sacudia o avião em todas as direções. A coisa ficou tão preta, que o piloto achou melhor fazer uma escala em Assunción, para aguardar o tempo melhorar. Fizemos uma aproximação tensa, sacolejante, mas o pouso foi deslizante, perfeito, provocando aplausos entusiasmados da platéia agradecida. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Na quinta-feira, lá estava eu de volta à agência: lépido, fagueiro, bem disposto, com dinheiro no bolso e... sozinho! Fui o único sujeito da Criação a comparecer ao trabalho naquele dia e no seguinte. Uma lição que eu deveria ter aprendido, mas não o fiz. (Depois veremos.)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Há, também, uma outra historinha de carnaval, ainda da época da Hot Shop, na qual eu e uma amiga tivemos desempenhos merecedores de Oscar. Em 1971, eu, essa amiga e mais duas colegas, alugamos uma casa em Parati, litoral do Rio, para os quatro dias de carnaval. Então eu tinha um Aero-Willys, mas não tinha carteira de motorista. Aí, combinamos o seguinte: como ela era habilitada, iria dirigindo o carro até sairmos da Via Dutra e pegarmos a estada estadual que passava por Cunha e descia até Parati. Dito e feito. Assim que saímos da Dutra, peguei o volante e segui &lt;st1:personname productid="em frente. S￳" st="on"&gt;em frente. Só&lt;/st1:PersonName&gt; que deu zebra. Logo adiante, um zeloso (e possivelmente entediado) guarda da Polícia Rodoviária Estadual fez sinal para que eu parasse o carro. Sem outro jeito, obedeci.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;- Documentos e habilitação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Entreguei os documentos ao guarda e aguardei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Os documentos estão OK, falta a habilitação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Está tudo aí, junto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Não senhor, pode ver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Foi quando começou a farsa. Virei-me para a Clélia e disparei:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Onde que você pôs minha carteira? Entreguei na sua mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Ela respondeu de bate-pronto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Botei nas suas coisas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Nas minhas coisas onde?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Ah! Acho que botei na sua mala!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Lá fomos nós abrir o porta-malas, tirar toda a bagagem (a minha mala, claro, estava por baixo de todas), e procurar no meio das minhas roupas uma coisa que a gente sabia não existir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Novamente me dirigi à Clélia, agora com voz zangada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Está vendo? Por causa da sua falta de atenção, o nosso carnaval está estragado. Afora o prejuízo que isto vai me dar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O guarda, com pena dela, interveio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- A moça não teve culpa. Foi uma distração, acontece com qualquer um. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- É, mas quem vai pagar o pato sou eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Vamos fazer o seguinte. Algum de vocês trouxe habilitação?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Eu trouxe (respondeu a Clélia).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Só falta você ter esquecido a sua também!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Está aqui, ó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Pronto, tá resolvido – disse o guarda – a moça dirige o carro daqui pra frente. Não vou multar nem nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Guardamos toda a bagagem de volta, entramos no carro e seguimos até depois da primeira curva, onde paramos para rir às gargalhadas desse episódio que marcou o início de um dos carnavais mais divertidos que eu já passei!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-2360033710126836559?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/2360033710126836559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=2360033710126836559' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2360033710126836559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/2360033710126836559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#2360033710126836559' title='Mi Buenos Aires querida!'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-1440940298889414821</id><published>2008-03-08T11:17:00.006-03:00</published><updated>2008-03-09T16:38:02.995-03:00</updated><title type='text'>Quarta-feira de cinzas</title><content type='html'>&lt;div&gt;No Rio, durante o verão, sempre houve grandes ressacas, com o mar invadindo a avenida Atlântica e – antes que esta e a própria faixa de praia fossem alargadas – várias vezes alcançando a avenida N. Sra. Copacabana; excepcionalmente, chegando até a rua Barata Ribeiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O carnaval de 1967 foi uma dessas ocasiões. E na Quarta-feira, dia da partida, o mar ainda estava bastante agitado. Tão agitado, aliás, quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animado e excitado com as perspectivas da viagem, subi a bordo logo que o embarque foi liberado (por volta das quatro da tarde), instalei-me na cabine e, após um rápido porém amplo reconhecimento geral do navio, corri para o ponto mais avançado da proa (tal qual em uma profética avant-première da famosa cena da Kate Winlllet em Titanic), a fim de apreciar a passagem do navio pelo Pão de Açúcar, a saída da barra e a entrada em mar aberto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse exato momento, o Rosa da Fonseca encarou uma enorme onda e eu tomei um inesperado, e completo, banho salgado da cabeça aos pés! Precisei voltar à cabine, para tirar o sal e trocar de roupa antes do jantar. (Registre-se que nessa noite o restaurante estava às moscas, não por culpa da comida; mas porque, enjoada, a maioria dos passageiros estava sem condições de se alimentar. Eu, porém, comi e apreciei numa boa tudo o que me serviram.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amanhecemos o dia em Santos, onde os paulistas embarcariam e o cruzeiro começava para valer. Até então, compartilhara a cabine (quádrupla e com banheiro semi-privativo) com dois rapazolas cariocas que eu mal vira; em Santos, juntou-se a nós um senhor mais velho que viajaria com a mulher, uma filha e os netos acomodados na cabine pegada à nossa, ou seja, num arranjo bastante conveniente para mim sob todos os aspectos, pois “nossa” cabine tornou-se, praticamente, meu domínio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os dois-três dias de navegação até Montevidéu foram deliciosos e transcorreram sem incidentes, exceto pelas tentativas de alguns cariocas de criar um clima de rivalidade com os paulistas que, muito na sua, ignoraram as tais tentativas e fizeram o que bem pretendiam, isto é, tomaram conta do pedaço. Eu, já acreditando ser paulistano honorário, me enturmei perfeitamente com todos e curti cada momento da viagem: desde os jogos e brincadeiras de salão ou à beira da piscina; os encontros de final de tarde na lanchonete; a descoberta dos Beatles, Mamas &amp;amp; Papas e outros sucessos jovens no repertório da “juke-box”; as danças, shows e bingos noturnos; até os chocolates, cigarros e bebidas dutyfree das butiques de bordo e a jogatina liberada em águas internacionais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes mesmo de atracarmos em Montevidéu, ainda da amurada do barco, já começamos a sentir um cheiro diferente. Eram pêssegos, toneladas e toneladas de pêssegos (lá chamados de duraznos) em plena safra, cujo aroma forte impregnava toda a cidade. Até hoje, mais de trinta anos depois, associo o aroma de pêssego ao cheiro da capital uruguaia. Em 1967, o Uruguai ainda era conhecido como “a Suíça sul-americana”, uma espécie de paraíso fiscal que alguns brasileiros mais endinheirados (principalmente os gaúchos) e, até, europeus e norte-americanos curtiam adoidado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sem ser faustosa ou espetaculosa, Montevidéu era uma cidade elegante, limpa, bem urbanizada, com um comércio diversificado, uma população bem vestida e bem educada e um inegável parentesco com o “velho mundo”. Os ricos freqüentavam as praias elegantes, as lojas de marca (ainda não conhecidas como griffes), o cassino de Carrasco, ou esticavam até Punta Del Este – para sentir-se um pouco como em Acapulco ou na velha Havana pré-Fidel Castro. Os remediados tentavam imitá-los.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dos “hits” de Montevidéu então eram os antiquários (ainda raros no Brasil) onde era possível deparar-se com preciosidades como louças, pratarias e cristais importados e usados pelas abastadas famílias dos estancieiros uruguaios e argentinos, no auge da exportação de carnes abatidas para a América e Europa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas últimas décadas do século XIX e primeiros anos do século XX, essas famílias iam passar suas férias na Europa, levando não só a própria criadagem como também seus cavalos favoritos e automóveis de luxo, permitindo-se ainda o requinte de personalizar a decoração de suas acomodações privativas nos navios. E trazendo, na volta, tudo o que lhes apetecesse, sem restrições de custo, tamanho ou peso (esse negócio de limite de bagagem é invenção recente, das empresas aéreas). Muitas dessas coisas permanecem em poder das famílias dos compradores originais; outras porém acabaram por serem transformadas em atrações de feiras e lojas de antiguidade como as que encontrei em Montevidéu e, depois, Buenos Aires.&lt;br /&gt;Foi num antiquário de Montevidéu que eu cometi a minha primeira – e uma das maiores – bobeadas em matéria de aquisições de viagem: temeroso de gastar mais do que poderia, deixei de comprar, por apenas 70 dólares, um belíssimo par de decanters (garrafas de cristal) ingleses, acomodados num igualmente belo e precioso estojo em legítima Sterling Silver (Prata 90). Dói até hoje! Em compensação, nessa viagem iniciei uma “coleção” de cuias e bombas para chimarrão, nos mais bizarros e estranhos formatos e tamanhos (aos quais, depois, juntaram-se exemplares argentinos, gaúchos e, até, paraguaios), devidamente abandonados e descartados à beira dos caminhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;À elegância discreta e contida de Montevidéu, sucedeu-se a exuberância de Mar Del Plata, com seu enorme e luxuoso Casino, o imponente e garboso Hotel San Raphael, amplas avenidas, comércio sofisticado e um estilo de vida, decididamente, bem mais chique e refinado que o do Guarujá (com o perdão dos companheiros paulistanos). Para mim, três coisas marcaram a nossa passagem por aquele balneário:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1. Um jantar dançante “au grand complet” (com ótimo cardápio, show e vinhos inclusos), ao qual pudemos comparecer no Hotel San Raphael;&lt;br /&gt;2. A gentileza desinteressada de um jovem “nativo”, que (apesar dos meus alertas desconfiados) ofereceu-se e serviu de guia noturno para a moçada do navio;&lt;br /&gt;3. O “happening” em que se transformou a partida do Rosa da Fonseca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na ocasião, era costume (hoje inexplicavelmente em desuso) fazer de cada partida uma festa: a orquestra do navio vinha tocar ao vivo no convés, os passageiros reuniam-se nas amuradas, confetes e serpentinas rolavam soltos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não foi diferente a largada do Rosa da Fonseca de Mar Del Plata. Com um acréscimo: a inesperada, generosa e tumultuada distribuição de carteiras de cigarros, promovida a partir de um impulso meu, ao atender ao apelo de um argentino por um cigarro “brasileño” arremessando-lhe o maço de Minister fechado. Os demais passageiros gostaram da idéia e aderiram, provocando um verdadeiro rebuliço, que não sei como não terminou em algum acidente. Mas foi marcante e divertido e, acredito, lá mesmo ainda deve haver quem se lembre do fato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A escala seguinte foi Buenos Aires, onde o Rosa da Fonseca nos hospedou durante cinco dias e quatro noites. Quase uma semana inteira de deslumbramento, descobertas, passeios, compras, gastronomia, cultura, diversão. Mas, como não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe, quando chegaram as águas de março eu estava de volta ao batente, no Rio, saudoso mas feliz da vida e já sonhando com o próximo cruzeiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só que não foi bem assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse mesmo ano de 1967 enfrentei três etapas de cirurgia plástica e, em novembro, fui enviado pela Standard a Porto Alegre para fazer um trabalho especial, que acabou me servindo de passaporte para São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A idéia inicial era ficar uns 10, 15 dias em Porto Alegre, participando da elaboração de uma concorrência através da qual a Standard tentava conquistar a conta dos Fogões Wallig. Enquanto aguardava a definição do resultado, comecei a resolver jobs de outros clientes – com certo sucesso, parece; tanto assim que a minha estada começou a se prolongar bem além do pretendido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse meio tempo, assisti de camarote (melhor dizendo, de mesa de restaurante) à negociação entre o Alberto Moraes Barros (vice-presidente da Standard) e o Flávio Antônio Correia, (o Faveco, diretor da Denison no Rio Grande do Sul), acertando a transferência deste e de sua equipe para aquela agência, o que também resultou em um convite para que eu me mudasse para os pampas, de armas, bagagens e Olivetti. Eu preferia São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes que isto fosse resolvido, porém, tive de ir ao Rio – para receber dinheiro, fazer pagamentos e, inclusive, ampliar o minguado guarda-roupas que havia levado. Voei num Caravelle, via São Paulo, em companhia do Roberto Duailibi, que se comprazeu em tentar me assustar (sem sucesso) detectando supostos “barulhos estranhos” no ruído das turbinas. Mas, no retorno Rio-Porto Alegre, certamente, e sem fazer força, ele teria me visto quase entrar em pânico com as turbulências do vôo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Viscount da VASP decolou no início da noite, do Santos Dumont rumo a Porto Alegre, com escalas previstas em Congonhas e Florianópolis. Decorreu tudo normal até o alto da serra de Santos, quando fomos pegos pelo mau tempo e o avião começou a jogar assustadoramente. Os latidos desesperados de um cachorrinho, que viajava escondido na bolsa de uma madame, em nada contribuíam para desanuviar a tensão. Mas, finalmente, avistamos as luzes da cidade e iniciamos o procedimento de pouso. Foi ainda mais assustador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A pista de Congonhas, então, era ainda menor que a de hoje e o piso de concreto só começava após um espaço em que havia apenas o chão de piçarra compactada do aterro. Chovia a cântaros. O piloto, certamente atrapalhado pela chuva, tocou apenas com o trem de pouso esquerdo antes do chão de concreto e o aparelho ameaçou fazer um “cavalo-de-pau”. Por sorte, o comandante teve o instinto, a presença de espírito, a iniciativa ou, quem sabe, a inspiração divina de arremeter e “jogar” o avião em cima da pista, dessa forma tirando-nos do sufoco e concluindo o pouso. Durante a escala (iria haver troca de aeronaves, claro) ainda tentei ligar para alguns conhecidos em São Paulo, com a intenção de, pelo menos, passar a noite por lá. Mas, ninguém atendeu minhas chamadas e o jeito foi seguir a viagem. Que, por sinal, continuou sendo um bocado turbulenta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao levantarmos vôo, pareceu que o tempo havia se acalmado. Logo foi servido o jantar que, naquela época e num trecho daqueles, ainda era à moda da 1ª classe de hoje: com drinks e canapés, taças e copos de vidro, pratos de porcelana e talheres de metal, guardanapos de pano e variadas opções de sobremesas. Justamente na hora da sobremesa, reencontramos o mau tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Logo, a tripulação estava recolhendo o serviço de bordo, enquanto os mais gulosos tentavam engolir os últimos pedaços de torta com chantilly. Foi quando aconteceu o anticlímax: um súbito “vácuo” fez com que, apesar de estar elegantemente segurando o pratinho em sua mão, um passageiro enterrasse a cara na torta, provocando risos (nervosos) em quem viu a cena.&lt;br /&gt;Mas o pastelão ainda não acabara. Um grande relâmpago mostrou a quem, como eu, estava sentado junto à janela um ameaçador topo de montanha logo abaixo, à direita, ao que se seguiu uma forte arremetida do aparelho para cima. Através do alto falante, fomos informados que “devido ao mau tempo não havia condições de pouso em Florianópolis e o vôo prosseguiria direto para Porto Alegre”. Então, uma senhora de meia idade, acomodada bem na poltrona à minha frente, chamou o comissário e travou com ele o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Moço, e se não der para pousar em Porto Alegre?&lt;br /&gt;- Não tem problema: a gente prossegue para Pelotas.&lt;br /&gt;- E se não der para pousar em Pelotas?&lt;br /&gt;- Não tem problema: a gente continua até Montevidéu.&lt;br /&gt;- E se em Montevidéu o tempo também estiver ruim?&lt;br /&gt;- Não tem problema: a gente vai para Buenos Aires.&lt;br /&gt;- E se também não der para pousar em Buenos Aires?&lt;br /&gt;- Aí, minha senhora, a gente vai para o Céu!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Pano extremamente rápido.)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-1440940298889414821?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/1440940298889414821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=1440940298889414821' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1440940298889414821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/1440940298889414821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#1440940298889414821' title='Quarta-feira de cinzas'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-4420925251226996101</id><published>2008-02-29T23:46:00.000-03:00</published><updated>2008-03-02T14:25:30.506-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Atenção, senhores passageiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;5 de novembro de 1962, 5 horas da manhã. Chegara o grande dia! Pouco mais de uma semana após completar 18 anos, eu iria dar o meu “grito de independência”: não só viajaria de avião, pela primeira vez, como, também pela primeira vez, estaria saindo de casa de livre arbítrio e por minha conta e risco. Alguns meses antes, em fevereiro, havia conseguido estágio na Norton Publicidade e, assim, descoberto a profissão que abraçaria pelo resto da vida – embora, até então, sequer desconfiasse da sua existência. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Agora o gerente local da Norton, Fernando Pouchain, promovido a Diretor Regional da agência em Recife, estava se transferindo e levando consigo uma pequena equipe formada por mim, pelo Marcus Jussiê e pelo Nivaldo Rangel. Dos três, apenas o Nivaldo era profissional; eu e o Marcus éramos só aprendizes de feiticeiros – ele, com um talento artístico que eu, certamente, não possuía. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Para a nossa viagem, haviam sido feitas reservas num vôo da Cruzeiro do Sul procedente de Belém com escala &lt;st1:personname productid="em S￣o Lu￭s. O" st="on"&gt;em São Luís. O&lt;/st1:personname&gt; avião, um dos mais modernos em operação no país na época, era o Convair 340 que, entre outras maravilhas (como cabine pressurizada), tinha sua própria escada automática! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Marcado para as seis horas, o vôo estava atrasado. Finalmente, já perto de oito horas, o avião pousou no Aeroporto Pinto Martins, com apenas um dos dois motores funcionando! Imediatamente o Fernando Pouchain providenciou a transferência das nossas reservas para um vôo do Lóide Aéreo, num velho (porém quadrimotor) DC-4. Foi uma viagem tranqüila, tanto que cedi ao cansaço e à monotonia e adormeci. E, dessa forma, perdi o café da manhã: uma das minhas maiores expectativas e, sem dúvida, a grande frustração dessa viagem. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lá pelas dez e meia, onze da manhã, pousamos no Aeroporto Internacional dos Guararapes. Esse pouso em Recife, longe de ser o término daquela viagem, foi apenas a primeira escala de uma viagem que tem se prolongado pela minha vida afora e só tem sido interrompida por força das circunstâncias.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Essa temporada pernambucana durou cerca de seis meses. Inicialmente, nos alojamos – eu, Nivaldo e Jussiê – no Hotel-Pensão Palácio, na rua da Imperatriz, próximo à Praça Joaquim Nabuco, onde ficava a Norton. Mas, já antes do Natal (tendo o Marcus desistido e voltado a Fortaleza), Nivaldo e eu alugamos quartos numa pensão da Rua Nova, administrada por uma velhinha européia, muito alva, corada e de olhos bem azuis, que se afirmava baronesa austríaca e filha da ex-dama de companhia da Imperatriz Sissi – aquela dos filmes da Romy Schneider. Para comprovar sua alegação, ela possuía e exibia inúmeras recordações, entre as quais: álbuns fotográficos, algumas jóias, comendas e antiguidades, além dos restos de um belíssimo aparelho de chá, dourado e brasonado, no qual tive a honra de ser servido. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Assessorada por uma espécie de mucama faz-tudo, “Madame” (nunca lhe soube o nome) controlava a pensão com rigidez européia, inclusive quanto aos horários dos hóspedes (somente homens). Mas parecia que todos a respeitavam e queriam bem. Minha moradia na “corte”, porém, durou pouco. O Nivaldo precisou voltar e assumir a gerência da Norton em Fortaleza e eu, então, fui “absorvido” como uma espécie de escudeiro do Fernando Pouchain. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Primeiro, durante o carnaval de 1963, fui alojado com armas e bagagens no Hotel São Domingos – então, o melhor do Recife – a fim de assegurar a reserva do apartamento do Pouchain, enquanto ele vinha ficar com a família &lt;st1:personname productid="em Fortaleza. Nessa" st="on"&gt;em Fortaleza. Nessa&lt;/st1:personname&gt; época, os desfiles de fantasias estavam no auge e, no Recife, acontecia o “Bal Masqué”, que reunia, nos salões do Clube Internacional, a fina flor dos concorrentes em uma espécie de prévia dos bailes do Rio de Janeiro, no Teatro Municipal, Hotel Glória e Copacabana Palace. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nesse ano, como hóspede do São Domingos, pude examinar de perto, no saguão do hotel: a “Glória de Salomão”, do Evandro de Castro Lima; “Boris Gudonov", do Clóvis Bornay; as “Cataratas do Iguaçu”, da Judith Bueno; e “Cleópatra, a Rainha do Nilo”, não me lembro de quem. Mas lembro que, no ano seguinte, alguém desfilou com uma Cleópatra praticamente igual, causando o maior bafafá nas revistas O Cruzeiro e Manchete. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Findo o Carnaval, o Pouchain chegou com a mulher para instalar-se de vez em Recife, alugando um apartamento na Av. Conde da Boa Vista e levando-me para morar junto. Foi uma fase ambígua: gostosa, literalmente, porque D. Irinéia cozinhava muitíssimo bem; mas incômoda, porque a liberdade individual ficou reduzida a zero. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mesmo assim, durou até que fosse decidido que, também eu, estava na hora de voltar a Fortaleza, o que aconteceu mais ou menos em abril ou maio de 1963. Voltei com alguma experiência, muitos sonhos, várias idéias na cabeça, e duas certezas absolutas: 1) definitivamente, queria ser publicitário; 2) precisava ampliar meus horizontes profissionais – e isto significaria ter que ir cada vez mais longe. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No final de 1964, tendo me bandeado da Norton para um dos seus clientes (a Mobil, Mobilização de Capitais e Organização de Vendas, que me prometia uma carreira como homem de marketing e relações públicas), percebi que os horizontes profissionais no Ceará eram – como continuam sendo – extremamente limitados. Assim, embarquei no entusiasmo de um cunhado, que pretendia ir juntar-se aos irmãos no Rio, e dispus-me a alçar vôo nas asas de um Caravelle da Cruzeiro do Sul (olha ela aí, de novo) rumo à Cidade Maravilhosa. E lá fui eu, em meados de dezembro, com minha mãe a tiracolo, passar o segundo Natal da minha vida fora de casa (o primeiro fora o de 1962, no Recife), levando na bagagem, além de esperança, apenas minha juventude, pouco dinheiro e muita vontade e disposição. E uma grande autoconfiança. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Pois não é que deu certo?! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Menos de dois meses depois, em meados de fevereiro, fui contratado como redator pela Standard Propaganda, com carteira assinada e tudo, recebendo mais que o dobro do que ganhava na Mobil (o que, no Ceará, já era um belíssimo salário!) e com grandes perspectivas pela frente. Só que, apesar disso, não demorou para que eu descobrisse que, para quem pretendia ser publicitário, o lugar certo para ir não era o Rio de Janeiro, era São Paulo. Aí, começou a minha luta para “chegar lá”, o que acabei por conseguir no final de 1967, via Porto Alegre. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Enquanto isso, porém, por detrás da Candelária... &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Na época, a matriz da Standard ocupava alguns andares do Edifício Lowndes, um prédio localizado no comecinho da av. Presidente Vargas, mais precisamente na praça Pio X, que rodeia a igreja da Candelária. Minha sala, no sexto andar, ficava por trás da igreja mas tinha uma janela de frente para a nesga da Baía de Guanabara que dava acesso ao porto do Rio. Sem levantar da mesa de trabalho eu via todo o movimento de entrada e saída dos navios, que eu “paquerava” e os conhecia a todos de cor e salteado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os majestosos Amazon, Aragon e Arlanza, da Royal Mail Lines; os novos Cabo San Roque e Cabo San Vicente, da Compañía Ybarra; os modernos Argentina e Brasil, da Moore-McCormack; os imponentes Giulio Cesare e Augustus, da Italia Navigazione; os elegantes gêmeos Argentina Star, Brasil Star e Uruguay Star, da Blue Star Line; os tradicionais Charles Tellier, Laënnec e Pasteur, da Messageries Maritimes; os seletos Del Norte e Del Sud, da Delta Lines; os respeitados Enrico ‘C’, Federico ‘C’ e o novíssimo Eugenio ‘C’ – com a marca característica da Linea ‘C’ em suas inconfundíveis chaminés amarelas; os sempre bem vindos paquetes lusitanos, embora não tão famosos quanto os badalados Vera Cruz e Santa Maria, da Companhia Colonial da Navegação. Afora os mistos, os cargueiros e os visitantes esporádicos ou eventuais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não havia dia em que um mero olhar para fora não me fizesse deparar com um dos “meus” navios; nem era raro ouvir: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;– “Portela, olha lá: está passando mais um!” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Entre todos, porém, meus favoritos eram os quatro “Cisnes Brancos”, e isto acontecia por razões simples e óbvias: eram bonitos, modernos, brasileiros e ainda faziam o favor de “estacionar” praticamente debaixo da minha janela, permitindo-me ver e acompanhar o movimento de seus conveses superiores externos. O Anna Nery e o Rosa da Fonseca, construídos na Iugoslávia, e o Princesa Isabel e o Princesa Leopoldina, feitos na Espanha, formavam duplas de gêmeos, bem parecidos na concepção geral: tinham cerca de 10.000 toneladas e por volta de &lt;st1:metricconverter productid="150 metros" st="on"&gt;150 metros&lt;/st1:metricconverter&gt;; acomodavam mais ou menos 400 passageiros em três classes; e eram dotados de piscinas, ar condicionado, restaurantes, bares, boates e todos os demais confortos modernos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quase folclórica, minha empolgação por navios começou a contaminar também os colegas de agência. E foram eles – principalmente o Carlos Alberto Fernandes e o Eduardo Asensio – que me convenceram a passar da teoria à prática e realizar o meu primeiro cruzeiro de verdade em um navio. Sem nunca haver tirado férias antes, comprei a idéia e adquiri uma oferta da Costeira, que havia programado uma saída do Rosa da Fonseca para logo depois do carnaval de 1967, com destino a Montevidéu, Mar Del Plata e Buenos Aires. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E tudo começou na quarta-feira, com uma bela de uma ressaca!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-4420925251226996101?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/4420925251226996101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=4420925251226996101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/4420925251226996101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/4420925251226996101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#4420925251226996101' title=''/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4737164921367711992.post-4637042979443189398</id><published>2008-02-23T21:56:00.000-03:00</published><updated>2008-02-23T22:05:01.546-03:00</updated><title type='text'>SALA DE EMBARQUE</title><content type='html'>Certas pessoas parece que nascem para cumprir alguma missão. Outras, às vezes pode até demorar, mas acabam descobrindo que têm uma vocação. Mas há ainda outro tipo de indivíduos que, pelos mais insondáveis e variados motivos, simplesmente desenvolvem uma espécie de fixação por alguma coisa. Qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, com certeza, sou um desses. Desde criancinha – talvez devido a certas peculiaridades do meu nascimento ou em função mesmo da época em que nasci – manifesto um arraigado e, para um bocado de gente, incompreensível interesse por navios de passageiros – de qualquer tamanho, procedência, época ou aparência, além de, diga-se de passagem, curtir viagens em geral por quaisquer meios de transporte (o que, sem dúvida, é compreensível e perfeitamente justificável).&lt;br /&gt;Tive uma tia solteirona, uma das irmãs mais velhas da minha mãe, detentora de três qualidades proverbiais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Seu intempestivo mau gênio;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Sua capacidade, como funcionária pública federal, de se transferir de um Ministério para outro, e de Fortaleza para o Rio (e vice-versa);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. E o pavor que tinha de aviões. Tanto, que se recusava a pisar em aeroporto, de medo que algum deles lhe caísse em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas idas e vindas recorria tão somente aos velhos e (já pouco) confiáveis navios do Lloyd ou da Costeira, onde, sendo habituée, era conhecida e associada à primeira de suas qualidades – o que quase sempre lhe rendia acomodações superiores às que havia pago, afora um ou outro convite para a mesa do Comandante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época de suas viagens, o precário cais do porto do Mucuripe, em Fortaleza, não permitia a atracação dos navios, que tinham de permanecer ao largo, exigindo uma autêntica operação logística para possibilitar o embarque e o desembarque dos passageiros e de seus pertences. Isto requeria o deslocamento antecipado de uma pessoa encarregada de despachar ou recolher as bagagens, a contratação de uma “alvarenga” para fazer o transporte entre o navio e o cais, e demais providências para pôr tudo em terra firme ou colocar todos a bordo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente tais obrigações eram assumidas por um dos meus tios, vez ou outra pelo meu pai e, com o passar do tempo, até pelo namorado desavisado de alguma das minhas irmãs ou primas. Fui, com certeza, o único dos parentes (mesmo sendo o mais jovem e mais mimado) que não se incomodava – pelo contrário, até se comprazia – com esses seus traslados de chegada/saída. Inclusive, pouco me importei com o fato de ter ido ajudar um cunhado a “despachar” Tia Suzana, creio que pelo navio Aratimbó, justo no dia e na hora da final da Copa de 1958 (Brasil x Suécia), só desconfiando do resultado do jogo por causa do foguetório, uma vez que o velho jipe Willys em que estávamos sequer tinha um rádio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último desses despachos do qual participei foi no começo dos anos 60, mais ou menos um ano antes de eu mesmo me mudar para o Rio. Então, o porto do Mucuripe já permitia a atracação simultânea de uns dois ou três “paquetes”. Tia Suzana iria embarcar no Almirante Alexandrino, um navio construído em 1900 na Alemanha para a Hamburg-Sud, com o nome de Cap Roca, e que, reformado pela enésima vez, tinha agora o requinte de oferecer uma piscina (de lona, é verdade, porém uma verdadeira piscina) para seus privilegiados passageiros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas lembranças de viagem mais antigas (seria mais apropriado dizer: velhas), naturalmente um tanto nebulosas, são da minha primeira ida, quem sabe num Ita vindo do Norte, ao Rio de Janeiro, onde iria me consultar sobre o meu lábio leporino congênito, e a possibilidade de corrigi-lo com uma cirurgia plástica -prática que começara a ser difundida para reparar, em soldados, mutilações resultantes da II Guerra Mundial. Ao contrário do que aconteceria hoje em dia, fui considerado então muito novo para fazer a tal cirurgia e meu pai aconselhado a voltar comigo depois que eu completasse três anos de idade – o que de fato aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessas turnês, sobraram certos “flashes” de memória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Uma festa de aniversário (primeiro? segundo?) improvisada no&lt;br /&gt;apartamento de um amigo do meu pai em Salvador;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Uma “escapada noturna” quando, tendo fingido haver adormecido,&lt;br /&gt;segui meus pais e minha irmã mais velha, do camarote até o salão de festas do navio, onde me “refugiei” junto aos músicos da orquestra;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Um city tour em Recife, realizado em carro de luxo e proporcionado&lt;br /&gt;pelo irmão e a irmã do meu pai que moravam lá;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Uma “baratinha” Ford 1929 (com “banco da sogra” escamoteado no&lt;br /&gt;porta malas), que estava sendo trazida no convés e servia de playground para mim e um companheirinho de viagem;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Uma história recorrente na família, dando conta de que o primeiro navio&lt;br /&gt;no qual fomos para o Rio, na volta dessa viagem, teria sido o último paquete brasileiro a ser torpedeado pelos alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que a viagem foi feita em 1945, já no final da guerra, embora ainda houvesse paranóia suficiente para navegarmos às escuras durante a noite, acredito que essa história seja apenas lenda. Mas, mesmo inverídica, acrescenta certo suspense, charme e emoção a uma simples e rotineira “navegação de cabotagem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há outra história – um tanto confusa, também provavelmente inventada ou pra lá de exagerada – que, verdadeira ou não, gerou muito conversório ilustrativo de “o quanto esse menino é treloso” (ou, como se diria hoje, “criativo”). O caso teria acontecido na viagem de regresso, do Rio a Fortaleza, depois das operações plásticas que fiz em 1947.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O navio (se não me engano, o Itanagé) deixara o porto de Vitória pela manhã, cedo, e agora navegava rumo norte, com terra à vista, para Salvador. O almoço tinha sido servido às onze e meia, como sempre, e a maioria dos passageiros fazia a sesta em suas cabinas ou nos cadeirões da promenade de estibordo, mais protegida do sol. Uns poucos homens jogavam baralho no fumoir da primeira classe, enquanto algumas senhoras preferiam passar seu tempo bordando. De repente, um estranho silêncio tomou conta do navio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que houve? Que aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ouçam: as máquinas pararam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Só pode ser um submarino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oh, meu Deus! Protegei-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Impossível! A guerra acabou faz tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Calma, calma! – O Imediato apareceu e tratou de controlar o começo de pânico. – Parece que houve um acidente, ainda não temos certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como assim? Que acidente foi esse? Queremos saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A informação que temos é que uma criança teria caído no mar!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns logo correram para vasculhar a água com o olhar, debruçados na amurada do navio; algumas senhoras enxugavam as lágrimas. Em meio à consternação geral, alguém falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Há apenas duas crianças a bordo: o filho daquela família pernambucana e aquele outro, operado – como é mesmo o nome dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah! O Fernandinho, coitado! Terá sido ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Parece que sim. Pelo menos foi o que o outro menino disse pra gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um certo tumulto, com todos querendo falar ao mesmo tempo. Começaram a surgir mais pessoas, vindas dos conveses inferiores e, logo, a confusão era geral. Um escaler já estava sendo aprontado para ser arriado. Nisso, chega um marujo e cochicha no ouvido do Imediato. Este subiu numa espreguiçadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Atenção, pessoal, já está tudo sob controle! Foi só um alarme falso, brincadeira de criança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Brincadeira de criança, uma vírgula! Quase que eu tenho um troço de verdade! Esses moleques merecem uma bela de uma surra cada um!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O pobrezinho do Celsinho ficou tão nervoso com o rebuliço que ajudou a causar, que precisou até tomar água com açúcar! Agora, o Fernandinho... esse está lá, trancado no banheiro dos homens e diz que só se entrega se for ao Comandante, como “prisioneiro de guerra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: eu teria induzido meu coleguinha a espalhar a notícia de que caíra no mar e depois, assustado diante da confusão que provocara, havia me trancado num dos banheiros. De onde só saí, mesmo, “sob a proteção do Comandante”, conforme minhas exigências de amotinado.&lt;br /&gt;Ô gente pra gostar de inventar estória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para ser franco, é preciso que eu diga: minhas primeiras viagens de recreio não foram de navio, nem de avião. Foram por terra (terra mesmo, sem asfalto) sendo, a primeira, de ônibus; e, a segunda, de caminhão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jovem parente pernambucano da minha mãe, um pouco mais velho que eu, cursava a Escola Preparatória de Cadetes, em Fortaleza; passava a semana interno, estudando e, nas folgas, ia para a minha casa. Ao terminar seu último período letivo aqui, e antes de ir para a Academia das Agulhas Negras, no Rio, convenceu minha mãe a deixar-me ir com ele passar uma parte das minhas férias em Recife. Como meu irmão morava lá e, também o sogro dele, meu padrinho, recebi sinal verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo, nem existia rodoviária. O ônibus saía da agência da empresa, na rua Senador Pompeu, e levava dois dias para chegar em Recife (com um pernoite numa cidade da Paraíba – Souza ou Cajazeiras, não lembro mais qual). Saímos de madrugada, como era costume, e pegamos a estrada no rumo sul; havia um trechinho de asfalto até depois de Messejana, mas daí em diante era terra, ou melhor, piçarra mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeira à vontade, trepidação idem (quem já trafegou por estrada de terra sabe o significado do termo “costelas de vaca” – ondulações causadas pelo tráfego de veículos pesados e causadoras daquelas incômodas trepidações que sacolejam os passageiros); e, estranhamente, paradas mais freqüentes que o normal. A desculpa era sempre “Voou uma lona; caiu o chapéu do ajudante” (detalhes: além de não ter poltronas semi-leito, o ônibus não tinha bagageiro interno e as malas viajavam lá em cima, vigiadas por um ajudante); mas, como a mentira tem pernas curtas, logo se descobriu que o motivo real das paradas era um desarranjo intestinal do motorista! Chegou-se, porém, a Recife, conforme previsto, e eu tratei de aproveitar a minha inusitada liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os parentes da minha mãe moravam no Pina, vizinho a Boa Viagem; meu irmão, em Casa Amarela e meu padrinho no Espinheiro. Como ninguém tinha telefone e meu irmão e o sogro sequer conheciam o pessoal do Pina, eu dizia para uns que ia dormir na casa do outro e, na verdade, o que fazia era cair na boemia. Mesmo com apenas 15 anos de idade, eu parecia bem mais velho e nunca tive problemas com os comissários de menores; nem, também, com a violência, algo que naquele tempo nem se falava. O fato é que varava as madrugadas na “zona” e, mais de uma vez, dormi ao relento, às margens do Capibaribe. Só voltei porque o dinheiro (e a boa fé do pessoal) acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem seguinte, não muito tempo depois, foi mais, digamos assim, heróica. Fui até São Paulo na boleia de um Fenemê (como eram conhecidos os caminhões Alfa Romeo feitos na Fábrica Nacional de Motores, instalada ainda na ditadura do Getúlio Vargas e pioneira da indústria automobilística brasileira) dirigido por um grande amigo da família. Professor de inglês, ele comprara o bruto para ajudar o marido de uma irmã, mas o cunhado atrapalhou-se e deixou de pagar as prestações. Para sair do prejuízo, pagar o atrasado e evitar perder o caminhão, resolveu aproveitar as férias para fazer uma viagem com carga de ida-e-volta a São Paulo. E eu fui junto.&lt;br /&gt;Saímos vazios (“batendo”, como de diz) de Fortaleza e fomos pegar uma carga de algodão em Mossoró, no Rio Grande do Norte, para levar até a fábrica da Sanbra, no interior de São Paulo. Relativamente leve, o algodão formou uma carga muito alta, o que nos preocupou durante toda a viagem, principalmente na travessia do rio São Francisco, que ainda era feita de balsa. Mas o grande problema, mesmo, não foi esse. Foram os dois “pregos” que demos – um logo depois de Feira de Santana, na Bahia, e o outro em Além Paraíba, já no Estado do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns quilômetros após atravessarmos a cidade de Feira de Santana (onde os caminhoneiros preferiam não parar porque, diziam, lá se roubava de tudo) quebrou a caixa de marchas do caminhão. Estava havendo uma seca braba e o local onde paramos parecia, mesmo, um deserto. Tive que ficar lá o dia inteiro, sem comida e sem água, enquanto o meu amigo pegava uma carona de volta a Feira de Santana, para comprar peças e arranjar um mecânico para ajudá-lo. Lá pelas tantas, sedento, subi até uma casinha no alto de um morro para pedir água. Mas, não tive coragem de beber: porque havia o velório de uma criança, no único cômodo; e porque a água que me deram era absolutamente barrenta. Ainda bem que meu amigo lembrou de trazer água mineral para matar minha sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consertada a marcha, já de noite, seguimos adiante até achar lugar onde comer e dormir. Por sorte, encontramos também um conhecido, motorista de outro caminhão, com quem passamos a viajar em comboio. Prosseguimos sem maiores transtornos, até que, próximo a Volta Redonda, quebrou o diferencial do caminhão. Desta vez, porém, foi no pátio de um posto de gasolina e restaurante, portanto tínhamos ao menos água e comida ao nosso alcance. Mas foi duro o conserto. Não só faltavam peças como não havia ferramentas adequadas: foi preciso arriar e recolocar a caixa do diferencial “no muque”! Com mais um dia de atraso, passamos direto por São Paulo e fomos entregar nossa carga na porta da fábrica, em Campinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá, voltamos até São Paulo, capital, a fim de pegar frete para o retorno. Foi minha primeira estada naquela cidade, que me impressionou em todos os sentidos: a altura e quantidade dos prédios (em Fortaleza, nesse tempo, conhecíamos cada um dos edifícios pelo nome); o número de carros e a largura das avenidas; o túnel da Avenida 9 de Julho (nunca havia passado por um antes); os velhos bondes e a novidade dos ônibus elétricos. O mais impressionante, porém, foi visitar uma loja, chamada Cássio Muniz, onde carros Romi-Isetta eram armazenados em prateleiras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao todo, ficamos cerca de uma semana em São Paulo (era pleno carnaval, mas nem parecia), até conseguirmos uma carga de sabonetes para trazer. Depois da carga balançante da ida, a carga baixinha e bem arrumada da volta foi uma beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, com o caminhão ajeitado e uma carga cheirosa, pegamos a Via Dutra e começamos a voltar para casa. Já de noite, encostamos o Fenemê no restaurante de um posto em Resende e fomos jantar. Chovia muito, mas da mesa nós víamos o caminhão e parecia tudo O.K. Só parecia. Terminado o jantar, descobrimos que o caminhão havia sido aberto e, nós, roubados. Ele perdeu uma pasta com documentos e quase todo o dinheiro recebido pelo frete e, eu, uma pequena maleta onde, entre outras coisas, havia um pacote de pedras semipreciosas, que eu tinha comprado em Teófilo Otoni e levava para as mulheres da família. O prejuízo foi grande e só não foi total porque eu estava com o restante do meu dinheiro no bolso da calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi com esse pouco dinheiro, botando combustível fiado e controlando, inclusive, a alimentação, que nós conseguimos terminar a nossa viagem. Ainda bem que, nessa volta, afora a poeira, o lamaçal e as “costelas de vaca”, houve apenas dois incidentes dignos de nota – ambos, acontecidos já no Ceará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto cumpríamos nossa odisséia, a seca havia sido substituída por um baita de um inverno (chuvas, em nordestês). Em Brejo Santo, a estrada atravessava por cima da barragem de um açude que, com o aguaceiro, já estava sangrando e cobrindo a passagem com uma lâmina d’água. De noite, tive de descer do caminhão e seguir a pé guiando, literalmente, a travessia do caminhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já quase no finzinho da viagem, próximo a Russas e perto de Fortaleza, também à noite, estourou o pneu dianteiro esquerdo do caminhão e não caímos no barranco porque Deus não quis. Dormimos lá mesmo, dentro da cabina, e só pela manhã é que demos fé do tamanho do perigo. Mas, felizmente, concluímos nossa viagem sãos e salvos e deu para chegarmos em casa a tempo de almoçar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, em 1981, repeti a viagem por terra São Paulo-Fortaleza, desta vez, em um automóvel com ar condicionado (coincidentemente, também um Alfa Romeo fabricado pela FNM), tendo um sobrinho ao volante e comigo “toureando” meus dois cachorros: um pastor alemão e um Sussex spaniel. Apesar do asfalto ruim, as condições da estrada estavam bem melhores do que na vez anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O automóvel comportou-se admiravelmente bem, não tendo sequer dado um prego de pneu. Os problemas, se é que se pode chamá-los assim, aconteceram em função dos cachorros. Logo no começo da viagem, ainda na Dutra, quase arranjamos confusão com um guarda da Polícia Rodoviária. O Lobo, meu pastor alemão, tinha (sabe-se lá por que) horror a homem de farda e avançou para o guarda, quando este nos parou. Foi necessária toda a diplomacia do meu sobrinho para acalmar o brio ofendido da “otoridade”. Seguimos em frente. Vez por outra, era preciso parar e soltar os cachorros para que eles se aliviassem e fizessem um pouco de exercício.&lt;br /&gt;Na primeira noite, dormimos (com cachorro e tudo) num hotelzinho de beira de estrada. Mas eu e meu sobrinho tivemos de nos revezar na hora do jantar, pois os cachorros deram escândalo quando ficaram sozinhos no apartamento. Na noite seguinte, em Feira de Santana, a muito custo conseguimos nos alojar em um hotel que aceitasse os cachorros; já experiente, porém, jantei no quarto mesmo, “fazendo companhia” aos bichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, bem cedo, pegamos novamente a estrada. Só que, por causa do olfato sensível, a essas alturas os cachorros estavam enjoados devido ao cheiro da gasolina e se recusavam terminantemente a comer. Fiz de tudo para estimular-lhes o apetite: ofereci-lhes até (e em vão) estrogonofe de filé! Isto foi em Juazeiro da Bahia e confesso que tive medo de ser flagrado e agredido por algum pobre faminto. Jamais faria tal coisa novamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a Fortaleza ainda nesse mesmo dia e embora o Moustache (o spaniel) aceitasse de bom grado um prato de leite, o pobre do Lobo só foi conseguir comer uns dois dias depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4737164921367711992-4637042979443189398?l=baudeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudeviagem.blogspot.com/feeds/4637042979443189398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4737164921367711992&amp;postID=4637042979443189398' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/4637042979443189398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4737164921367711992/posts/default/4637042979443189398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudeviagem.blogspot.com/index.html#4637042979443189398' title='SALA DE EMBARQUE'/><author><name>FERNANDO PORTELA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07831096983600406068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
